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Na Rota do Dakar 2005: A Roubada
por Klever Kolberg, da Equipe Petrobras Lubrax - (parisdakar@parisdakar.com.br)
16/01/2005

Em palestras, entrevistas ou até em rodas de amigos, não há como fugir da pergunta que não quer calar: "Qual foi a maior roubada que vocês enfrentaram no Rally Paris-Dakar?" Pergunta difícil de responder. Já sofremos acidentes resultando em fraturas, já tivemos que atravessar regiões minadas ou em guerra, já enfrentamos problemas mecânicos no meio do nada que quase nos fizeram perder os veículos.

Difícil eleger a maior das muitas roubadas que o Dakar nos reserva. Mas para não ficar em branco, selecionamos esta história ocorrida na prova de 1993, quando voltamos a atravessar a Argélia. O percurso nos causou certa inquietação, já que a Argélia não é um destino muito recomendado para turistas. Estão por lá, em plena atividade, grupos extremistas que têm o péssimo hábito de cortar cabeças de estrangeiros.

Nas primeiras 10 edições da prova, o país sempre fizera parte do percurso. Seu terreno é ótimo para o Dakar: Trata-se de um território gigante, com planícies, montanhas, desertos de pedras, dunas.... Tudo que um organizador de prova fora-de-estrada sonha. Acreditando no bom senso dos organizadores, lá fomos nós.

Logo no segundo dia, confirmou-se o ditado: onde há fumaça, há fogo. Parte da etapa fora modificada às pressas. E o novo trecho não havia sido devidamente reconhecido. O cheiro de fumaça estava cada vez mais forte.

A roubada, digo, a etapa começou muito cedo. Levantamos às 3h da manhã, sob um frio de arrebentar. Às 4h, já estávamos nos deslocando para o local da largada. Deveríamos percorrer 1.100 km no total. Era certeza de peneira pela frente. Às 6:30h, largamos para o trecho especial de 900 km. De cara encontramos 80 km de dunas. Muitos competidores já deram adeus ao rali naquele mar de areia. As dunas pareciam tubarões devoradores de máquinas. Conseguimos sair, mas a planilha (espécie de mapa que indica o caminho a seguir) estava confusa resultado do tal reconhecimento de percurso feito às pressas.

Para as motos foi um enorme desafio encontrar os dois caminhões de reabastecimento. Muita gente ficou plantada com pane seca. Quando o sol já se escondia, ainda restavam 300 km para chegar ao acampamento. Justo estes 300 km não haviam sido detalhados na planilha e eram cortados por uma gigantesca cadeia de dunas nunca cruzada anteriormente.

Exaustos e famintos da pilotagem, chegamos às dunas no escuro. Eram montanhas de areia muito fofa. Atolamos dezenas (dezenas mesmo) de vezes. Lá pelas 3h da (outra) madrugada, decidimos parar e descansar. O frio, e pior, a areia gelada recomendavam que não ficássemos parados. Seguimos em frente.

Finalmente às 9h da manhã (30 horas depois), chegamos ao acampamento. Arrasados física e psicologicamente, ainda mais porque já estávamos mais de meia hora atrasados para a nova largada. O regulamento era claro: desclassificação. Após todo aquele esforço, estávamos fora do jogo.

Para nossa surpresa, fomos recebidos por vários jornalistas, que vieram nos parabenizar. Das 90 motos que haviam dado a largada no dia anterior, fomos a terceira moto a chegar. E a primeira da categoria Maratona. No total, apenas 12 motos conseguiram sair daquela roubada.

Faça perguntas, envie sugestões e tire suas dúvidas no site www.parisdakar.com.br

Klever Kolberg, 42, é piloto do Mitsubishi da Equipe Petrobras Lubrax

A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Petrobras Distribuidora, Mitsubishi Motors do Brasil, Pirelli, e apoio da Minoica Global Logistics, Banco DaimlerChrysler, Mercedes-Benz Caminhões, Mercedes Seguros, Controlsat Monitoramento Via Satélite, Eurofarma, Planac Informática, Telenor Satellite Services AS, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Artfix, ZF do Brasil, Behr, Sadia e Dakar Promoções.

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