Péricles Cavalcanti
Home Biografia Discografia Multimidia textos Agenda Contato   English
 
 






Júlio Bressane
Péricles Cavalcanti - agosto de 1995
Publicado no livro Cine-olho, organizado por Bernardo Vorobow

Conheci Júlio Bressane na Londres de 1970.
Para todos nós, brasileiros que lá se encontravam nessa época e cujos principais interesses giravam em torno de música popular, do movimento hippie e da cultura pop em geral, a presença dele foi marcante e estimulante a ponto de fazer com que alguns de nós, entre os quais me incluo, pretendessem e mesmo ensaiassem fazer filmes.
Lá, Julinho foi uma espécie de mestre-cicerone amoroso que nos apresentava os filmes B americanos dos anos 50 e 60 — por exemplo, “O incrível homem que encolheu” e “O homem com olhos de raio X” —, os filmes mudos de Murnau e Stroheim, os surrealistas de Bunuel e Cocteau, além dos que ele próprio e Rogério Sganzerla haviam realizado pouco antes no Brasil (os maravilhosos “A Família do barulho” e “Sem essa Aranha”, entre outros).
De lá para cá, nesses 25 anos, vendo e pensando sobre esses filmes e vídeos que ele tem feito, digo que, se é verdade que existem cineastas-pintores, cineastas-filósofos, cineastas-cineastas e outras tantas combinações, então Júlio Bressane é, por excelência, um cineasta-poeta, com um gosto próprio e um olhar único sobre pessoas, coisas e filmes.