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Na Rota do Sertões 2005: Bola de Cristal
por Klever Kolberg, da Equipe Petrobras Lubrax - (parisdakar@parisdakar.com.br)
29/07/2005

Muita gente não admite. Mas todos os participantes do Rally dos Sertões, mesmo os mais novatos, estão ali para subir no topo do pódio. Eu não fujo desta regra. E na busca pela vitória, conto com uma equipe que, no bom sentido, só pensa em deixar os outros para trás. Outro dia, quando pensava em algo que poderia fazer a diferença na preparação para a prova, percebi um momentâneo esgotamento. Da minha criatividade. Ela estava seca como deserto. Resolvi, então, passar para o mundo da imaginação. Ao pensar nas dificuldades que costumo encontrar no Saara e no sertão brasileiro, me perguntei: Nestes momentos difíceis, o que eu gostaria de ter nas mãos?.

Que tal encontrar a famosa lâmpada mágica do Aladim? Depois de esfregá-la, de uma nuvem de fumaça surgiria o gênio. Como todos sabem, eu teria direito a fazer três pedidos. Meu primeiro desejo seria coletivo: que todos completassem a prova inteiros e cheios de saúde. Depois, pediria comida e água para os habitantes locais. Imagine o prazer de ver aqueles rostos felizes com uma vida mais digna. O terceiro pedido seria para mim mesmo: um motor mais potente cairia muito bem. Mas pensando melhor, ainda viajando pelo mundo da imaginação, uma bola de cristal seria mais útil.

Olhando aquela bola, eu conheceria o percurso do dia seguinte para definir uma estratégia infalível. Seria possível saber o que me espera depois da curva. Uma reta? Um desvio radical? Uma imensa pedra? Um buraco? Afinal, quem pilota sabe o quanto é perigoso acelerar em um local desconhecido. Também poderia analisar com mais detalhes o estado do meu Mitsubishi L200 Evo. Tenho uma equipe de mecânicos com esta função, mas mesmo nas melhores famílias – até na F1—, é comum um parafuso mal apertado e quebras improváveis de componentes.

A desejada bola de cristal também me ajudaria com informações sobre meus concorrentes. Como estão se preparando? Com que estratégia estão andando? Em ralis, os competidores largam de um em um minuto. Como não estamos em um circuito fechado, não tenho o pessoal do box para passar informações sobre meu desempenho e o dos outros veículos. No final da prova, torcendo para que a bola de cristal não tenha se quebrado com os pulos e vôos do carro, a guardaria com todo o carinho para que a parceira continuasse na etapa seguinte.

Mas como não tenho grandes esperanças de encontrar uma bola de cristal, voltemos ao mundo de verdade, aquele do treinamento, da técnica, da estratégia e, claro, do pé embaixo.

Ajude-me a escrever o próximo artigo. Faça perguntas, envie sugestões e tire suas dúvidas através do site www.parisdakar.com.br

Klever Kolberg, 43, é piloto do Mitsubishi da Equipe Petrobras Lubrax

A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Petrobras Distribuidora, Mitsubishi Motors do Brasil, Pirelli, e apoio da Minoica Global Logistics, Banco DaimlerChrysler, Mercedes-Benz Caminhões, Mercedes Seguros, Controlsat Rastreamento de Frotas, Eurofarma, Planac Informática, Telenor Satellite Services AS, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Artfix, TAM Viagens, BorgWarner, ZF do Brasil, Behr, Sadia e Dakar Promoções.

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