Não perca os espetáculos em cartaz no Espaço Parlapatões

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Edmond

Marco Antônio Pâmio volta com o espetáculo que lhe rendeu o Prêmio APCA de Melhor Ator de 2006.

O texto de David Mamet no Espaço Parlaptões

Em Edmond, texto de David Mamet, apresentado nos Estados Unidos pela primeira vez em 1982, Marco Antônio Pâmio encabeça elenco de nove atores. O espetáculo, dirigido por Ariela Goldmann, conta a história de um homem que, após uma visita a uma cartomante, resolve mudar radicalmente sua vida. O texto mostra um realismo pungente, levado às últimas conseqüências, conduzindo a platéia a uma reflexão inquietante sobre a vida nas grandes metrópoles.
Em 2005, Mamet roteirizou a peça para o cinema, com o ator William W. Macy no papel-título e direção de Stuart Gordon.
Num ano de grandes atuações masculinas em vários palcos da cidade, Marco Antônio Pâmio ganhou o prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte – como melhor ator de 2006.

Edmond, texto de David Mamet – vencedor do prêmio Pulitzer e da Associação dos Críticos de Nova York com O Sucesso a Qualquer Preço (Glengarry Glen Ross) e indicado inúmeras vezes ao prêmio Tony –, estreou dia 14 de Abril, sábado, às 21 horas, no Espaço Parlapatões. Com direção de Ariela Goldmann e tradução de Marco Aurélio Nunes, o espetáculo traz no elenco os atores Marco Antônio Pâmio, André Persant, Cácia Goulart, Eliana César, Ithamar Lembo, Jairo Pereira, Luti Angelelli, Martha Meola e Tatiana Thomé.

Edmond conta a história de um homem que, após visita a uma cartomante, resolve sair de uma vida segura e monótona para realizar seus desejos mais profundos. Essa decisão o leva à “selva” das ruas, onde tenta satisfazer desejos antes escondidos numa vida aparentemente bem resolvida. Desprotegido num mundo onde as negociações para a sobrevivência são viscerais, Edmond começa a colocar para fora não só seus desejos como também seus medos, seus preconceitos e sua violência.

Em 23 cenas de seqüência vertiginosa, o espetáculo faz o público acompanhar a queda de Edmond: cheia de som, fúria e silêncio. Com uma economia de linguagem e uma musicalidade na melhor tradição de Pinter, os personagens de David Mamet circulam por um mundo onde a crueza e o sentido de humanidade, rechaçam qualquer possibilidade de sentimentalismo ou julgamento.

 

Ficha Técnica

Texto: David Mamet
Direção e Espaço Cênico: Ariela Goldmann
Elenco: Marco Antonio Pâmio, André Persant, Cácia Goulart, Eliana César, Ithamar Lembo, Jairo Pereira, Luti Angelelli, Martha Meola e Tatiana Thomé.
Tradução / Direção de Produção: Marco Aurélio Nunes
Desenho de Luz: Wagner Pinto
Figurinos: Ariela Goldmann e Leandro Oliva
Trilha Sonora: Raul Teixeira
Pinturas das Telas: Jaqcues Jesion
Montagem Fotográfica: Elisa de Almeida
Assistente de Direção: Alfredo Tmabeiro
Assistente de Produção: Florência Gil
Assistente de Iluminação: Aline Santini
Cenotécnico: Léo Bezerra
Fotos: Jéferson Pancieri
Pesquisa: Dinah Feldman

 

Temporada: De 14 de abril a 03 de junho
Sábados às 21h00 e Domingos às 20h00
Ingressos: R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia

 

 

 

 

 


As Olívias Palitam

Um quarteto de mulheres altas e magrelas que resolveram transformar sua inadequação no mundo em puro humor e diversão.

No espetáculo As Olívias Palitam, as atrizes Cristiane Wersom, Marianna Armellini, Renata Augusto e Sheila Friedhofer apresentam os mais inusitados esquetes cômicos, utilizando um humor rápido e inteligente e abusando da improvisação. As cenas vão desde um grupo de amigas que estudam as regras do futebol até um workshop que ensina os homens a se comportarem no fatídico “dia seguinte”. Além, é claro, das hilárias paródias de hits da década de 80 que se tornaram uma marca do grupo, como a música “Longilíneas Demais”. Entre os pontos altos do espetáculo, estão os divertidíssimos momentos de bate-papo entre as atrizes, com temas sugeridos pela platéia, no quadro que dá nome ao show As Olívias Palitam.

O roteiro é renovado constantemente, e o espetáculo ganha cenas de “época”, concebidas para períodos específicos, e cenas de oportunidade, enfocando acontecimentos atuais em destaque na mídia.

As Olívias Soluções em Comédia surgiram nos corredores da Escola de Arte Dramática EAD/ECA/USP, em 2004. O espetáculo As Olívias Palitam estreou em 2005 e, desde então, tem sido um grande sucesso no circuito do humor paulistano. Entre outros projetos, As Olívias já participaram do Midnight Clowns, com os Doutores da Alegria, e do Nunca se Sábado, do Teatro Folha, em São Paulo.

Ficha Técnica

Texto: Andréa Martins
Direção: Victor Bittow
Elenco: Cristiane Wersom, Marianna Armellini, Renata Augusto e Sheila Friedhofer

Temporada: 10 de abril a 30 de maio.
Terças e Quartas 21h00
Ingressos: R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia

Abre as Asas Sobre Nós

Texto de Sérgio Roveri, vencedor do Prêmio Shell de Melhor Autor, volta à Praça Roosevelt.

Agora no Espaço dos Parlapatões

Depois de temporadas no Espaço dos Satyros e no Teatro Sérgio Cardoso, a peça Abre as Asas Sobre Nós, de Sérgio Roveri, Prêmio Shell de melhor autor, será apresentada às sextas-feiras, às 23h59, no Espaço Parlapatões. Texto é inspirado no conto Bárbara, de Drauzio Varella.

A peça, que voltou ao cartaz no último dia 13 de abril, deu o Prêmio Shell de melhor autor ao dramaturgo Sérgio Roveri. Abre as Asas integrou o projeto Bárbara ao Quadrado, criado pelo ator e produtor André Fusko, cujo objetivo foi de promover uma inusitada investigação dramatúrgica: a criação de duas peças a partir de um elemento comum, no caso, o conto inédito Bárbara, do escritor e médico Drauzio Varella. Além de Abre as Asas Sobre Nós, o conto também inspirou a criação da peça O Anjo do Pavilhão Cinco, de autoria de Aimar Labaki, apresentado no primeiro semestre de 2006.

Em Bárbara, baseado em personagens reais, Varella descreve, em seu estilo sucinto, uma história de amor, traição e morte no interior do presídio do Carandiru. Bárbara, o personagem que dá título ao conto, é um travesti mineiro, condenado por homicídio e pequenos roubos, que mantém um relacionamento estável com Xalé, um mulato ladrão de caminhões de carga que responde pela faxina do Pavilhão Cinco, função que lhe confere inegável status de liderança. A relação entre os dois sofre um abalo com a chegada de Galega, travesti operado que passa a dividir com Bárbara a preferência de Xalé.

Em Abre as Asas Sobre Nós, o dramaturgo Sérgio Roveri subverteu o principal elemento do conto – o próprio presídio do Carandiru. Em sua peça, os personagens estão soltos, apesar de carregarem um currículo de delitos e contravenções. O travesti Bárbara, por exemplo, responde por um homicídio em seu passado. O crime, cometido em uma das marginais de São Paulo, foi acobertado com a ajuda de Galega, travesti com quem divide um apartamento precário no centro de São Paulo, e de Xalé, um cafetão que, entre uma noitada e outra de cocaína, tenta administrar os serviços de prostituição praticados pelas duas.

A direção de Luiz Valcazaras conferiu uma linguagem cinematográfica à encenação, graças à utilização de recursos de flash-back e de uma iluminação que consegue colocar os personagens em close. O cenário, também de sua autoria, representa um dos grandes achados do espetáculo: a ação se passa dentro de um imenso viveiro de passarinhos. “Ao aprisionar os personagens em uma espécie de gaiola gigante, eu quis demonstrar que, mesmo estando fora do Carandiru, todos estão irremediavelmente presos de alguma maneira”, diz o diretor. A gaiola de passarinhos faz referência aos estranhos hábitos de um dos personagens da trama, Paulo Preto, homem solitário que vive em um apartamento ao lado do Carandiru. Uma vez por semana, ele solta no apartamento os canarinhos que cria em uma gaiola. O público assiste ao espetáculo a poucos centímetros da gaiola, praticamente em contato físico com os atores. “É uma maneira de os espectadores compartilharem desta sensação de prisão”, diz o diretor.

Ficha Técnica

Texto: Sérgio Roveri
Direção, Cenografia e Iluminação: Luiz Valcazaras
Elenco: André Fusko, Emerson Rossini, Walmir Pinto e Walter Baltazer
Produção: André Fusko
Produção Executiva: Elza Costa
Trilha Original: Kalau
Figurino: Bruno Oliveira
Preparação Corporal: Mariana Dios-Tan
Fotos: Denis Rodriguez
Projeto Gráfico: Eduardo Reyes
Apoio Técnico: Vivian Guilhem (Dança Cigana)

Temporada: 13 de abril a 01 de junho
Sextas às 24h00
Ingressos: R$ 26,00 inteira e R$ 13,00 meia

 


Cleide, Eló e as Peras

Cleide Eló e As Peras abre trilhas nos caminhos vagabundos do coração e derrama insanidades decorrentes de qualquer paixão.

O amigo já sentiu febre de amor?
Dessas que todo homem fica demente quando sente?

É pra falar da carne e da alma, que um vigia conta a sua história de embriaguez. Ali do lado, ou em um lugar qualquer, uma mulher rasga o peito de seu amado porque precisa tê-lo, porque precisa... Este espetáculo fala de gente da gente e das aventuras libertárias e perigosas que os encontros nos proporcionam.

Gero Camilo é um novo expoente da dramaturgia contemporânea. Com peças de sucesso de crítica e público tais como: Aldeotas (04 indicações ao Shell, melhor direção para Cristiane Paoli Quito e o Prêmio Qualidade Brasil, de Melhor Autor, para Gero Camilo).  Entreatos, A Procissão (02 indicações ao Shell) e Bastianas. No cinema participou de filmes como Bicho de Sete Cabeças, Cidade de Deus, Carandiru e Man on Fire, com Denzel Washington.

Os textos de Gero resgatam definitivamente o ator como centro da ação, em que age a dramaturgia. Isso tem gerado no público certo arrebatamento, relacionado ao frescor de voltar a estar se vendo teatro essencial.

Ficha Técnica

Texto : Gero Camilo
Direção: Gustavo Machado
Elenco: Gero Camilo e Paula Cohen
Iluminação: Alessandra Domingues
Fotos: Zeca Caldeira
Direção de Produção: Helena Weyne
Produção: Macaúba Produções Artísticas

Temporada: 12 de abril a 01 de junho.
Quintas e sextas 21h00
Ingressos: R$ 30,00 inteir e R$ 15,00 meia


De4

Quatro estranhos no mesmo ninho.

Quatro dramas que se cruzam

Uma noite, numa grande cidade, quatro pessoas que não se conhecem se vêem confinadas num apartamento.
Luzia,  com a mãe doente num hospital em Brasília e uma vontade louca de comemorar seu aniversário de 30 anos. Antonio, lindo, leve e solto, andando por aí, cheio de amor pra dar. Lúcio, jovem ator de teatro, só quer ir pra uma festa e seduzir o mundo com sua personalidade magnética. Flávio, arrasado, pois se dá conta que a namorada, que viajou de férias, talvez nunca mais volte, pelo menos pra ele.
Mas, por uma dessas armadilhas do acaso, os quatro acabam passando uma madrugada juntos.  Por quê? O que irá acontecer com eles? O que o destino lhes reserva?

De4estreou no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em 2004, durante a ocupação da Cia Livre (da qual o autor Gustavo Machado é um dos fundadores) e seguiu temporada no Teatro Folha e, em 2005, na sala Jardel Filho do Centro Cultural São Paulo. No fim de 2006 participou (duas apresentações), no Espaço Parlapatões, da grande farra teatral que é o ‘Satirianas’, evento que reúne dezenas de espetáculos numa maratona teatral de 72 horas na Praça Roosevelt e arredores.

Elenco rotativo:
São oito atores para quatro personagens.
Há, portanto, um revezamento que forma, a cada apresentação, um elenco novo.
São várias configurações, mas os personagens estão divididos da seguinte forma:
Luzia: Cláudia Missura ou Paula Cohen
Antonio: Marat Descartes ou Nilton Bicudo
Lucio: César Gouvêa ou Diogo Granatto
Flávio: Gustavo Machado ou Ernani Sanchez 

Ficha Técnica

Autor: Gustavo Machado
Direção: Gustavo Machado
Elenco: César Gouvêa, Claudia Missura, Diogo Granatto, Ernani Sanchez, Gustavo Machado, Marat Descartes, Nilton Bicudo e Paula Cohen.
Participação Virtual: Jeyne Stakflett
Música, Trilha e Efeitos Sonoros: Gustavo Machado e Natália Mallo
(Estúdio São Macário)
Luz: Alessandra Domingues
Produção: Carla Estefan
Cenografia e Figurino: Elenco
Programação Visual: Sato
Fotos: Jeyne Stakflett
Ass. de Imprensa: Tuca Notarnicola

Temporada: 14 de abril a 05 de maio
Sábados às 24h00
Ingressos: R$20,00 inteira e R$10,00 meia

sobe

I Festival de Cenas Cômicas

Comissão Julgadora do
I Festival de Cenas Cômicas
divulga avaliação

Abaixo, a síntese da análise, escrita por Alexandre Mate em nome da Comissão Julgadora composta por ele, Ângela Dip, Sérgio Roveri e Alessandro Azevedo.

A partir dos 27 grupos selecionados o I Festival de Cenas Cômicas do Espaço Parlapatões mostrou uma significativa galeria de trabalhos e de possibilidades com a comicidade. Da comédia popular aclimatada ao país pela melhor tradição medievo-popular: de O  Capeta em Caruaru, de Aldomar Conrado, a gêneros que remetem ao fenômeno da Teatro de Revista, como solos de comediantes fazendo piadas diretamente, pudemos observar um grande panorama atual da produção de comédias na cidade de São Paulo.

Com relação aos dez grupos selecionados, a Comissão Julgadora, fez uma opção pela diversidade. Ou, melhor dizendo, pelos diferentes tratamentos a partir dos quais o cômico pode apresentar-se. A partir disso, e para tornar relativa a subjetividade que sempre ‘aprisiona’ avaliações e competições, as questões estilísticas, decorrentes do gênero cômico, mesmo com um amplo espectro de possibilidades ali representado, pautou a escolha dos integrantes da Comissão. Foram considerados também: a comunicação com a platéia; a comicidade de palavras, de situações e das propostas de encenação; as dramaturgias; a utilização de adereços; a ‘organicidade’ do texto aos expedientes formais; a não reprodução subserviente a certa comicidade televisiva e a consciência ideológica em relação a todo tipo de preconceito.

Dentre outros motivos, para além dos apontados acima, sem considerar o resultado final da competição, destacamos uma pequena análise dos dez finalistas, como exemplos aos demais concorrentes, como explicação ao público e torcida presentes ao evento:

O Capeta em CaruaruComédia rural popular, escrita em 1967, ambientada em espaço rural, com embolada musical de entrada, reversão sexual (homens fazendo mulheres e vice-versa), ‘colorido caipira’ e outros expedientes cômicos.

A Ovelha de Lã Dourada – Trata-se de obra criada e/ou adaptada por alguém do grupo ou a ele ligado, fundamentada em mímica: fonético-narrativa. Os três integrantes são muito bons e jogam todo o tempo.

Pelo cano – Trabalho ligado à linguagem claunesca, com duas integrantes do grupo Jogando no Quintal, cujo resultado, a partir da atuação de Paola Musatti e Vera Abbud é irreprimível.

Escorrega e Bate a Cabeça – Talvez se pudesse classificar esta obra como um dramatículo. A situação: a morte vir buscar alguém, reveste-se de comicidade ao inusitado final. A obra estrutura-se a partir um humor mais racional.

Urbânia – Trata-se de uma obra alicerçada em um humor mais racional e contemporâneo. Três solitárias mulheres fazem monólogos fragmentados que subjetivamente se complementam. Apresentando discursos dependentes do modo como certos homens limitam a visão  feminina. Fundamentadas em patetismos, até a troca de papéis entre elas, o que reitera o aprisionamento. Trata-se de uma anti-comédia.

Another Day – Fundamentada em argumentos retórico-patéticos apresentados pelas duas personagens do texto, trata-se da melhor comédia do festival. Contemporaneidade, cotidiano mesquinho e anti-heróico, atos bravateiros, o sem sentido da vida (não explicado), transformam uma situação de aparente limite em comédia de pateticidade.

As Gêmeas – Sob uma aparente e facilitada inserção ao teatro besteirol, que em São Paulo começou, em 1979 – e muito diferente daquele do Rio de Janeiro –, com  Ricardo de Almeida e Miguel Magno: autores e atores de Quem tem medo de Itália Fausta, as duas excelentes e jovens atrizes apresentam uma comédia ácida, denunciando características contemporâneas como abandono, crise de identidade, ausência de diálogo, ditadura da forma e outros.

É Nóis na Xita! – Um mini-espetáculo de variedades com três excelentes malabaristas, músicos e atores-palhaços. Mais que espetáculo feito para uma platéia, pelo carisma e direção, pode-se dizer, é um espetáculo feito na platéia.

Traição de Cristo –  De todos os espetáculos que se apresentaram no festival, este, feito por jovens estudantes da ESPM (informação sabida depois do resultado final), foi o mais aplaudido. Comédia paródico-iconoclasta revisita a história de Cristo, envolvendo-o em falcatruas e corrupção. O excelente e imaginativo texto se empobrece ao tomar como mote a estrutura de um programa de televisão. Assim, a acidez prometida de uma nova ótica sobre a história de Cristo não é utilizada para satirizar o programa, perdendo assim sua força.

Lutadores da Paz – Nesses tempos de promessas de milagre, a excelente dupla Domingos Montagner e Fernando Sampaio apresentou uma cena de puro jogo de gags contrastantes de palhaços, assumindo-se, respectivamente, oficiante e ajudante de culto religioso. Apuro e rigor foram as marcas do grupo La Mínima.

 

 

Avesso da Comédia / Comédia do Avesso
Ciclo de Dramaturgia

A cada quinze dias um novo texto cômico ganha leitura

Continua o ciclo de leituras de textos elaborados por diversos dramaturgos a partir de questões lançadas pelos Parlapatões sobre a função social da comédia.

23 de abril
Texto e direção de Jandira Martini

07 de maio
Texto de Naum Alves de Souza
Direção de Reinaldo Maia

21 de maio
Texto de Hugo Possolo
Direção de Carlos Baldin

Serviço

Quinzenalmente, segundas às 21h00
Entrada franca

Espaço Parlapatões
Praça Franklin Roosevelt, 158
Tel.: 3258 4449

 

Comediantes em Pé de Guerra.
Todas as quartas, às 23h.

Comediantes em Pé de Guerra
agita as quartas no bar do Espaço Parlapatões

 Um comediante convidado declara guerra a algum tema, pessoa, assunto ou instituição e pode acionar sua metralhadora de humor para a diversão da platéia que assiste gratuitamente sua performance. São apresentações no formato de stand up comedy, ou seja, comédia em pé feita diante de um microfone, sem caracterizações de personagem. Aliás, o nome do evento, originalmente, era apenas Comediantes em Pé, pela tradução quase literal do gênero, mas a força do humor acabou vingando com a idéia de declaração de guerra à violência, seja oriunda do tráfico, do seqüestro relâmpago ou da guerra no Iraque. Feito um revide bem humorado dado aos que tentam tornar a vida no planeta algo mais difícil e sofrido, são oferecidas doses de humor, alegria e reflexão por comediantes paulistanos que escrevem seus próprios textos ou mesmo o fazem de improviso.

Dia 25 de abril: Fábio Rabin

Em maio:
Dia 02 : Daniella Giusti
Dia 09: Aramiz

Serviço

Quartas-feiras às 23h00
Entrada franca

Espaço Parlapatões
Praça Franklin Roosevelt, 158
Tel.: 3258 4449


Veja SP destaca teatros da Praça Roosevelt

19.04.2007

Cult e agitada

Peças transformam a Praça Roosevelt
em ponto de encontro alternativo

Por Mônica Santos

"Cadê os dourados, as cadeiras vermelhas, as cortinas de veludo?" Ditas com ar incrédulo pela manicure Sueli, essas palavras fazem a platéia cair na gargalhada logo nas primeiras cenas da comédia Segunda-Feira: o Amor do Sim, em cartaz no Espaço dos Satyros Um. Explica-se: a reação da personagem é idêntica à de muitos espectadores que pisam pela primeira vez no mais concorrido teatro da Praça Roosevelt, no centro. O ar-condicionado comprado três meses atrás é um dos poucos confortos. Aberto em 2000, o espaço de 86 metros quadrados acomoda até oitenta espectadores, um coladinho ao outro, todos sentados em bancos estofados ou cadeiras de plástico, praticamente cara a cara com os atores. O esquema se repete na sala Dois. Ainda assim, os vinte (isso mesmo, vinte!) espetáculos em cartaz atraem 1 500 pessoas por semana. Outras tantas ficam no bar e nas mesinhas que se esparramam pela calçada. Quase ao lado está o Espaço Parlapatões. Com boa infra-estrutura – palco italiano, platéia com 98 poltronas novas, ar-condicionado, acesso para deficientes e um agradável café-bar –, a sala inaugurada em setembro do ano passado chegou para consolidar, de vez, a Praça Roosevelt como o palco do teatro alternativo paulistano. São 700 ingressos vendidos por semana para seis peças em cartaz e muito, muito agito do lado de fora.

Além de dividirem a mesma calçada – lá estão ainda os teatros Studio 184 e do Ator, ambos de pouca expressão –, os Satyros e os Parlapatões têm ingressos a preços acessíveis (o mais caro custa 30 reais) e mantêm várias produções em cartaz ao mesmo tempo. Há peças de segunda a domingo. A rotatividade do palco barateia o custo do aluguel, multiplica o público (uma peça atrai espectador para outra) e aumenta a possibilidade de surpresas na cena teatral. Outro termômetro para medir o fenômeno é que a procura de companhias para se apresentar ali não pára de crescer. "Abrimos só com espetáculos convidados", diz Hugo Possolo, dos Parlapatões. "Na última conta, eu tinha mais de cinqüenta projetos interessados em estrear aqui." Em outras palavras, na quantidade também se encontra qualidade. Entre as 33 peças em cartaz no momento, algumas exibem troféus da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e do Prêmio Shell.

Com pouco dinheiro e boa dose de talento, os espetáculos bem-sucedidos são meio caminho andado para fazer da área um endereço cult. Mas o que realmente a consagra como o off-off-Broadway paulistano é o respaldo da classe artística. O ator Paulo Autran foi um dos primeiros a se interessar pelas montagens até então obscuras que despontavam. É fácil encontrá-lo por lá. Antonio Fagundes e os diretores Antunes Filho e Eduardo Tolentino engrossaram o coro na seqüência. Depois vieram Paulo Vilhena, Marco Ricca, Caco Ciocler... A jornalista Marília Gabriela, que nos anos 70 morou na praça, é a mais recente entusiasta. Depois de muito ouvir falar, ela foi ao Satyros pela primeira vez há duas semanas. "Eu senti um arrepio ao ver tanta gente moderna e inteligente por ali", conta. "Num teatro de altíssima qualidade como é o paulistano, a Praça Roosevelt se firmou graças à sua forma livre e sem preconceitos", acrescenta. "A coisa mais difícil é definir nosso público", diz Rodolfo García Vázquez, dos Satyros. Hoje, além da platéia, essa turma que ajudou a praça a acontecer pode ser encontrada nas calçadas, sobretudo no fim de noite, misturada a estudantes, atores, alternativos em geral...

Stapafúrdyo chega a duzentas apresentações

Circo Roda Brasil, dos Parlapatões e Pia Fraus, continua sua turnê com enorme sucesso. Depois de passar por São Paulo, Guarulhos, Bauru, S. J. dos Campos e Campinas o espetáculo Stapafúrdyo está completando duzentas apresentações. Mais de 70 mil pessoas já assistiram ao espetáculo que estará a partir de 04 de maio em Sorocaba e em junho em Curitiba. Mais informações acesse o site

www.circorodabrasil.com.br


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