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Primeiros Anos
Péricles
da Rocha Cavalcanti nasceu no Rio de Janeiro
em 1947, numa maternidade do Engenho Novo,
subúrbio na zona norte. Filho de Mariano
de Moura Cavalcanti (1903-1975), pernambucano,
ex-padre, professor de latim e português,
depois jornalista esportivo, e de Adalgiza
da Rocha Cavalcanti (1924-1982), baiana, dona
de casa. Com os pais, mais a irmã Zélia
Vitória da Rocha Cavalcanti, nascida
em 1948, mudou-se para São Paulo em
1950.
Desde muito cedo, Péricles conviveu
com música através do gosto
de sua mãe por música popular
brasileira urbana dos anos quarenta e cinquenta
(seus cantores preferidos eram Orlando Silva,
Dalva de Oliveira e Nelson Gonçalves,
entre outros) e pelo gosto de seu pai pelos
clássicos (Beethoven e Bach, principalmente)
e pela música nordestina regional e
urbana trazida pelos imigrantes (Luiz Gonzaga,
notadamente). Aos doze anos, Péricles
já “arranhava” o violão
usando os rudimentos que seu Moura lhe transmitiu,
e já participava em casa, com dona
Dazinha e a irmã Zélia nos vocais,
mais o pai na flauta transversa, de conjuntos
que interpretavam valsas tradicionais e de
relativa simplicidade de execução
como “Sobre as ondas” e “Branca”.
No começo dos anos sessenta, na adolescência,
Péricles acompanhou com enorme interesse
o movimento da Bossa Nova, seus compositores
(Tom Jobin, Vinicius de Moraes, Carlos Lira)
e seus intérpretes, especialmente João
Gilberto, que o marcou para sempre, pela maneira
nova e profunda de cantar e tocar ao violão
todo aquele repertório maravilhoso.
Além de acompanhar, também,
a Jovem Guarda, o surgimento do Rock ‘n
Roll sofisticado com os Beatles e de se interessar
por quase tudo que tocasse em rádio,
nos bailes estudantis que frequentava ou em
discos, nacionais e internacionais, que escutava,
fosse canção tradicional, jazz
ou pop.
Entre
1964 e 1965, um primo, alguns anos mais velho,
o psicanalista Luís Tenório
O. Lima, na época estudante de medicina
e líder estudantil na Bahia, veio para
um exílio temporário na casa
dos Cavalcanti, no bairro da Cidade Vargas
(subúrbio paulistano na zona sul).
Alguns amigos baianos de Tenório, que
estavam vindo para o eixo Rio-São Paulo
para trabalhar, começaram a frequentar
a casa também. O poeta José
Carlos Capinam, Gilberto Gil, Caetano Veloso
e Gal Costa (ainda Maria da Graça),
a, hoje, psicanalista Lucila Pato e seu namorado,
o físico Maurício Pato, eram
alguns deles.
Estas visitas tiveram um impacto muito grande
na vida de Péricles, na época
ainda um estudante secundarista. A identificação
foi imediata e a Bahia, das canções
de Caymmi, e de parte da biografia de seus
pais, onde ele já estivera algumas
vezes desde 1960, estava ainda mais próxima.
Mais ainda porque Gilberto Gil, recém-casado
com sua primeira mulher Belinda, depois de
se hospedar algumas semanas em sua casa, alugou
uma outra bem próxima, no mesmo bairro.
As primeiras músicas do repertório
do grupo baiano, e especialmente a maneira
original e genuinamente musical de tocar violão
de Gil e o canto de Caetano e Gal, influenciaram-no
bastante, embora tornar-se músico profissional
não estivesse no plano de um Péricles
que, fortemente estimulado pela conhecida
filósofa Marilena Chauí, então
sua professora no curso clássico, pensava
estudar filosofia e achava que poderia se
tornar um professor.
Na segunda metade dos anos sessenta, já
na faculdade de filosofia da USP, Péricles
participou intensamente da efervescência
daqueles tempos. Agora casado com sua colega
de colégio e primeira namorada, (hoje
filósofa profissional) Rosa Maria Dias,
dava aulas de filosofia num cursinho pré-universitário.
Acompanhou de perto o desenvolvimento do tropicalismo,
através da amizade com seus amigos
baianos, principalmente Caetano e Dedé,
casados recentemente e agora morando em São
Paulo (Péricles morava na rua Major
Sertório e eles na rua São Luís),
e também com Tom Zé, Waly e
Jorge Salomão, Torquato Neto, Duda
Machado.
Péricles
adora cinema e acompanhava também os
filmes do cinema novo e do novo cinema europeu,
tendo como seu maior ídolo o diretor
franco-suíço Jean-Luc Godard.
Assistiu às peças do teatro
de Arena, das quais “Arena conta Zumbi”
(música de Edu Lobo e Gianfrancesco
Guarnieri) teve uma influência formativa
no futuro compositor. Viu também as
maravilhosas montagens do teatro Oficina de
José Celso Martines Correa, diretor
com quem Péricles viria a trabalhar
só a partir dos anos noventa (em “Ham-let”,
primeiro em 1993, compondo a maioria das canções
originais ,
depois em 2001, fazendo também a direção
musical na remontagem da peça para
a gravação de um DVD –
em 2003 colaborou na música para a
montagem dos Sertões, o Homem, parte
2).
Em 1969, com a crise política instalada
no Brasil à partir do AI-5, com suas
prisões, perseguições
e mortes, e o decorrente esvaziamento na vida
cultural, dentro e fora das universidades,
Péricles, incentivado por Rosa, resolveu
com uma passagem só de ida, ir para
a França com a intenção
de prosseguir nos estudos de filosofia.
Em Paris, agora de novo solteiro, desencantou-se
com a vida universitária e tornou-se
hippie. Sobreviveu alguns meses com o dinheiro
que ganhava tocando violão e gaita
(no estilo e com o repertório de Bob
Dylan) no metrô e em alguns cafés,
aqui acompanhado também pelo vocal
de uma amiga francesa. Com o dinheiro que
sobrava, Péricles ia ao cinema.
Totalmente identificado com a “cultura”
hippie, depois de ter cogitado, meio inconsequentemente,
porque sem dinheiro, ir morar numa comunidade
em São Francisco, Califórnia,
e novamente incentivado por Rosa, agora de
passagem por Paris, Péricles foi para
Londres encontrar seus amigos baianos Caetano
e Gil e suas respectivas mulheres, Dedé
e Sandra, exilados, levados por seu empresário
e amigo Guilherme Araújo.
Em Londres, permaneceu por dois anos, fazendo
novos amigos numa comunidade de brasileiros,
que foi crescendo com o tempo (alguns voluntariamente
exilados) e que incluía os cineastas
Júlio Bressane, Rogério Sganzerla
e sua mulher a atriz Helena Inês, Neville
de Almeida, os artistas plásticos José
Roberto Aguilar e Antônio Peticov, os
empresários de casas de show e restaurantes
Artur e Maria Helena Guimarães, os
escritores Jorge Mautner (também compositor)
e Antônio Bivar, entre muitos outros.

Década de 1970
Em
1970, Péricles realiza sua primeira
gravação profissional como músico,
participando como violonista e vocalista de
apoio na trilha que Gilberto Gil concebeu
para o filme de Rogério Sganzerla,
“Copacabana mon amour”. O disco
com essa música foi lançado
pela Universal no final dos anos noventa.
Ainda em Londres em 1971, influenciado pela
maneira de Júlio Bressane fazer cinema,
Péricles rodou um filme em 16mm, protagonizado
por sua amiga Dedé Veloso. Embora não
tenha sido finalizado, algumas imagens desse
filme foram utilizados no vídeo clipe
que ele dirigiu em 2003, da canção
“Cindy
Lee” ,
incluída no disco “Blues 55”
.
Ainda naquele ano, Péricles participou
como ator do filme “O demiurgo”,
rodado em Londres e dirigido por Jorge Mautner.
De volta ao Brasil, no final de 1971, com
seus pais, agora separados e morando na Bahia
desde 1967, Péricles passou, ainda
de uma maneira hippie, a viver entre Rio,
São Paulo e Bahia, na casa dos pais,
de amigos e na casa de sua irmã Zélia,
então casada com o primo Luiz Tenório.
Nessa época, costumava se referir a
si próprio, parodiando o título
do livro de memórias de Oswald de Andrade,
como um homem sem profissão.
Foi no final de 1973 que um acontecimento
teve enorme importância na vida de Péricles,
então com 26 anos. Ele conheceu a belíssima
baiana Ana Amélia Carvalho por quem
se apaixonou a ponto de sentir esse encontro
como um tipo de nascimento e de começar
compor canções para comemorá-lo.
Mostrou
para seus amigos e imediatamente, Gal Costa,
quis cantar duas delas num show no verão
de 73 para 74, tendo gravado “Quem Nasceu?”
uma das primeiras que ele compôs, no
disco ao vivo “Temporada de verão”
e, logo em seguida, “O céu e
o som” no disco “Cantar”,
ambos lançados em 1974.
No
mesmo ano, Miúcha gravou “O que
quer dizer?” com a participação
da filha Bebel Gilberto, então com
12 anos, e estreando em discos.
Com o incentivo e o patrocínio de Guilherme
Araújo, que queria levá-lo para
gravar, e ainda atordoado pelo fim do seu
curto porém avassalador namoro com
Anamelhinha, Péricles se fixou um tempo
no Rio. Lá, sem se sentir totalmente
responsável, pois se via apenas como
compositor, gravou um compacto simples para
a Philips, produzido e arranjado por Perinho
Albuquerque, que tinha no lado A, “Dias,
dias, dias”, uma das canções
que Gal cantava no seu show, e cujo nome foi
emprestado de um poema de Augusto de Campos.
Nesse período, final de 1974, Péricles
dividiu o apartamento com dois amigos seus,
Susana Moraes e o poeta Duda Machado, casados
na época.
Susana,
que Péricles conhecia a menos tempo,
se tornaria grande amiga, importantíssima
no desenvolvimento artístico-profissional
dele, pois ela foi a principal responsável
para que, muitos anos depois, em 1991, ele
gravasse o seu primeiro disco totalmente autoral,
“Canções”, no qual
além de compor ele toca, canta e também
faz a direção artística
e musical.
Além
disso, ela cuidou, em 1992, de aproximar Péricles
e Adriana Calcanhotto, que viria a se tornar
sua amiga também e a artista que mais
tem gravado suas composições,
e como se isso já não bastasse,
Susana o convidou, em 1993, para compor a
trilha do seu primeiro filme de longa metragem,
como diretora, “Mil e Uma” que
resultou no disco do mesmo nome lançado
pela Natasha Records, em 1996.
Essa
trilha-disco, gravado em 1993, pelo qual Péricles
tem especial apreço, e que conta com
a participação de Adriana Calcanhoto,
Arnaldo Antunes e Arrigo Barnabé, tem
na produção e arranjos a colaboração
de Cid Campos e Manny Monteiro, traz interessantes
experiências na mistura de elementos
de música de câmara com recursos
eletrônicos. Quanto às letras,
há uma retomada, através de
poemas e traduções, da parceria
de Péricles com o poeta Augusto de
Campos, iniciada com “Elegia”,
gravada primeiramente por Caetano, em 1979.
O release do
disco “Mil e uma”, foi escrito
pelo filósofo e poeta Antônio
Cícero.
Como curiosidade, ainda nos anos setenta,
quando havia a censura atuando fortemente
sobre meios e produtos de comunicação,
Péricles teve uma canção,
“Como
são lindos os chineses” ,
que faria parte do repertório do show
e do disco “Doces Bárbaros”,
sem aparentemente nenhum motivo compreensível,
proibida. Embora muita gente conhecesse a
letra, pois que estava impressa no programa
do show do grupo baiano, ela só foi
gravada muitos anos depois do fim da censura,
pelo próprio Péricles, no disco
“Baião Metafísico”,
lançado pela Trama em 2000.
Tendo
voltado a morar em São Paulo em 1977,
durante uma tentativa de voltar para a vida
universitária, desta vez cursando Matemática,
só não de todo inconsequente
por causa do fato que se segue, Péricles,
em 1978 conheceu a paraense, criada primeiro
em Guaratinguetá (SP) e depois em Brasília,
Lídia Maria Melo Chaib, na época
fazendo pós-graduação
em física, por quem se apaixonou e
se casou, e com quem tem dois filhos; Nina
Chaib Cavalcanti, nascida em 1979, e Léo
Chaib Cavalcanti, nascido em 1984.
A já citada canção “Elegia”,
composta sobre parte da tradução
de Augusto de um poema do poeta inglês
do sec. XVII, John Donne, e “Blues”
, surgiram no ambiente inicial desse novo
amor.

Década de 1980
A primeira experiência em compor para
Teatro, apareceu para Péricles quando
Regina Casé, que ele conhecera ainda
no Rio, nos anos setenta, o convidou para
fazer as canções do primeiro
musical que o seu grupo e de Hamilton Vaz
Pereira e Luís Fernando Guimarães,
“Asdrúbal trouxe o Trombone”,
iria estrear em São Paulo. Era 1982,
e o espetáculo “A farra da terra”
resultou num disco, lançado em 1983
e, relançado em CD, em 2002, pela Universal,
e acabou por se tornar a primeira mostra de
um conjunto de canções compostas
por Péricles.
Deste
repertório fazem parte canções-homenagem
como “Brigitte Bardot” e “Farol
da Jamaica” (esta uma homenagem póstuma
a Bob Marley), além de “Musical”,
não incluída na trilha do espetáculo,
mas lançada por Caetano em 1983 e também
gravada por Péricles no seu disco de
2000, na qual ele se refere ao mundo filosófico
daqueles que considera seus ancestrais míticos;
os gregos da antiguidade clássica.
Os anos oitenta foram para Péricles
tempos de muitas experiências com bandas
de caráter mais pop, influenciadas
pelo movimento New wave e pelo chamado Rock
Brasil, nas quais ele cantava e tocava baixo
elétrico além de violão,
e com quem se apresentou em diversas casas
noturnas do circuito “underground”
de São Paulo, como Madame Satã
e Off. Essas bandas que tiveram nomes tais
como “Geração espontânea”
e “Aquella rapaz” não chegaram
a gravar profissionalmente. É desse
período, também, algumas letras
que Péricles escreveu para músicas
do “RPM”, da “Cor do Som”
e de Vinícius Cantuária, e da
sua parceria com Haroldo de Campos.

Década de 1990
Foi com o seu primeiro álbum, “Canções”,
lançado pela Universal em 1991, que
Péricles pôde expandir as relações
criativas no seu trabalho com música,
pois agora ele, além de compor e tocar,
também passou a cantar, conceber arranjos,
nesse caso com a colaboração
preciosa de Ricardo Rente, produtor do disco.
Enfim, passou a assumir controle artístico,
nesta e nas suas futuras gravações.
Neste seu primeiro trabalho totalmente autoral,
Péricles realizou uma prestação
de contas, primeiro com a tradição
da música do rádio brasileiro,
dos anos trinta e quarenta, através
de uma homenagem aos seus compositores, na
faixa de abertura “Dos prazeres, das
canções”. Depois, com
a Bossa Nova e os discos de João Gilberto,
retomando e se inspirando nos arranjos econômicos,
com justeza e adequação formal,
feitos por Tom Jobin sob supervisão
de João. A gravação de
“Sonho Proteína” é
um bom exemplo. Nesse caso específico,
Péricles contou com a colaboração
sofisticada dos teclados de Sasha Ambach,
que voltaria a colaborar com ele nos discos
“Sobre as ondas” e “Baião
Metafísico”.
Há ainda referências ao †ropicalismo
através da salsa com letra poético-política
“Eassimserá” e da participação
de Caetano, em “Meu Bolero”, canção
sobre as paixões e canções
banais, “demasiado humanas” (citando
Nietzsche).
Essa
retomada da chamada “linha evolutiva
da música popular no Brasil”
se completa pela brilhante participação
de Lulu Santos na faixa “Blues da passagem”
e no convite que Péricles fez ao seu
amigo e, na época, novo parceiro, Arnaldo
Antunes, como Lulu, um expoente da geração
surgida nos anos oitenta, para escrever o release do disco
.
“Canções”
foi, em 1992, lançado na Alemanha (para
distribuição na Europa) e no
Canadá. Por causa deste lançamento
alemão, Péricles se apresentou,
acompanhado apenas por seu violão,
nos prestigiosos festivais de Jazz de Hamburgo
e no de “World Music” de Colônia,
neste, num programa em que também estavam
incluídos os brasileiros Sivuca e Marisa
Monte.
Por “Canções”, a
Associação Paulista de Críticos
de Arte conferiu a Péricles o prêmio
de melhor compositor de 1991.
Seu segundo disco “Sobre as ondas”,
gravado em 1994 (logo após as gravações
da trilha para o já citado filme “Mil
e uma”) e lançado em 1995 pela
Radical Records-EMI, dá sequência
à algumas experimentações
com a mistura de música eletrônica
e “acústica”, como na faixa
“Vídeo-chorinho” em que
há uma combinação de
uma melodia aguda, programada eletronicamente,
com uma harmonia tocada por um violão
numa levada de choro, tudo sugerindo um híbrido
de chorinho com música de vídeo-game.
O repertório inclui a primeira gravação
de “Intimidade (sou seu)”, que
Adriana Calcanhotto viria a regravar, com
o mesmo arranjo feito por Péricles,
no seu disco “Cantada”, lançado
em 2002 pela BMG.
Na segunda faixa deste disco, a canção
“Minha vanguarda”, cuja letra
é, ao mesmo tempo, um comentário
bem humorado sobre as vanguardas artísticas
e a confirmação do compromisso
de Péricles com elas, há também
uma continuação da prestação
de contas dele com o Reggae. Explico. É
que ainda quando vivia em Londres, foi com
enorme entusiasmo que ele praticamente assistiu
à propagação, nos guetos
jamaicanos, desse gênero até
hoje tão importante.
Quando
Bob Marley estourou internacionalmente, alguns
anos mais tarde, Péricles compôs
“Clariô”, uma das primeiros
canções reggae lançadas
no Brasil. “Clariô” foi
cantada em show e gravada por Gal Costa em
1977 e depois regravada, em parte, por ele,
no “Baião Metafísico”.
Na linha de experimentações
do CD “Sobre as ondas” (Veja o release
do disco, escrito pelo jornalista, letrista
e versionista Carlos Rennó), Sasha
Ambach se utilizou de um “sample”
de berimbau na percussão do refrão
final da gravação de “Minha
Vanguarda”.
A capa deste disco, insinuando uma onda senoidal
como horizonte para um sol nascente, foi idealizada
pelo próprio Péricles, tendo
o projeto gráfico sido desenvolvido
e realizado por sua amiga Zaba Moreau.
O vídeo clipe da faixa “Odeio
música” ,
dirigido por Tadeu Jungle, está disponível
na seção MULTIMIDIA.
Em 1994, Péricles apresenta no Museu
da Imagem e do Som de São Paulo, dentro
de um projeto concebido por Carlos Rennó,
um show só com o repertório
do “Rei do baião”, Luiz
Gonzaga. Na mesma época, grava um depoimento
para o acervo do museu.
O especial “Duas águas”,
sobre João Cabral de Mello Neto, dirigido
por Cristina Fonseca, na TV Cultura em 1996,
foi a primeira trilha composta para a televisão
por Péricles, com sonoridades “cruas”,
regionais, tratadas com discrição,
em formatos econômicos, respeitando
a conhecida aversão do grande poeta
pela “retórica” excessiva
da música em geral.
Depois, no ano 2000, fez a trilha para “Quem
é Bardi?”, dirigido pelo grande
pintor José Roberto Aguilar, para o
Instituto Lina Bo Bardi, exibido na TV Cultura,
sobre o incentivador das artes no Brasil,
fundador do MASP, Pietro Maria Bardi. Na seção MULTIMIDIA há
um tema desta trilha, “Natureza
viva ”,
disponível para audição.
Enquanto gravava o disco “Baião
Metafísico”, em 1999, Péricles,
acompanhado por seu filho Léo, participou
do mais tradicional e prestigioso programa
de música popular na televisão
brasileira, “Ensaio”, criado e
dirigido por Fernando Faro para a TV Cultura.
Nele, além de um apanhado de suas composições,
ele apresentou algumas que estariam no repertório
do novo disco, entre as quais, “Eu queria
ser Cássia Eller”, homenagem
à grande cantora, que o poeta Waly
Salomão encomendara a Péricles
depois de um elogio que este fizera à
ela, depois de um show: “Se eu fosse
um outro artista, eu queria ser Cássia
Eller”.
Outra canção inédita
que Péricles apresentou no programa,
foi a que deu nome ao novo disco, “Baião
Metafísico” (Trama 2000), numa
referência direta a sua formação
filosófico-musical (Veja O
release do disco , escrito pelo professor,
apresentador do “Nossa língua
portuguesa” da TV cultura, Pasquale
Cipro Neto). ;
Nestas novas gravações, co-produzidas
por Cid Campos, Péricles explorou,
em algumas faixas, arranjos com grande número
de instrumentos e músicos participantes,
como por exemplo na canção de
abertura do disco, “Eros motor”,
canto evocativo dos poderes do deus grego
do amor, à maneira de um samba exaltação.
Ou em “Absoluta (eu quero você)”,
um samba homenagem ao coro de fãs nos
shows de cantoras, composto como um samba
pop, no estilo dos grupos de pagode de São
Paulo nos anos noventa.
Há também “Charles e Alice”,
canção cuja letra mistura elementos
do livro “Alice no país das maravilhas”
com dados biográficos do seu autor,
Lewis Carroll, e ainda com citações
de “Lolita”, conhecido livro de
W. Nabocov, arranjada à maneira das
bandas de forró universitário,
muito populares na passagem da década.
Vale
destacar, entre as outras faixas do disco,
a regravação de “Negro
amor” , versão que Péricles
e Caetano fizeram para a canção,
“It’s all over now, babe blue”,
de Bob Dylan, que Gal Costa lançou
em 1977 e que Zé Geraldo relançou
no começo dos anos noventa, no que
foi seguido pelos Engenheiros do Havaí.
Nesta que é a faixa preferida de Péricles,
neste disco, a canção é
apresentada como um tango, sustentado apenas
pelo piano elétrico de Sasha Ambach
e pela sanfona de Gabriel Levy.

A partir de 2000
No teatro, além de continuar colaborando
com o Oficina (Usina-usona) de José
Celso Martinez Correa e Marcelo Drummond,
fazendo canções para a montagem
de “Os Sertões”, como já
foi dito, Péricles fez em 2002 as canções
para a montagem-adaptação que
o grupo “Os Satyros” fez do “Pranto
de Maria Parda”, do grande escritor
português quinhentista Gil Vicente
2004 foi o ano de lançamento de “Blues 55”, CD em que Péricles reuniu, pela primeira vez na história do disco, pela menos no Brasil, duas produções diferentes e inéditas.
A primeira chamada simplesmente “Blues”, com canções num formato mais “acústico” e apresentadas de uma maneira mais convencional, com violão, trompete e piano elétrico.
A segunda, chamada “55”, de sua preferência, mais experimental e eletrônica, em que ele rompe com o maneira de produzir música mais freqüente da conhecida “MPB”, se identificando com modos mais contemporâneos, utilizados tanto pela música chamada “erudita”, como por correntes pop, como o Hip Hop e as fusões dele decorrentes.
No 55, Péricles tratou, na elaboração de cada faixa, de unificar os processos de gravação, composição, arranjos, execução de instrumentos e canto, tornando-os igualmente potentes na definição da identidade e acabamento de cada faixa, tendo como conseqüência, ainda, a expansão da própria noção do que seja uma faixa de disco (duração, gênero e desenvolvimento) e da idéia do que seja uma canção, prática que Péricles desenvolve, como já notamos, desde o seu primeiro disco.
No mesmo ano (e em 2005), um show correspondente a esse disco, com um formato mais próximo da parte “55”. foi realizado em São Paulo, Rio e Porto Alegre.
Em agosto de 2004, Péricles participou do show de comemoração dos 70 anos do compositor, pianista, arranjador e cantor João Donato, em São Paulo (Sesc Vila Mariana) ao lado do próprio e de Marcelo D2 e Wanda Sá.
Entre 2005 e 2006, fez a produção musical de “Lanny, duos”, disco do legendário guitarrista Lanny Gordin com a participação de convidados tais que Adriana Calcanhoto, Fernanda Takai, Gal Costa, Vanessa da Matta, Aanaldo Antunes, Caetano Veloso, Chico César, Edgard Scandurra, Gilberto Gil, Jards Macalé, Junior Barreto, Rodrigo Amarante e Zeca Baleiro. Este CD teve lançamento em 2007.
Ainda em 2006, Péricles participou, como produtor musical, compositor e instrumentista, do novo disco de “Aguilar e Banda Performática”, também lançado em 2007
Em outubro do mesmo ano, pela primeira vez, fez uma apresentação solo (voz e violão) em Brasília dentro do projeto Pauta Funarte.
2007 é também o ano de lançamento do CD “Péricles, o rei da cultura”, em abril, e do início da turnê, em maio, do show correspondente.
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