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Notícias
Artigo Klever: confiança ou inconsequência?
por Klever Kolberg, da Equipe Petrobras Lubrax - (parisdakar@parisdakar.com.br)
20/10/2005
 O piloto Klever Kolberg, 17 anos depois da primeira participação no Rally Dakar, pronto para mais uma edição da prova, em Barcelona Foto: Henrique Skujis / Divulgação - dezembro 2004
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*Artigo exclusivo para a Revista Universo Rally, edição de setembro/2005
Na edição passada da revista Universo Rally fiz minha estréia como um dos colaboradores contando o capítulo inicial da primeira participação da equipe Petrobras Lubrax no Rally Paris-Dakar, em janeiro de 1988. Quem não tiver em mãos a edição de maio, pode entrar no nosso site e ler a coluna no link www.parisdakar.com.br/colunas.
Depois de inúmeros sufocos para angariar poucos recursos e fazer uma preparação básica na moto, nossa confiança, ou melhor, inconseqüência estava em alta. Pessoalmente tive a petulância de pensar que poderia faturar um bom resultado. Mas devo me dar um desconto, pois para chegar a Paris muros muito altos haviam ficado para trás.
A moto ficou pronta praticamente às vésperas do Rally. Como estou falando da era AC, digo, antes do Collor, a importação era proibida, então quatro dias antes das verificações técnicas, pela primeira vez, tivemos a oportunidade de montar numa Yamaha Tenere 600 com tanque de 55 litros. Tenho que chamar a atenção para dois detalhes que podem passar despercebidos:
1 – Pela primeira vez montei e andei como um simples mortal no modelo de motocicleta na qual iria atravessar 12.000 km de deserto. Para vocês sentirem o tamanho do degrau, nossos treinos foram com as heróicas DT 180. É como voar num monomotor circundando o campo de pouso e em seguida entrar no cock-pit de um Concorde para atravessar o Oceano Pacífico. A única semelhança é que os dois tem duas asas, quero dizer, duas rodas.
2 – A Tenere já tem um projeto em que a posição de pilotagem é muito alta. Originalmente ela tem um tanque considerado bastante grande para motos, 18 litros, que ficam turbinados devido a posição do filtro de ar sob o tanque. Mas no Dakar 18 litros não dá para ir na esquina, o que faz necessário trocar por um maior, de 55 litros. E este balão não está cheio de ar, e sim de gasolina, que é um pouco mais pesado.
Ou seja, não tinha a menor intimidade com o equipamento, o menor feeling, para não falar de outros conhecimentos básicos que seriam importantes, como a parte mecânica e elétrica da moto, já que os mecânicos da equipe também se chamavam Klever e André.
Outra coisa que nos incomodava, tipo uma pedra no nosso sapato, era que nessa prova não havia o menor apoio amigo. Nossa equipe se resumia a isso, nós dois, duas motos e duas rodas que seguiriam num caminhão que contratamos para isso, e já custou os olhos da cara. A organização, diferentemente do que faz hoje, não dava a menor ajuda. Hoje cada motociclista tem direito a colocar no avião dos organizadores, um par de rodas e uma caixa de peças, ferramentas e outras utilidades domésticas.
Sem este anjo da guarda, teríamos de carregar na garupa das motos tudo o que fosse extremamente necessário, ou seja, algumas cuecas, saco de dormir, água, alimentos, ferramentas, peças, remédios, equipamentos de sinalização. Mesmo espremendo com toda a força dava uma mala bem grande com mais de 50 kg.
Ou seja, a moto plena de combustível e bagagens chegava perto dos 300 kg. Um Titanic mais parecido com um camelo. Mas a nossa cara de pau e coragem eram tão grandes que isso não nos fez desanimar. Então não desanime, na próxima eu continuo.
Ajude-nos a escrever o próximo artigo. Faça perguntas, envie sugestões e tire suas dúvidas no site www.parisdakar.com.br.
Klever Kolberg, 43, é piloto do Mitsubishi da Equipe Petrobras Lubrax
A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Petrobras Distribuidora, Mitsubishi Motors do Brasil, Pirelli, e apoio da Minoica Global Logistics, Banco DaimlerChrysler, Mercedes-Benz Caminhões, Mercedes Seguros, Controlsat Rastreamento de Frotas, Eurofarma, Planac Informática, Telenor Satellite Services AS, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Artfix, TAM Viagens, ZF do Brasil, Behr, Sadia e Dakar Promoções.
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