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Dakar2005: Na estréia do carro, uma roubada
por Klever Kolberg, da Equipe Petrobras Lubrax - (parisdakar@parisdakar.com.br)
04/01/2005

No Dakar 1997, a equipe Petrobras Lubrax estreiou na categoria carros com um Mitsubishi Pajero 3.5. O veículo foi preparado para correr na categoria Maratona na qual os veículos devem ser de série e podem ter uma preparação apenas limitada - privilegiam-se itens de segurança como gaiola, bancos concha, cintos de seis pontos e tanque de combustível especial com capacidade para 350 litros. A única modificação que melhorava o desempenho do carro era um segundo amortecedor para cada roda.

Esta Pajero é totalmente diferente da versão Full, que passamos a pilotar desde 2001. O fato de ser mais estreita cria um "nervosismo" na pilotagem. A sensação é de que a traseira quer ver o que está acontecendo na frente. Percebemos que nossa vida não seria nada fácil já no trânsito urbano, em Paris, antes da largada. Se no asfalto o animal era arisco, na areia ele se revelaria ainda mais indomável. Mas, aos poucos, pegamos o jeito. Nosso desempenho melhorou e começamos a ultrapassar concorrentes, inclusive as motos - no Dakar, elas largam primeiro, uma por minuto, de acordo a classificação do dia anterior. Depois, há um intervalo de 30 minutos e então partem os carros e os caminhões.

Ultrapassar uma moto transmitiu a sensação de que pilotar sobre quatro rodas era mais tranqüilo do que sobre duas. Nada como o tempo, no entanto, para mostrar que não era bem assim. Houve um dia em que nada deu certo, a começar pela chave de roda que quebrou durante a troca de um pneu. Depois, um enorme erro de navegação e uma tombada em um trecho sinuoso resultaram em um grande atraso e na necessidade de acelerar noite adentro por uma região de dunas revestidas de uma areia conhecida como fash-fash. Trata-se de uma areia podre, que se desfaz quando o veículo passa sobre ela. Atolar neste tipo de terreno é normal. Sendo assim, atolamos feio.

Para resgatar o carro, partimos para as pás e para as placas de desatolamento. Estava difícil sair. Os concorrentes nos ultrapassavam sem a menor intenção de prestar um ato solidário. Afinal, ninguém vai ao Dakar para ajudar o "inimigo" encalhado na areia. Para nossa surpresa, apareceram habitantes do deserto dispostos a tirar o carro dali. Com um diálogo em um francês de segunda, estas figuras se ofereceram em troca de algum souvenir. A proposta foi bem-vinda. Após algum esforço e muitos problemas para entrosar aquele exército brancaleone, saímos do buraco. Acertamos as contas com nossos ajudantes e seguimos em frente.

Nos quilômetros seguintes, cada carro que ultrapassávamos disparava a buzina e fazia sinais de luz. Paramos para descobrir qual o motivo dos incessantes avisos. Foi descer do carro e constatar que nossos ajudantes não eram tão bem intencionados. A porta traseira estava aberta. Depois que desatolamos e entramos no carro, eles fizeram uma limpeza: levaram peças, ferramentas, sacos de dormir e tudo mais que conseguiram carregar. Como o tanque de combustível fica na parte traseira, há uma parede corta fogo que nos impedia de acompanhar o que acontecia lá atrás. Ficou a vontade de voltar, mas estávamos literalmente em terreno inimigo. Engolimos a lição com areia e dormimos os dias seguintes de macacão.

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Klever Kolberg, 42, é piloto do Mitsubishi da Equipe Petrobras Lubrax

A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Petrobras Distribuidora, Mitsubishi Motors do Brasil, Pirelli, e apoio da Minoica Global Logistics, Banco DaimlerChrysler, Mercedes-Benz Caminhões, Mercedes Seguros, Controlsat Monitoramento Via Satélite, Eurofarma, Planac Informática, Telenor Satellite Services AS, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Artfix, ZF do Brasil, Behr, Sadia e Dakar Promoções.

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