Na Rota do Dakar 2005:Chá quente no deserto
por Klever Kolberg, da Equipe Petrobras Lubrax - (parisdakar@parisdakar.com.br)
10/01/2005
Na coluna anterior, falamos sobre a (falta de) alimentação no Dakar. Comer, claro, é importante, mas beber, estar bem hidradato, é ainda mais vital em uma prova longa, quente e desgastante. Atualmente, a organização transporta cotas de água e outros líqüidos para cada competidor – foi uma das mudanças mais bem-vindas nestes 18 anos de participação. Mas no começo do legendário rali, não era assim. Cada um tinha que transportar a água nos caminhões de apoio. Quem não tinha a regalia (nosso caso) precisava se virar para matar a sede.
Um dos caminhos era procurar produtos engarrafados ou em caixinhas. A questão era encontrar ao menos um local que comercializasse algo – vendinhas e lojas de conveniência não aparecem nem em miragens no deserto. Outra bela alternativa, era levar produtos para purificar a água dos poços. Parece simples. Basta pingar uma certa quantidade de gotas em um litro de água, aguardar de 40 minutos a uma hora e entornar a garrafa. A realidade destes poços, no entanto, é bem diferente da mostrada em filmes. No mundo real, esta água serve a seres humanos e a animais. É lamacenta e turva. Só arriscaria beber em casos extremos, para não morrer de sede. Era um rali dentro do rali. Nestas horas, as equipes grandes eram solidárias e ajudavam cedendo alguns goles.
Hoje, de sede não morreremos. Já ouvimos histórias, que mais parecem lendas, de pessoas que tomaram urina ou a água do limpador de pára-brisa. Para chegar a este ponto é preciso ser muito inconseqüente. Existe a cota levada pela organização e a nossa estrutura de apoio também garante a hidradatação ao longo dos 17 dias de rali. Além disso, não estamos mais sobre duas rodas. O motociclista conta apenas com 1,5 litro no camel bag, uma espécie de saco de água levado nas costas. Nos carros e caminhões, levamos de três a cinco litros por ocupante. Durante o percurso, bebemos aos poucos. O inconveniente é que após horas a bordo de um Mitsubishi preparado, tudo fica quente. As frutas secas estão mornas, o suco esquenta, o achocolatado ferve, o isotônico entra embulição e a água lembra um chá quente. O jeito é incorporar o gosto dos habitante do deserto, loucos por um chazinho cheio de açúcar, e fazer daqueles goles um prazer para ser aproveitado ao máximo.
Ajude-nos a escrever o próximo artigo. Faça perguntas, envie sugestões e tire suas dúvidas no site www.parisdakar.com.br
Klever Kolberg, 42, é piloto do Mitsubishi da Equipe Petrobras Lubrax
A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Petrobras Distribuidora, Mitsubishi Motors do Brasil, Pirelli, e apoio da Minoica Global Logistics, Banco DaimlerChrysler, Mercedes-Benz Caminhões, Mercedes Seguros, Controlsat Monitoramento Via Satélite, Eurofarma, Planac Informática, Telenor Satellite Services AS, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Artfix, ZF do Brasil, Behr, Sadia e Dakar Promoções.
Assessoria de Imprensa Equipe Petrobras Lubrax
Ana Carolina Vieira / Henrique Skujis
E-mails: imprensa@parisdakar.com.br / imprensa2@parisdakar.com.br
Pabx: (11) 3865-5741 / Celular: (11) 9646-5955
Itens relacionados:
»08/01/2005 Na Rota do Dakar 2005: Lei da sobrevivência »06/01/2005 Na Rota do Dakar 2005: Do saco a barraca »04/01/2005 Dakar2005: Na estréia do carro, uma roubada »01/01/2005 Na Rota do Dakar 2005: Bonne Anée a todos »26/12/2004 Na Rota do Dakar 2005: Feliz Natal? »20/12/2004 Na Rota do Rally Paris-Dakar 2005: E Se? »12/12/2004 Na Rota do Dakar 2005: O Vírus do Deserto »05/12/2004 Na Rota do Dakar 2005: Tudo para dar errado
|