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Cid
Campos
Péricles Cavalcanti
(encarte do CD “No lago do
Olho” - 2001)
Quando
Cid me mostrou a música do
que, mais tarde, viria a ser a primeira
parte de “Êxtases”,
achei linda e fiquei impressionado
com a qualidade intrínseca
da composição, a qual
remete, simultânea e sinteticamente,
a modos orientais e ao universo
lírico, típico de
uma canção. E foi
como se ela já contivesse
uma letra potencial que coube a
mim explicitar. Depois, Augusto
fez a música e escreveu as
palavras de uma segunda parte e
lhe deu o nome, o que confirmou
a minha primeira impressão.
Só em um talento genuíno,
como o de Cid Campos (já
há algum tempo atuando como
instrumentista, compositor, arranjador
e produtor), a música pode
acontecer assim: tão sutilmente
universal e quase desapercebidamente
pessoal, misteriosa e precisa, antiga
e atual, aquém e além
das diferenças preliminares
entre invenção e repetição,
mestria e casualidade, arte e técnicas.
E é isso (e muito mais) o
que se ouve neste disco singular,
concebido e realizado com distinção
e clareza, abrangente quanto ao
repertório e influências
(passando pelo rock, pelo samba,
pela música eletrônica,
por simples letras de canções,
por experimentos poético-musicais
de muitas espécies) e que,
contando com um elenco de participantes
tão rico quanto heterogêneo,
soa admiravelmente coeso e contemporâneo.
É, portanto, com alegria
e entusiasmo que saúdo este
CD do CID, amigo e parceiro de tantos
sons.
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