Péricles Cavalcanti
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Péricles lança álbum com humor e erudição

Por LUIZ FERNANDO VIANNA
Folha de S Paulo - Ilustrada – 19/05/2007

Cultuado pelos pares e desconhecido do público, compositor se apresenta em SP Caetano Veloso e Gal Costa, entre outros, gravaram canções de Péricles; shows no Sesc Santana têm participação de Calcanhotto



Na faixa-título de seu novo CD, "O Rei da Cultura", Péricles Cavalcanti canta "Eu sou o rei da cultura", e uma voz acrescenta: "AM". A idéia surgiu após muita gente dizer que ouvia suas músicas na rádio Cultura AM, difícil de sintonizar. E mostra o humor desse compositor cultuado pelos pares e desconhecido do público FM. 
"O disco não se chamaria assim, se a música não fosse irônica. E eu sou Péricles [governante de Atenas na Grécia Antiga], há uma canção chamada "Posseidon" [alusão ao deus grego do mar], o título brinca com essas referências", diz ele, que lança o CD hoje e amanhã, no Sesc Santana, com participação de Adriana Calcanhotto.

Erudição e música popular sempre conviveram na vida e na obra deste carioca crescido em São Paulo, filho de baiana com pernambucano. Ele estudou filosofia na USP (Universidade de São Paulo) no final dos anos 60 e se envolveu com a música desde a adolescência, quando um primo da Bahia chegou a São Paulo trazendo os ainda desconhecidos conterrâneos Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gal Costa. Péricles, que foi ser hippie em Paris em 1969, mudou-se em seguida para Londres, onde conviveu com os baianos exilados. Eles o estimularam a compor mais depois de ouvir suas canções. Gal foi a primeira a gravá-lo, em 1974, e Caetano interpretou algumas ao longo da carreira, como "Elegia", "Blues" e "Musical".

No livro "Verdade Tropical", Caetano diz que o amigo "compõe sem pressa e sem pretensão". Péricles concorda, mas anda mais estimulado a registrar suas canções. Em 60 anos de vida, foram apenas cinco discos, sendo os últimos três de 2000 para cá. "Sinto tendências de crescimento, mas dentro do meu próprio movimento. Estou sempre chegando", diz ele.

Calcanhotto Quem mais tem gravado suas canções é Calcanhotto. Para ela, Péricles reúne "humor fino, cultura, talento, desprendimento e amor ao risco". Os dois dividirão "Sou Sua", "Porto Alegre" e outras nos shows. De Péricles, o parceiro Arnaldo Antunes gravou "Nossa Bagdá" em 2006. E, para alegria do assumido "novidadeiro", que adora conhecer novas tecnologias e tendência, os fãs das novas gerações vêm chegando, como Rodrigo Amarante, que participa de "Samba do Eterno Retorno" no CD. "O que eu gosto no Péricles é sua sábia infantilidade, sua sofisticada pirraça, essa linda mania de fazer a brincadeira ser a coisa mais séria que há", diz o "hermano". Essa descrição se encaixa nas 17 faixas do disco e nas falas de Péricles, que não gosta de grilhões como o do rótulo MPB, no qual não acredita. "Essa sigla virou um academicismo. Acho melhor a bagunça", diz. Os shows acontecem hoje, às 21h, e amanhã, às 19h, no Sesc Santana (av. Luiz Dumont Vilares, 579, SP, tel. 0/xx/11/6971-8700). Os ingressos custam de R$ 8 a R$ 20.