Péricles Cavalcanti
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Pérricles e sua irmã quando crianças

 

 

 

 

 


Péricles na adolescência





 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Lídia Maria Melo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Péricles e Arnaldo Antunes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Péricles e Leo

 

 

 

 

 

 


Década de 1970
- Década de 1980 - Década de 1990 - A Partir de 2000

Primeiros Anos

Péricles da Rocha Cavalcanti nasceu no Rio de Janeiro em 1947, numa maternidade do Engenho Novo, subúrbio na zona norte. Filho de Mariano de Moura Cavalcanti (1903-1975), pernambucano, ex-padre, professor de latim e português, depois jornalista esportivo, e de Adalgiza da Rocha Cavalcanti (1924-1982), baiana, dona de casa. Com os pais, mais a irmã Zélia Vitória da Rocha Cavalcanti, nascida em 1948, mudou-se para São Paulo em 1950.

Desde muito cedo, Péricles conviveu com música através do gosto de sua mãe por música popular brasileira urbana dos anos quarenta e cinquenta (seus cantores preferidos eram Orlando Silva, Dalva de Oliveira e Nelson Gonçalves, entre outros) e pelo gosto de seu pai pelos clássicos (Beethoven e Bach, principalmente) e pela música nordestina regional e urbana trazida pelos imigrantes (Luiz Gonzaga, notadamente). Aos doze anos, Péricles já “arranhava” o violão usando os rudimentos que seu Moura lhe transmitiu, e já participava em casa, com dona Dazinha e a irmã Zélia nos vocais, mais o pai na flauta transversa, de conjuntos que interpretavam valsas tradicionais e de relativa simplicidade de execução como “Sobre as ondas” e “Branca”.
No começo dos anos sessenta, na adolescência, Péricles acompanhou com enorme interesse o movimento da Bossa Nova, seus compositores (Tom Jobin, Vinicius de Moraes, Carlos Lira) e seus intérpretes, especialmente João Gilberto, que o marcou para sempre, pela maneira nova e profunda de cantar e tocar ao violão todo aquele repertório maravilhoso. Além de acompanhar, também, a Jovem Guarda, o surgimento do Rock ‘n Roll sofisticado com os Beatles e de se interessar por quase tudo que tocasse em rádio, nos bailes estudantis que frequentava ou em discos, nacionais e internacionais, que escutava, fosse canção tradicional, jazz ou pop.

Entre 1964 e 1965, um primo, alguns anos mais velho, o psicanalista Luís Tenório O. Lima, na época estudante de medicina e líder estudantil na Bahia, veio para um exílio temporário na casa dos Cavalcanti, no bairro da Cidade Vargas (subúrbio paulistano na zona sul). Alguns amigos baianos de Tenório, que estavam vindo para o eixo Rio-São Paulo para trabalhar, começaram a frequentar a casa também. O poeta José Carlos Capinam, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gal Costa (ainda Maria da Graça), a, hoje, psicanalista Lucila Pato e seu namorado, o físico Maurício Pato, eram alguns deles.
Estas visitas tiveram um impacto muito grande na vida de Péricles, na época ainda um estudante secundarista. A identificação foi imediata e a Bahia, das canções de Caymmi, e de parte da biografia de seus pais, onde ele já estivera algumas vezes desde 1960, estava ainda mais próxima. Mais ainda porque Gilberto Gil, recém-casado com sua primeira mulher Belinda, depois de se hospedar algumas semanas em sua casa, alugou uma outra bem próxima, no mesmo bairro.

As primeiras músicas do repertório do grupo baiano, e especialmente a maneira original e genuinamente musical de tocar violão de Gil e o canto de Caetano e Gal, influenciaram-no bastante, embora tornar-se músico profissional não estivesse no plano de um Péricles que, fortemente estimulado pela conhecida filósofa Marilena Chauí, então sua professora no curso clássico, pensava estudar filosofia e achava que poderia se tornar um professor.
Na segunda metade dos anos sessenta, já na faculdade de filosofia da USP, Péricles participou intensamente da efervescência daqueles tempos. Agora casado com sua colega de colégio e primeira namorada, (hoje filósofa profissional) Rosa Maria Dias, dava aulas de filosofia num cursinho pré-universitário. Acompanhou de perto o desenvolvimento do tropicalismo, através da amizade com seus amigos baianos, principalmente Caetano e Dedé, casados recentemente e agora morando em São Paulo (Péricles morava na rua Major Sertório e eles na rua São Luís), e também com Tom Zé, Waly e Jorge Salomão, Torquato Neto, Duda Machado.

Péricles adora cinema e acompanhava também os filmes do cinema novo e do novo cinema europeu, tendo como seu maior ídolo o diretor franco-suíço Jean-Luc Godard. Assistiu às peças do teatro de Arena, das quais “Arena conta Zumbi” (música de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri) teve uma influência formativa no futuro compositor. Viu também as maravilhosas montagens do teatro Oficina de José Celso Martines Correa, diretor com quem Péricles viria a trabalhar só a partir dos anos noventa (em “Ham-let”, primeiro em 1993, compondo a maioria das canções originais , depois em 2001, fazendo também a direção musical na remontagem da peça para a gravação de um DVD – em 2003 colaborou na música para a montagem dos Sertões, o Homem, parte 2).
Em 1969, com a crise política instalada no Brasil à partir do AI-5, com suas prisões, perseguições e mortes, e o decorrente esvaziamento na vida cultural, dentro e fora das universidades, Péricles, incentivado por Rosa, resolveu com uma passagem só de ida, ir para a França com a intenção de prosseguir nos estudos de filosofia.
Em Paris, agora de novo solteiro, desencantou-se com a vida universitária e tornou-se hippie. Sobreviveu alguns meses com o dinheiro que ganhava tocando violão e gaita (no estilo e com o repertório de Bob Dylan) no metrô e em alguns cafés, aqui acompanhado também pelo vocal de uma amiga francesa. Com o dinheiro que sobrava, Péricles ia ao cinema.

Totalmente identificado com a “cultura” hippie, depois de ter cogitado, meio inconsequentemente, porque sem dinheiro, ir morar numa comunidade em São Francisco, Califórnia, e novamente incentivado por Rosa, agora de passagem por Paris, Péricles foi para Londres encontrar seus amigos baianos Caetano e Gil e suas respectivas mulheres, Dedé e Sandra, exilados, levados por seu empresário e amigo Guilherme Araújo.
Em Londres, permaneceu por dois anos, fazendo novos amigos numa comunidade de brasileiros, que foi crescendo com o tempo (alguns voluntariamente exilados) e que incluía os cineastas Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e sua mulher a atriz Helena Inês, Neville de Almeida, os artistas plásticos José Roberto Aguilar e Antônio Peticov, os empresários de casas de show e restaurantes Artur e Maria Helena Guimarães, os escritores Jorge Mautner (também compositor) e Antônio Bivar, entre muitos outros.

 

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Década de 1970

Em 1970, Péricles realiza sua primeira gravação profissional como músico, participando como violonista e vocalista de apoio na trilha que Gilberto Gil concebeu para o filme de Rogério Sganzerla, “Copacabana mon amour”. O disco com essa música foi lançado pela Universal no final dos anos noventa.

Ainda em Londres em 1971, influenciado pela maneira de Júlio Bressane fazer cinema, Péricles rodou um filme em 16mm, protagonizado por sua amiga Dedé Veloso. Embora não tenha sido finalizado, algumas imagens desse filme foram utilizados no vídeo clipe que ele dirigiu em 2003, da canção “Cindy Lee, incluída no disco “Blues 55” .
Ainda naquele ano, Péricles participou como ator do filme “O demiurgo”, rodado em Londres e dirigido por Jorge Mautner.

De volta ao Brasil, no final de 1971, com seus pais, agora separados e morando na Bahia desde 1967, Péricles passou, ainda de uma maneira hippie, a viver entre Rio, São Paulo e Bahia, na casa dos pais, de amigos e na casa de sua irmã Zélia, então casada com o primo Luiz Tenório. Nessa época, costumava se referir a si próprio, parodiando o título do livro de memórias de Oswald de Andrade, como um homem sem profissão.
Foi no final de 1973 que um acontecimento teve enorme importância na vida de Péricles, então com 26 anos. Ele conheceu a belíssima baiana Ana Amélia Carvalho por quem se apaixonou a ponto de sentir esse encontro como um tipo de nascimento e de começar compor canções para comemorá-lo.

Mostrou para seus amigos e imediatamente, Gal Costa, quis cantar duas delas num show no verão de 73 para 74, tendo gravado “Quem Nasceu?” uma das primeiras que ele compôs, no disco ao vivo “Temporada de verão” e, logo em seguida, “O céu e o som” no disco “Cantar”, ambos lançados em 1974.

No mesmo ano, Miúcha gravou “O que quer dizer?” com a participação da filha Bebel Gilberto, então com 12 anos, e estreando em discos.
Com o incentivo e o patrocínio de Guilherme Araújo, que queria levá-lo para gravar, e ainda atordoado pelo fim do seu curto porém avassalador namoro com Anamelhinha, Péricles se fixou um tempo no Rio. Lá, sem se sentir totalmente responsável, pois se via apenas como compositor, gravou um compacto simples para a Philips, produzido e arranjado por Perinho Albuquerque, que tinha no lado A, “Dias, dias, dias”, uma das canções que Gal cantava no seu show, e cujo nome foi emprestado de um poema de Augusto de Campos.
Nesse período, final de 1974, Péricles dividiu o apartamento com dois amigos seus, Susana Moraes e o poeta Duda Machado, casados na época.

Susana, que Péricles conhecia a menos tempo, se tornaria grande amiga, importantíssima no desenvolvimento artístico-profissional dele, pois ela foi a principal responsável para que, muitos anos depois, em 1991, ele gravasse o seu primeiro disco totalmente autoral, “Canções”, no qual além de compor ele toca, canta e também faz a direção artística e musical.

Além disso, ela cuidou, em 1992, de aproximar Péricles e Adriana Calcanhotto, que viria a se tornar sua amiga também e a artista que mais tem gravado suas composições, e como se isso já não bastasse, Susana o convidou, em 1993, para compor a trilha do seu primeiro filme de longa metragem, como diretora, “Mil e Uma” que resultou no disco do mesmo nome lançado pela Natasha Records, em 1996.

Essa trilha-disco, gravado em 1993, pelo qual Péricles tem especial apreço, e que conta com a participação de Adriana Calcanhoto, Arnaldo Antunes e Arrigo Barnabé, tem na produção e arranjos a colaboração de Cid Campos e Manny Monteiro, traz interessantes experiências na mistura de elementos de música de câmara com recursos eletrônicos. Quanto às letras, há uma retomada, através de poemas e traduções, da parceria de Péricles com o poeta Augusto de Campos, iniciada com “Elegia”, gravada primeiramente por Caetano, em 1979.

O release do disco “Mil e uma”, foi escrito pelo filósofo e poeta Antônio Cícero.

Como curiosidade, ainda nos anos setenta, quando havia a censura atuando fortemente sobre meios e produtos de comunicação, Péricles teve uma canção, “Como são lindos os chineses, que faria parte do repertório do show e do disco “Doces Bárbaros”, sem aparentemente nenhum motivo compreensível, proibida. Embora muita gente conhecesse a letra, pois que estava impressa no programa do show do grupo baiano, ela só foi gravada muitos anos depois do fim da censura, pelo próprio Péricles, no disco “Baião Metafísico”, lançado pela Trama em 2000.

Tendo voltado a morar em São Paulo em 1977, durante uma tentativa de voltar para a vida universitária, desta vez cursando Matemática, só não de todo inconsequente por causa do fato que se segue, Péricles, em 1978 conheceu a paraense, criada primeiro em Guaratinguetá (SP) e depois em Brasília, Lídia Maria Melo Chaib, na época fazendo pós-graduação em física, por quem se apaixonou e se casou, e com quem tem dois filhos; Nina Chaib Cavalcanti, nascida em 1979, e Léo Chaib Cavalcanti, nascido em 1984.
A já citada canção “Elegia”, composta sobre parte da tradução de Augusto de um poema do poeta inglês do sec. XVII, John Donne, e “Blues” , surgiram no ambiente inicial desse novo amor.

 

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Década de 1980

A primeira experiência em compor para Teatro, apareceu para Péricles quando Regina Casé, que ele conhecera ainda no Rio, nos anos setenta, o convidou para fazer as canções do primeiro musical que o seu grupo e de Hamilton Vaz Pereira e Luís Fernando Guimarães, “Asdrúbal trouxe o Trombone”, iria estrear em São Paulo. Era 1982, e o espetáculo “A farra da terra” resultou num disco, lançado em 1983 e, relançado em CD, em 2002, pela Universal, e acabou por se tornar a primeira mostra de um conjunto de canções compostas por Péricles.

Deste repertório fazem parte canções-homenagem como “Brigitte Bardot” e “Farol da Jamaica” (esta uma homenagem póstuma a Bob Marley), além de “Musical”, não incluída na trilha do espetáculo, mas lançada por Caetano em 1983 e também gravada por Péricles no seu disco de 2000, na qual ele se refere ao mundo filosófico daqueles que considera seus ancestrais míticos; os gregos da antiguidade clássica.

Os anos oitenta foram para Péricles tempos de muitas experiências com bandas de caráter mais pop, influenciadas pelo movimento New wave e pelo chamado Rock Brasil, nas quais ele cantava e tocava baixo elétrico além de violão, e com quem se apresentou em diversas casas noturnas do circuito “underground” de São Paulo, como Madame Satã e Off. Essas bandas que tiveram nomes tais como “Geração espontânea” e “Aquella rapaz” não chegaram a gravar profissionalmente. É desse período, também, algumas letras que Péricles escreveu para músicas do “RPM”, da “Cor do Som” e de Vinícius Cantuária, e da sua parceria com Haroldo de Campos.

 

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Década de 1990


Foi com o seu primeiro álbum, “Canções”, lançado pela Universal em 1991, que Péricles pôde expandir as relações criativas no seu trabalho com música, pois agora ele, além de compor e tocar, também passou a cantar, conceber arranjos, nesse caso com a colaboração preciosa de Ricardo Rente, produtor do disco. Enfim, passou a assumir controle artístico, nesta e nas suas futuras gravações.

Neste seu primeiro trabalho totalmente autoral, Péricles realizou uma prestação de contas, primeiro com a tradição da música do rádio brasileiro, dos anos trinta e quarenta, através de uma homenagem aos seus compositores, na faixa de abertura “Dos prazeres, das canções”. Depois, com a Bossa Nova e os discos de João Gilberto, retomando e se inspirando nos arranjos econômicos, com justeza e adequação formal, feitos por Tom Jobin sob supervisão de João. A gravação de “Sonho Proteína” é um bom exemplo. Nesse caso específico, Péricles contou com a colaboração sofisticada dos teclados de Sasha Ambach, que voltaria a colaborar com ele nos discos “Sobre as ondas” e “Baião Metafísico”.
Há ainda referências ao †ropicalismo através da salsa com letra poético-política “Eassimserá” e da participação de Caetano, em “Meu Bolero”, canção sobre as paixões e canções banais, “demasiado humanas” (citando Nietzsche).

Essa retomada da chamada “linha evolutiva da música popular no Brasil” se completa pela brilhante participação de Lulu Santos na faixa “Blues da passagem” e no convite que Péricles fez ao seu amigo e, na época, novo parceiro, Arnaldo Antunes, como Lulu, um expoente da geração surgida nos anos oitenta, para escrever o release do disco .

“Canções” foi, em 1992, lançado na Alemanha (para distribuição na Europa) e no Canadá. Por causa deste lançamento alemão, Péricles se apresentou, acompanhado apenas por seu violão, nos prestigiosos festivais de Jazz de Hamburgo e no de “World Music” de Colônia, neste, num programa em que também estavam incluídos os brasileiros Sivuca e Marisa Monte.
Por “Canções”, a Associação Paulista de Críticos de Arte conferiu a Péricles o prêmio de melhor compositor de 1991.

Seu segundo disco “Sobre as ondas”, gravado em 1994 (logo após as gravações da trilha para o já citado filme “Mil e uma”) e lançado em 1995 pela Radical Records-EMI, dá sequência à algumas experimentações com a mistura de música eletrônica e “acústica”, como na faixa “Vídeo-chorinho” em que há uma combinação de uma melodia aguda, programada eletronicamente, com uma harmonia tocada por um violão numa levada de choro, tudo sugerindo um híbrido de chorinho com música de vídeo-game.
O repertório inclui a primeira gravação de “Intimidade (sou seu)”, que Adriana Calcanhotto viria a regravar, com o mesmo arranjo feito por Péricles, no seu disco “Cantada”, lançado em 2002 pela BMG.

Na segunda faixa deste disco, a canção “Minha vanguarda”, cuja letra é, ao mesmo tempo, um comentário bem humorado sobre as vanguardas artísticas e a confirmação do compromisso de Péricles com elas, há também uma continuação da prestação de contas dele com o Reggae. Explico. É que ainda quando vivia em Londres, foi com enorme entusiasmo que ele praticamente assistiu à propagação, nos guetos jamaicanos, desse gênero até hoje tão importante.

Quando Bob Marley estourou internacionalmente, alguns anos mais tarde, Péricles compôs “Clariô”, uma das primeiros canções reggae lançadas no Brasil. “Clariô” foi cantada em show e gravada por Gal Costa em 1977 e depois regravada, em parte, por ele, no “Baião Metafísico”.

Na linha de experimentações do CD “Sobre as ondas” (Veja o release do disco, escrito pelo jornalista, letrista e versionista Carlos Rennó), Sasha Ambach se utilizou de um “sample” de berimbau na percussão do refrão final da gravação de “Minha Vanguarda”.
A capa deste disco, insinuando uma onda senoidal como horizonte para um sol nascente, foi idealizada pelo próprio Péricles, tendo o projeto gráfico sido desenvolvido e realizado por sua amiga Zaba Moreau.

O vídeo clipe da faixa “Odeio música, dirigido por Tadeu Jungle, está disponível na seção MULTIMIDIA.

Em 1994, Péricles apresenta no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, dentro de um projeto concebido por Carlos Rennó, um show só com o repertório do “Rei do baião”, Luiz Gonzaga. Na mesma época, grava um depoimento para o acervo do museu.
O especial “Duas águas”, sobre João Cabral de Mello Neto, dirigido por Cristina Fonseca, na TV Cultura em 1996, foi a primeira trilha composta para a televisão por Péricles, com sonoridades “cruas”, regionais, tratadas com discrição, em formatos econômicos, respeitando a conhecida aversão do grande poeta pela “retórica” excessiva da música em geral.

Depois, no ano 2000, fez a trilha para “Quem é Bardi?”, dirigido pelo grande pintor José Roberto Aguilar, para o Instituto Lina Bo Bardi, exibido na TV Cultura, sobre o incentivador das artes no Brasil, fundador do MASP, Pietro Maria Bardi. Na seção MULTIMIDIA há um tema desta trilha, “Natureza viva”, disponível para audição.

Enquanto gravava o disco “Baião Metafísico”, em 1999, Péricles, acompanhado por seu filho Léo, participou do mais tradicional e prestigioso programa de música popular na televisão brasileira, “Ensaio”, criado e dirigido por Fernando Faro para a TV Cultura. Nele, além de um apanhado de suas composições, ele apresentou algumas que estariam no repertório do novo disco, entre as quais, “Eu queria ser Cássia Eller”, homenagem à grande cantora, que o poeta Waly Salomão encomendara a Péricles depois de um elogio que este fizera à ela, depois de um show: “Se eu fosse um outro artista, eu queria ser Cássia Eller”.

Outra canção inédita que Péricles apresentou no programa, foi a que deu nome ao novo disco, “Baião Metafísico” (Trama 2000), numa referência direta a sua formação filosófico-musical (Veja O release do disco , escrito pelo professor, apresentador do “Nossa língua portuguesa” da TV cultura, Pasquale Cipro Neto). ;

Nestas novas gravações, co-produzidas por Cid Campos, Péricles explorou, em algumas faixas, arranjos com grande número de instrumentos e músicos participantes, como por exemplo na canção de abertura do disco, “Eros motor”, canto evocativo dos poderes do deus grego do amor, à maneira de um samba exaltação. Ou em “Absoluta (eu quero você)”, um samba homenagem ao coro de fãs nos shows de cantoras, composto como um samba pop, no estilo dos grupos de pagode de São Paulo nos anos noventa.
Há também “Charles e Alice”, canção cuja letra mistura elementos do livro “Alice no país das maravilhas” com dados biográficos do seu autor, Lewis Carroll, e ainda com citações de “Lolita”, conhecido livro de W. Nabocov, arranjada à maneira das bandas de forró universitário, muito populares na passagem da década.

Vale destacar, entre as outras faixas do disco, a regravação de “Negro amor” , versão que Péricles e Caetano fizeram para a canção, “It’s all over now, babe blue”, de Bob Dylan, que Gal Costa lançou em 1977 e que Zé Geraldo relançou no começo dos anos noventa, no que foi seguido pelos Engenheiros do Havaí. Nesta que é a faixa preferida de Péricles, neste disco, a canção é apresentada como um tango, sustentado apenas pelo piano elétrico de Sasha Ambach e pela sanfona de Gabriel Levy.

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A partir de 2000

No teatro, além de continuar colaborando com o Oficina (Usina-usona) de José Celso Martinez Correa e Marcelo Drummond, fazendo canções para a montagem de “Os Sertões”, como já foi dito, Péricles fez em 2002 as canções para a montagem-adaptação que o grupo “Os Satyros” fez do “Pranto de Maria Parda”, do grande escritor português quinhentista Gil Vicente

2004 foi o ano de lançamento de “Blues 55”, CD em que Péricles reuniu, pela primeira vez na história do disco, pela menos no Brasil, duas produções diferentes e inéditas.

A primeira chamada simplesmente “Blues”, com canções num formato mais “acústico” e apresentadas de uma maneira mais convencional, com violão, trompete e piano elétrico.

A segunda, chamada “55”, de sua preferência, mais experimental e eletrônica, em que ele rompe com o maneira de produzir música mais freqüente da conhecida “MPB”, se identificando com modos mais contemporâneos, utilizados tanto pela música chamada “erudita”, como por correntes pop, como o Hip Hop e as fusões dele decorrentes.

No 55, Péricles tratou, na elaboração de cada faixa, de unificar os processos de gravação, composição, arranjos, execução de instrumentos e canto, tornando-os igualmente potentes na definição da identidade e acabamento de cada faixa, tendo como conseqüência, ainda, a expansão da própria noção do que seja uma faixa de disco (duração, gênero e desenvolvimento) e da idéia do que seja uma canção, prática que Péricles desenvolve, como já notamos, desde o seu primeiro disco.

No mesmo ano (e em 2005), um show correspondente a esse disco, com um formato mais próximo da parte “55”. foi realizado em São Paulo, Rio e Porto Alegre.

Em agosto de 2004, Péricles participou do show de comemoração dos 70 anos do compositor, pianista, arranjador e cantor João Donato, em São Paulo (Sesc Vila Mariana) ao lado do próprio e de Marcelo D2 e Wanda Sá.

Entre 2005 e 2006, fez a produção musical de “Lanny, duos”, disco do legendário guitarrista Lanny Gordin com a participação de convidados tais que Adriana Calcanhoto, Fernanda Takai, Gal Costa, Vanessa da Matta, Aanaldo Antunes, Caetano Veloso, Chico César, Edgard Scandurra, Gilberto Gil, Jards Macalé, Junior Barreto, Rodrigo Amarante e Zeca Baleiro. Este CD teve lançamento em 2007.

Ainda em 2006, Péricles participou, como produtor musical, compositor e instrumentista, do novo disco de “Aguilar e Banda Performática”, também lançado em 2007

Em outubro do mesmo ano, pela primeira vez, fez uma apresentação solo (voz e violão) em Brasília dentro do projeto Pauta Funarte.

2007 é também o ano de lançamento do CD “Péricles, o rei da cultura”, em abril, e do início da turnê, em maio, do show correspondente.

Em 2007, além dos show de lançamento do disco “O rei da cultura” , em São Paulo, no sesc Santana (com a participação especial de Adriana Calcanhotto) e no “Grazie a Dio” e no Rio de Janeiro (no Centro Cultural cCarioca), Péricles se apresentou, em novembro, pela primeira vez, acompanhado apenas pelo seu violão, em Buenos Aires, Argentina, no Notorious Jazz Club.

Em 2008 e 2009, teve seqüência a turnê de “O rei da cultura com shows nas “Viradas Culturais” paulistana (na capital) e paulista (em São José dos Campos), em Americana, Porto Alegre e, de novo, em São Paulo (nos Sescs Vila Mariana e Consolação) e, ainda, na “Semana da canção de São Luis do Paraitinga”.

Vale ressaltar, também, sua participação, ao lado de Leila Pinheiro, acompanhados pela orquestra do maestro Roberto Sion, no projeto “Trilhando” do sesc Pompéia, em novembro de 2009, na edição que homenageou o cineasta Walter Lima Junior, em que Péricles pôde interpretar um repertório (escolhido pelo diretor) que incluiu algumas canções que tiveram influência formativa no seu trabalho, como “Este seu olhar” e “Só em teus braços”, de Tom Jobim e “S’ Wonderfull”, dos irmãos George e Ira Gershwin.

Embora um novo album com composições inéditas tenha sido adiado para 2013, Péricles teve, em 2012, dois importantes lançamentos. Primeiro, em maio, o livro-disco “O Canto das Musas” (editora Companhia das letras), projeto para-didático de poesia em lingua portuguesa, feito em parceria com sua irmã, a educadora Zélia Cavalcanti e com as professoras Aline Evangelista Martins e Cibele Lopresti Costa, para o qual ele compos e produziu um disco-encarte exclusivo, com poemas musicados e recitados, de grande poetas clássicos, como Camões, Fernando Pessoa, Castro Alves, Olavo Bilac e Gregório de Matos, entre outros. Estas gravações contam com a participação de vários novos talentos da música brasileira, como Tulipa Ruiz, Leo Cavalcanti, Arícia Mess, Juliana Kehl, Péri e Tatá Aeroplano.


Já em Dezembro, por inciativa do DJ Zé Pedro (e sua “Jôia Moderna”), com curadoria de Nina Cavalcanti, filha do compositor, foi lançado (primeiro virtualmente, depois em CD) o album “Mulheres de Péricles”, em que dezessete cantoras da nova cena musical e diversos produtores musicais escolhidos por elas, interpretam quinze canções de seu repertório (de várias épocas). fazem parte deste disco-homenagem: Céu, Nina Becker, Malú Magalhães, Ava Rocha, Iara Rennó, Juliana Kehl, Tulipa Ruiz, Karina Buhr, Marieta Vital, Mairah Rocha, Serena e Anelys Assumpção, Juliana Perdigão, Tiê, Bárbara Eugênia, BluBell e Laura Lavieri.


2013, ano do lançamento de "Frevox”, novo disco com inéditas de Péricles, com a paticipação de muitos convidados: Arrigo Barnabé, Tiê, Lanny Gordin, Tulipa Ruiz, Karina Buhr, banda Cachorro Grande, Luisa Maita, Rodrigo Campos, Romulo Fróes. Marcelo Jeneci, Iara Rennó, Juliana Kehl, Lucinha Turnbull. Frevox é um verdadeiro "pregão pop”, propagado por muitas vozes e timbres.

 

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