A descoberta dos neurotransmissores e a produção em escala comercial de neurolépticos,
ansiolíticos e anti-depressivos foi saudada como o dobre de finados das terapias dinâmico-verbais, que
estariam tentando corrigir distúrbios bioquímicos com conversa fiada. De modo paralelo, a psicologia
cognitiva – novas roupagens para o velho behaviorismo – propõe-se a curar uma fobia ou uma enurese em
poucas semanas, dispensando o laborioso percurso da análise. Não é possível aqui discutir
adequadamente estes problemas, que são bastante complexos. Fiquemos com as sábias
declarações de Hanna Segal à revista Veja: "Não sou totalmente contra
a utilização das drogas para casos de psicose prolongada. O que me parece perigoso é seu uso
quando você tem motivos perfeitamente normais e concretos para estar deprimido (...). Drogas podem suprimir
temporariamente os sintomas, mas perpetuam o processo que está nas suas origens." (11)
Não há por que temer os medicamentos; o que deve ser temido e combatido é a
presunção com que certos psiquiatras se arvoram em árbitros de problemas que desconhecem
e para cuja compreensão se encontram despreparados. Da mesma forma, é preciso combater a
ignorância de certos analistas que, encastelados no santuário de seus consultórios, renunciaram
à curiosidade e ao desejo de aprender algo novo sobre questões tão próximas de sua s
eara, com isso se condenando à repetição do já sabido e ao estiolamento da sua
prática.
Quanto ao Freud-bashing, surgiu a partir das informações novas sobre a vida e a época
do grande homem mencionadas há pouco. Um dos expoentes desta tendência é Jeffrey Masson,
o editor da correspondência completa com Fliess, cujo livro Atentado à Verdade é um
dos mais tolos que já tive oportunidade de ler; tolo, porém maléfico, porque aparentemente bem
documentado. Outro autor que se destaca nesta área é Peter Swales, duramente criticado (com razão)
por Peter Gay no "Ensaio Bibliográfico" que conclui sua biografia de Freud. O que importa assinalar
é que Freud certamente teve seus defeitos como pessoa e seus momentos de mesquinhez, teimosia ou
intolerância; isso em nada diminui sua estatura intelectual, antes lhe acrescenta um toque de humanidade que
o torna mais próximo de cada um de nós. O Freud-bashing diz mais a respeito dos
bashers do que do seu alvo: as bolas de lama atiradas contra Freud visam na verdade a estátua em
que se havia convertido nos Estados Unidos, em virtude de uma idealização tão intensa e descabida
quanto o seu reverso contemporâneo.
Por fim, uma observação sobre as traduções, isto é, sobre a transmissão da
palavra do próprio fundador. Talvez o leitor se surpreenda ao ser lembrado de que a Standard Edition
só foi concluída em 1974, pouco antes da fundação do Sedes. Já em 1983, Bruno
Bettelheim, David Ornston e outros criticaram certas opções de Strachey, consideradas demasiado pedantes
e pouco afinadas com a maciez (Geschmeidigkeit) vienense do estilo de Freud. Esta crítica é
diferente da que se pode fazer ao massacre brasileiro da tradução inglesa – monumento à
irresponsabilidade e ao mau gosto sem paralelo no universo psicanalítico – mas a meu ver é infundada.
As traduções também envelhecem, porque representam o estado da arte e da língua de
chegada – aquela para a qual se traduz – num determinado momento. Imaginemos que a versão brasileira de
Freud tivesse sido realizada por Graça Aranha (contemporâneo de Ballesteros, o tradutor espanhol): seria
talvez necessário atualizar certos termos ou certas construções, mas isto não lhe tiraria o valor.
O mesmo se pode dizer da versão de Strachey, ainda hoje perfeitamente legível, e utilíssima pelas
notas e introduções. Nos anos setenta, Jorge Etcheverría produziu a tradução Amorrortu,
excelente, e que testemunha o alto nível atingido pelos estudos freudianos na Argentina. Mais recentemente, a
tradução francesa coordenada por Laplanche vem dando o que falar, mas este é outro assunto que
não cabe nestas notas.
Ao sul do Equador
E o Brasil? Enquanto nos países centrais se constituíam as novas correntes e se debatiam estas
questões, na nossa província tropical a Psicanálise ia fincando raízes através
dos processos a que me referi no início deste artigo. Embora próspera do ponto de vista material, a
comunidade psicanalítica brasileira não produziu nada de especial interesse até bem
avançados os anos setenta, e certamente nada que sugerisse a existência de um pensamento original,
em contraste com o que ocorreu na Argentina até a brutal interrupção imposta pelo golpe de 1976.
Os motivos para esta estagnação intelectual devem ser pesquisados com calma em outra oportunidade; eles
são de diversas ordens, em parte compartilhados por toda a cultura brasileira, em parte específicos do
grupo psicanalítico.
Não devemos ser injustos, porém: os analistas de 1950 e 1960 eram ainda relativamente jovens, muito
ligados à linha inglesa, e provavelmente – com uma ou outra exceção, como Isaías Melsohn
em São Paulo – com pouca vocação para a reflexão teórica, freqüentemente
confundida com a intelectualização defensiva. Não que fossem incultos, longe disso: quer pela
origem imigrante (principalmente judaica e italiana), quer porque pertenciam a famílias tradicionais nas
respectivas cidades, os primeiros analistas valorizavam o saber e as coisas da cultura; caso contrário, não
se teriam interessado por uma novidade tão escandalosa como era naquela época a Psicanálise.
Mas não traduziram sua considerável experiência clínica, nem seu interesse pela arte e pela l
iteratura, em contribuições duradouras para a disciplina que cultivavam. Limitaram-se a comprovar a
veracidade das teorias que os inspiravam, produzindo pouco e divulgando menos ainda o que produziam. Contam-se
nos dedos os livros escritos pelos analistas brasileiros até 1970, e a própria Revista Brasileira de
Psicanálise, órgão oficial do movimento, só em 1967 despertou da
hibernação em que mergulhara após seu primeiro número, publicado por Durval Marcondes
em 1926. O grande evento dos anos setenta foi a formação do grupo bioniano paulista, em torno de Frank
Philips, cujo trabalho marcou e continua marcando fortemente todo um setor da Psicanálise brasileira; mas estes
profissionais publicaram pouco, e sua influência se fez sentir sobretudo através da prática
clínica intramuros.
É com a chegada dos anos oitenta que este panorama ágrafo começa a se transformar.
Regressam ao Brasil analistas formados na França e na Inglaterra, ambientes nos quais o convívio dos
psicanalistas com a caneta era muito mais natural do que para os que aqui haviam permanecido. Entre estes, Fabio
Hermann se destaca como o primeiro a alçar um vôo mais ousado, com o primeiro volume dos
Andaimes do Real (1979). É por esta época que se funda o curso do Sedes, onde a largueza de
espírito de Regina Schnaiderman e a tradição clínico-teórica materializada nos
professores argentinos se unem ao trabalho de Hermann, Isaías Melsohn e outros, formando um
amálgama que resgata os direitos do intelecto no que se refere ao estudo da psicanálise.
Regina - junto com seu marido Boris Schnaiderman, Isaías Melsohn, o casal Guinsburg (futuros diretores
da Editora Perspectiva) e outros intelectuais paulistanos - havia participado durante anos de um seminário
informal com Anatol Rosenfeld; este os introduziu à filosofia e aos estudos humanísticos e lhes instilou
uma exigência de rigor só comparável à que norteava os uspianos, frutos da
"missão francesa" que nos anos trinta havia fundado a Faculdade de Filosofia. É esta a outra
vertente que se encontra na origem do curso do Sedes. A ele vieram se juntar analistas como Luiz Meyer, Luis Carlos
Menezes, Renato Mezan, Luís Carlos Nogueira, Anna Maria do Amaral e outros de estirpe francesa, que em
diferentes períodos colaboraram com o curso e fizeram dele um dos canais pelos quais a produção
européia que mencionei começou a se tornar conhecida entre nós. No Rio, Jurandir Freire Costa,
Joel Birman, Chaim Samuel Katz e Sérvulo Figueira, para só mencionar alguns nomes, realizaram um
trabalho análogo. Por fim, com todos os reparos que se lhe possa fazer, os lacanianos são certamente
uma tribo estudiosa, e se encarregaram de divulgar os autores e idéias da sua corrente.
Assim, os anos oitenta presenciam o surgimento de uma nova raça de psicanalistas: os que escrevem.
Discretamente a princípio, depois em volume maior, começam a surgir trabalhos originais, que vêm
alimentar a demanda por informações dos que então se aproximavam da Psicanálise. Alguns
são fruto dos labores de filósofos (por exemplo, Freud: A Trama dos Conceitos, escrito em 1977
e publicado em 1982, ou os livros de Luiz Alfredo Garcia-Roza, que começam com Freud e o Inconsciente,
em 1983); outros, de filósofos que se tornaram analistas (Freud, Pensador da Cultura, escrito em
1979-1980 e publicado em 1985); outros ainda, de psicanalistas que buscaram fecundar a Psicanálise pelo contato
com outras disciplinas (por exemplo Miriam Chnaiderman, O Hiato Convexo, 1989).
Surgem igualmente trabalhos que abordam questões semelhantes às que agitavam os países
onde tinham estudado seus autores, ou que buscam modos de utilizar a Psicanálise para pensar questões
da atualidade brasileira (como a revista Teoria da Prática Psicanalítica, editada entre 1981 e
1986 por Joel Birman e Carlos Augusto Nicéas; o livro de Jurandir Freire Costa, Violência e
Psicanálise, 1984; novos textos de Fabio Hermann, Joel Birman, Chaim Katz e outros). No âmbito
lacaniano, também surgem livros importantes: a princípio traduções de analistas estrangeiros
aqui radicados (Antonio Godino Cabas, Curso e Discurso da Obra de Lacan, 1982; Alfredo Jerusalinsky,
Psicanálise do Autismo, 1984), e logo mais trabalhos originais de autores brasileiros (Alduísio
Moreira, Uma Leitura Introdutória a Lacan, 1984; Oscar Cesarotto e Márcio Peter de Souza Leite,
Jacques, Lacan: Através do Espelho, 1985; e outros).
Neste sentido, a abertura em 1987 da Editora Escuta constituiu um poderoso estímulo à difusão da
Psicanálise em letra de forma. Tanto publicando obras originais quanto empreendendo um ambicioso programa de
tradução da Psicanálise francesa, inglesa e argentina, a iniciativa de Manoel Berlinck produz
rapidamente os seus frutos, permitindo que jovens autores não precisem esperar anos a fio para verem editados os
seus trabalhos. Ainda no capítulo traduções, Elias da Rocha Barros empreende pela Imago um valioso
trabalho de divulgação do pensamento kleiniano, repondo na liça das idéias uma escola que
parecia ter empalidecido com tantas novidades vindas de outros quadrantes. O mesmo vale para os lacanianos, que
plantaram suas tendas na Zahar (o grupo ligado a Jacques-Alain Miller) e nas Artes Médicas de Porto Alegre
(o grupo ligado a Charles Melman). Surgem ou renascem revistas, como Ide, Percurso, Jornal de Psicanálise,
Tempo Psicanalítico (da Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle, a SPID do Rio), Gradiva (da
Sociedade de Psicologia Analítica de Grupo, SPAG) e outras, que abrem novos canais de comunicação
para e entre os analistas brasileiros.
Dois outros tópicos merecem destaque: a vinda sistemática de analistas visitantes e a
implantação da Psicanálise na Universidade. O primeiro se liga à ampliação
do mercado psicanalítico e às enormes carências da formação em nosso país;
regularmente, trazidos por este ou aquele grupo, todos os principais nomes da psicanálise européia
vêm a São Paulo, Rio, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e outras cidades. Centenas de colegas
e de estudantes vão ouvi-los, fazem supervisões, compram seus livros recém-traduzidos; e isto vale
tanto para as sociedades filiadas à IPA quanto para os grupos independentes. O acúmulo de eventos e a
lenta penetração das idéias trazidas por estes visitantes nos últimos quinze anos aumentaram
consideravelmente o nível de informação dos psicanalistas brasileiros, que vêm se familiarizando
com os desenvolvimentos mais recentes e passam a dispor de uma biblioteca comparável às existentes
nos países de cultura freudiana mais antiga.
Quanto à introdução da Psicanálise na Universidade, ela se dá em dois tempos. Nos
anos sessenta, através de disciplinas como Psicologia do Desenvolvimento e de supervisões, os cursos de
Psicologia funcionaram como canal de divulgação da maneira de pensar psicanalítica. Ainda hoje, e
mesmo com a predominância de outras correntes no currículo, alguns cursos - como o da USP, onde
trabalham vários analistas experientes – proporcionam aos estudantes um primeiro contato com a
Psicanálise, o que freqüentemente os estimula a buscar uma formação nas
instituições propriamente psicanalíticas.
Mais recentemente, a partir dos anos oitenta, a Psicanálise ganha espaço nos programas de
pós-graduação: inicialmente restrita às PUCs de São Paulo e do Rio e à
Universidade Federal do Rio de Janeiro, nos últimos anos esta inserção vem se ampliando de modo
impressionante, com a abertura de cursos de especialização e de pós-graduação em
diversos pontos do país, assim como em várias instituições das cidades maiores. Este
fato é de importância crucial, porque desde os anos setenta a pós-graduação tem
sido fortemente incentivada e subsidiada por agências como a Fapesp, o CNPq e a CAPES: os analistas entram
assim numa rede de pesquisa e de produção científica que já existia antes deles, e da qual
vêm se beneficiando amplamente. Os primeiros resultados deste investimento não demoraram a se fazer
notar: têm sido apresentadas teses e dissertações de bom nível, e muitas delas encontram
espaço no plano da edição. Um dado entre muitos: somente entre os trabalhos orientados por mim na
PUC-SP, já foram publicados doze - o que equivale a toda a biblioteca existente em português quando, no
início da década de setenta, comecei a estudar Freud.
Ontem e hoje
Neste contexto, qual a diferença fundamental entre o tempo de Regina Schnaiderman e a atualidade? Sem
dúvida, é a constituição de um verdadeiro campo psicanalítico no Brasil. Tanto
pela difusão geográfica quanto pela capilarização do conhecimento, os processos aqui
evocados resultaram no adensamento da psicanálise brasileira, ao menos em termos quantitativos.
E a qualidade, perguntará o leitor? Este é um outro problema. Não creio - esta é uma
opinião pessoal - que a psicanálise praticada no Brasil fique atrás da que se pratica em outros
países, em termos da acuidade clínica ou da eficácia terapêutica. É certamente
difícil avaliar este tipo de coisa, mas cada qual pode se basear em sua própria experiência de
análise, de supervisão e de troca com colegas em encontros públicos ou particulares.
Contudo, não devemos esquecer que alguma quantidade é indispensável para a qualidade,
através do que se convencionou chamar "massa crítica." Em qualquer disciplina
científica ou em qualquer campo das artes, uma andorinha só não faz verão, nem
quarenta ou cinqüenta. É necessário que se constitua um campo, habitado por uma
população relativamente numerosa e capaz de produzir e consumir aquilo que nele é cultivado:
isto vale para o balé russo, para o jazz, para a literatura em dado idioma, para o futebol, para a física
teórica - e também para a psicanálise. Dos milhares relativamente anônimos que formam o
campo, alguns se destacarão pela excelência e o farão progredir, se suas inovações
encontrarem uma rede de difusão capaz de sustentar a socialização de suas intuições
solitárias até que elas se convertam em propriedade comum de quantos as quiserem incorporar. A isto se
dá o nome de constituição de uma tradição, e a meu ver este processo
está hoje razoavelmente adiantado no Brasil. Ainda não surgiu entre nós nenhum Bion ou nenhum
Lacan; mas estes também são raros no Exterior, e só alcançaram notoriedade já
maduros (em torno dos sessenta anos, é bom lembrar). A primeira geração de analistas brasileiros
criou no país um habitat para a Psicanálise; a segunda - à qual pertenço - firmou
a disciplina no plano cultural, formou grupos de analistas em todos os Estados e deu impulso decisivo à
formação de uma "cultura da psicanálise" num sentido menos caricato do que o descrito
por Sérvulo Figueira em seus artigos. Cabe-nos também formar uma nova geração, capaz de
continuar o processo (e eventualmente rebelar-se contra os que a formaram).
Do adensamento do campo e da capacidade de diálogo entre analistas de diferentes linhas teóricas
dão provas livros como os organizados por Abrão Slavutzky em Porto Alegre (Transferências,
1990; Cem anos da Psicanálise, 1996) e por Joel Birman no Rio de Janeiro (Percursos na
História da Psicanálise, 1985; Freud, cinqüenta anos depois, 1989).
Os jovens analistas, na faixa dos quarenta anos, estão indo além do que encontraram já feito:
o desenvolvimento recente da Psicossomática, assim como a realização de pesquisas primorosas no
âmbito acadêmico, são a meu ver sinais de que isso está acontecendo. Há muito o que
fazer, tanto no plano científico quanto no da inserção dos analistas nas redes de
prestação de serviços à população (área na qual se fizeram
experiências isoladas, porém valiosas, e que ainda aguardam maiores desenvolvimentos), quanto ainda na
compreensão da cultura brasileira por meio do instrumental psicanalítico (algumas iniciativas pioneiras
neste sentido, como as de Contardo Calligaris e de Octávio de Souza, ainda não produziram os frutos
necessários), e em diversos outros terrenos.
Não devemos ser triunfalistas: se o panorama da psicanálise no Brasil se transformou enormemente nos
últimos vinte anos, continua útil levarmos a sério a severa advertência que Sérvulo
Figueira formulava em 1986: "Não existe, propriamente, (...) uma versão da psicanálise criada
e desenvolvida por analistas brasileiros que resulte de uma relação fecunda entre a psicanálise
enquanto discurso "transcultural" e as formas culturais nacionais. (...) O curioso em relação
à cultura psicanalítica brasileira é que ela não tem como centro de gravidade uma
psicanálise brasileira, mas, preponderantemente, um aglomerado de implantações da
Inglaterra, e mais recentemente da França e dos Estados Unidos. (...) Em poucas palavras, e deixando de lado
várias exceções, produzir e publicar psicanálise não são atividades
centrais e imprescindíveis para o analista brasileiro que deseja "sucesso" de público - este, e
seu corolário imediato, o dinheiro, podem ser obtidos sem maiores demonstrações de
competência especificamente psicanalítica. Esta característica do campo
psicanalítico brasileiro, que vem mudando muito devagar ao longo dos últimos cinco anos, poderá
levar - caso não surja uma geração de analistas que se destaque por sua competência e
produção especificamente psicanalíticas - a um esvaziamento e empobrecimento crônico deste
campo no Brasil." (12)
Repare, caro leitor: em 1986 o panorama desolador descrito por Figueira "vinha mudando muito devagar ao longo
dos últimos cinco anos." Se você julga que desde 1986 as mudanças se aceleraram, e na
direção inversa ao que ponderava este autor, então concordará comigo que valeu a pena
estar no campo nestes últimos anos. Se estamos ainda hoje longe de contar com garantias de que estas sombrias
previsões não se vejam confirmadas, ao menos podemos dizer que hoje sua concretização
parece mais improvável do que quando foram redigidas. Esta, ao menos, é minha opinião. E a sua?
Notas:
- Sobre a história da Psicanálise na Argentina, pode-se consultar com proveito o livro de Jorge Balán, Cuéntame tu vida, Buenos Aires, Editorial Planeta, 1991.
Volta
- Sérvulo Figueira, "Notas sobre a Cultura Psicanalítica Brasileira" (1986) in Nos Bastidores da Psicanálise, Rio de Janeiro, Imago, 1991; cf. igualmente Renato Mezan, "Prefácio" de A Vingança da Esfinge, São Paulo, Brasiliense, 1988. Referências bem documentadas sobre os anos setenta e oitenta podem ser encontradas também no livro de Cecília M. Coimbra, Guardiães da Ordem: uma Viagem pelas Práticas "psi" no Brasil do "Milagre", Rio de Janeiro, Oficina do Autor, 1995.
Volta
- Sobre os inícios do curso, ver Mário Fuks, "Para uma história do curso de Psicanálise", Revista Percurso, n°1, 2° semestre de 1988 (atualmente disponível somente pela Internet, na página www.uol.com.br/percurso).
Volta
- Cf. Janete Frochtengarten, "A necessária inquietação de quem transmite", Percurso n° 12, 1° semestre de 1994.
Volta
- Ver a este respeito Gisálio Cerqueira (org.), Crise na Psicanálise, Rio de Janeiro, Graal, 1982. Cf. também Miriam Chnaiderman, "Homenagem a Hélio Pellegrino", Percurso n° 2, 1° semestre de 1992.
Volta
- Roberto Yutaka Sagawa, "A História da Sociedade de Psicanálise de São Paulo", in Álbum de Família, São Paulo, Casa do Psicólogo, 1994.
Volta
- Cf. Elizabeth Bott Spillius, "Melanie Klein Hoje", Rio de Janeiro, Imago, 1991, vol.. I, p. 89. Cf. também Daniel Delouya, "Bion: uma obra às voltas com a guerra", neste mesmo número de Percurso.
Volta
- A este respeito, ver Renato Mezan, "Três Concepções do Originário: Stein, Laplanche, Le Guen", in Figuras da Teoria Psicanalítica, São Paulo, Escuta, 1995.
Volta
- Elizabeth Roudinesco, Généalogies, Paris, Fayard, 1994, p. 340.
Volta
- André Green, "Has sexuality anything to do with Psychoanalysis?", International Journal of Psychoanalysis, 1995, vol. 76, p. 871 ss.
Volta
- Hanna Segal, entrevista "Páginas Amarelas", Veja n° 1543 (22.4.1998). Cf, igualmente R. Mezan, "Psicanálise e neuro-ciências: uma questão mal colocada", in L. C. Junqueira Filho (org.), Corpo-Mente: Uma Fronteira Móvel, São Paulo, Casa do Psicólogo, 1995, p. 267-277.
Volta
- Sérvulo Figueira, op. cit., 222-223.
Volta