Péricles
Cavalcanti – tem muito azul em torno
dele
Virginiano
e taurino, carioca e paulistano. Uma síntese
do paradoxo? Sim, é do que parece
se tratar quando o assunto é este
cantor, compositor, instrumentista e filósofo.
Se você ainda não se contentou,
tem mais: ele é grego! Ou, pelo
menos, é coisa de grego –
ou seria coisa de louco?
Para quem não o conhece, uma prévia
biográfica: nasceu em 1947, no
Rio de Janeiro. Escutou música
boa desde cedo. Acompanhou o tropicalismo,
a bossa nova e os tempos difíceis
da repressão militar. Estudou filosofia
na Universidade de São Paulo e
foi para Paris na época da ditadura
continuar os estudos, mas desiludido com
a vida universitária tornou-se
hippie. Casou-se com a física Lídia
Maria Melo Chaib com quem teve dois filhos.
Gravou seu primeiro disco, Canções,
em 1991, no que Caetano Veloso afirmou:
“Péricles marca uma brutal
correção na música
popular de hoje e eu me sinto muito influenciado
desde que o ouvi pela primeira vez”.
Depois,
Péricles gravou Sobre as Ondas,
Mil e Uma e Baião Metafísico.
Lançou ano passado o CD dois em
um Blues 55 pelo selo independente DeleDela.
Seu experimentalismo é –
contagiante? É, isso mesmo, dá
vontade de sair experimentando por aí.
A musicalidade de Péricles é
fruto da mistura de músicas como
o Jazz e o Samba – origem da própria
Bossa Nova – e de muitas outras
influências que, no caso deste artista,
são múltiplas, passando
pelo Blues, pelo Rock, e Erudito, além
de contar com elementos eletrônicos,
poesia, filosofia e muita criatividade.
O músico, nascido também
sob o signo da arte, mostra que música
rica e poesia podem andar juntas, ao contrário
do que geralmente ocorre, já que
nos casos mais sabidos, uma das duas acaba
existindo em detrimento da outra. Com
Péricles é diferente. Sua
formação filosófica
e sua história de vida, notadamente
recheada, dão-lhe a substância
essencial da linguagem, a abrangência
cultural necessária, e a erudição
e simplicidade tocantes num artista. “Pois
ele é o cantor de jazz/ E eu não
chego aos seus pés...”, impossível
não cantarolar O cantor de jazz,
ou Heavy Metal, ou Cindy Lee, ou Medo
de amar, ou, ou...
Seu
lado compositor é forte, por isso,
e não por qualquer coincidência,
ele teve e tem suas músicas gravadas
por grandes cantoras como Gal Costa, Adriana
Calcanhotto e Cássia Eller, por
exemplo. Para esta última, a música
Eu queria ser Cássia Eller, gravada
no Baião Metafísico. A música
foi feita a pedido do poeta Wally Salomão
que, ao sair de um show da Cássia,
ouviu Péricles dizer que se fosse
outro artista, queria ser Cássia
Eller. Na trilha de Péricles Cavalcanti
está seu filho, Leo Cavalcanti,
que participa do Blues 55 com uma música
chamada Tudo sendo Lindo, além
de fazer violão e back vocals em
algumas canções, afinal,
filho de peixe, nasce para ser tubarão.
Para os mais sedentos, o site oficial
do músico é www.periclescavalcanti.com.br.
Lá vocês encontram biografia,
entrevistas, fotos, seção
multimídia e agenda de shows.
Marina Nogueira