Na Rota do Dakar 2005: Do saco a barraca
por Klever Kolberg, da Equipe Petrobras Lubrax - (parisdakar@parisdakar.com.br)
06/01/2005
Após 17 participações no Dakar, é natural que se construa uma expectativa da nossa evolução na prova. Isto realmente aconteceu. Basta ver os resultados da equipe Petrobras Lubrax. Conquistamos o vice-campeonato entre os caminhões, nas motos várias vezes campeões das categorias Maratona e Production e nos carros o vice-campeonato nas categorias Maratona e Diesel. Senhores resultados quando sabe-se que começamos com duas motos e o acanhado sonho de cruzar vivo a linha de chegada. Largamos com uma grande estrutura de apoio nas três categorias: moto, carro e caminhão. E o carro a ser pilotado é um Mitsubishi Pajero Full com uma preparação extraordinária. Tudo isto exigiu investimento alto, possível graças ao apoio dos patrocinadores. Esta evolução da equipe ao longo dos últimos 18 anos aparece também na hora de dormir - momento de carregar as baterias, fundamental no Dakar.
Voltando no tempo. Dakar 1988. Quando chagávamos ao acampamento, contávamos com apenas dois sacos de dormir, carregados na própria moto. Hoje, o regulamento mudou: a organização da prova dá uma mãozinha para os motociclistas, transportando em seu avião duas rodas e uma caixa metálica. Até o menos esperto coloca um saco de dormir, um isolante de borracha e uma barraca nesta caixa. Esticávamos o saco de dormir ao lado da moto. Mochila, botas e capacete eram enterrados para evitar furtos. Além da areia fria, o vento também ajudava a esfriar nosso casulo, que ainda era temperado por rajadas de areia.
Ainda sem contar com os benefícios do novo regulamento, em 1991 levamos o João Lara Mesquita para fazer o nosso apoio. Ele atravessava as etapas no avião da organização e não podia transportar peças ou ferramentas. No entanto, era autorizado a levar uma barraca. Resolvemos, então, comprar uma barraca para três pessoas. Quem já acampou sabe que é um erro básico acreditar nas informações do fabricante de tendas. Para acomodar três pessoas, dois dormiam nas pontas com a cabeça na posição dos pés do terceiro. As bagagens eram socadas em cada cantinho que sobrava. Para quem tinha dormido dois anos com o céu e estrelas como teto, aquilo era um luxo.
Com os bons resultados alcançados em 1991, conseguimos patrocínios mais ousados e passamos a contar com barracas individuais com capacidade para duas pessoas, ou seja, dava para rolar na cama sem incomodar ou sem ser incomodado. E o cheiro de suor (banho não existia) era só o seu, com o qual, bem ou mal, você já estava acostumado.
Outro grande progresso aconteceu em 2004, quando em um acampamento no Marrocos, o chefe da conceituada equipe de preparação Ralliart, o Juergem, nos procurou e disse que havia descolado uma vaga em um hotel. Dormir em um hotel significava silêncio, talvez um banho e não ter que armar e desarmar a barraca no deserto. Benção de Deus? Milagres acontecem? Papai Noel existe? Lá fomos nós com um enorme sorriso nos lábios. Chegamos a um local escuro, sujo, parecendo um cortiço mal conservado. A luz era fraca e a energia caía com freqüencia. O banheiro sombrio tinha cheiro forte de mofo. A impressão era que a ultima vez que havia sido lavado fora em uma visita de Maomé. Na cama, lençóis amarelados. No chão, baratas passeavam à vontade. Nosso amigo Juergem ainda apareceu para dar o boa noite: "É o hotel utilizado pela equipe oficial da Mitsubishi. Gostaram?".
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Klever Kolberg, 42, é piloto do Mitsubishi da Equipe Petrobras Lubrax
A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Petrobras Distribuidora, Mitsubishi Motors do Brasil, Pirelli, e apoio da Minoica Global Logistics, Banco DaimlerChrysler, Mercedes-Benz Caminhões, Mercedes Seguros, Controlsat Monitoramento Via Satélite, Eurofarma, Planac Informática, Telenor Satellite Services AS, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Artfix, ZF do Brasil, Behr, Sadia e Dakar Promoções.
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