Na Rota do Dakar: Pouco dinheiro no bolso
por Klever Kolberg, da Equipe Petrobras Lubrax - (parisdakar@parisdakar.com.br)
12/01/2005
O Rally Paris-Dakar é conhecido como o mais difícil e perigoso rali do mundo. Mas ele também poderia receber a faixa de o mais caro. Como o regulamento é bastante aberto, as equipes abusam da tecnologia e inscrevem gigantescas equipes de apoio com engenheiros, mecânicos e dezenas de caminhões levando peças de reposição.
Além deste orçamento de respeito, é recomendável sempre ter mais um trocado no bolso. Afinal, o Dakar cruza vários países e dura cerca de 18 dias - nunca se sabe como será o amanhã. É importante levar alguns Euros e o cartão de crédito. Nos países africanos, fazemos o câmbio para a moeda local. O problema desta conversão é que não há volta: o que sobrar só poderá ser gasto no Dakar do ano seguinte (caso o rali passe por lá). O mercado paralelo tem taxas mais generosas, mas, claro, é perigoso. Na Líbia, por exemplo, como saber se não há um policial do todo-poderoso Kadafi escondido? Ninguém quer correr o risco de visitar os calabouços líbios.
Junto com o dinheiro extra, documentos são bem-vindos. Quando acontece um acidente, nem sempre o socorro segue na direção do acampamento. Um competidor sem passaporte, mesmo que ferido, terá grande dificuldade para cruzar a fronteira. Já aconteceu mais de uma vez, do veículo pegar fogo no meio do deserto e piloto e navegador precisarem sair às pressas, sem pegar nada, sem lenço e sem documento.
Ou seja, no Dakar, todos precisam andar com a carteira recheada. O maior inconveniente vem do medo de ser assaltado. Mais de uma vez ficamos para trás da caravana devido a problemas mecânicos. Ficamos no meio do nada, observando os concorrentes passando. Os minutos pareciam horas e o trânsito era cada vez menor, até não haver mais qualquer sinal de vida. Estávamos a espera do caminhão-vassoura - o veículo da organização que vem atrás do rali, recolhendo os mal afortunados (ele pode levar mais de um dia para chegar).
Tarde da noite, na escuridão total surgiu a luminosidade de alguns faróis. Maravilha, estava chegando a hora de seguir para casa. Com a aproximação do veículo, ainda sem uma identificação visual, percebemos pelos ruídos que não se tratava da organização. Era uma velha picape, caindo aos pedaços, com um monte de gente local.
Mesmo com pensamento otimista, diante daquele time de estranhos, a imaginação nos fez acreditar que havia chegado nossa vez de colaborar. A torcida era para que eles se contentassem apenas com o dinheiro. Para a nossa surpresa, aqueles habitantes do deserto não tinham motivação errada. Não nos fizeram qualquer mal. Conversaram amigavelmente e até ofereceram mantimento e transporte para um oásis ali perto. Eles estavam apenas percorrendo a trilha do rali atrás de tudo o que a caravana pudesse ter deixado para trás. Quando estavam de saída para continuar sua jornada, educadamente perguntaram se poderiam ficar com a moto, caso a encontrassem abandonada no dia seguinte.
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Klever Kolberg, 42, é piloto do Mitsubishi da Equipe Petrobras Lubrax
A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Petrobras Distribuidora, Mitsubishi Motors do Brasil, Pirelli, e apoio da Minoica Global Logistics, Banco DaimlerChrysler, Mercedes-Benz Caminhões, Mercedes Seguros, Controlsat Monitoramento Via Satélite, Eurofarma, Planac Informática, Telenor Satellite Services AS, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Artfix, ZF do Brasil, Behr, Sadia e Dakar Promoções.
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