Péricles Cavalcanti
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Originalidade como marca registrada
O Fluminense – Segundo Caderno – 06/06/2007 - RJ

Não esperem do compositor, cantor e instrumentista Péricles Cavalcanti um disco normal, dentro dos padrões estéticos vigentes no mercado. Como compositor, ele tem fiadores importantes entre cantores e cantoras de renome que, invariavelmente, gravam suas músicas, como Caetano Veloso, Gal Costa, Lulu Santos e Adriana Calcanhoto.

Em seu novo CD, Péricles, o rei da cultura, o músico esbanja criatividade e personalidade, em canções e arranjos que fogem bastante de qualquer lugar comum, com exceção do lugar comum ao próprio Péricles, como ele mesmo explica ao definir seu novo trabalho:
"Para mim, O rei da cultura é uma expansão natural dos conceitos, experiências em composição e modos de produção musical, iniciados na parte 55 de meu disco anterior, Blues 55", diz.

O rei da cultura tem gêneros diversos, indo do samba ao tango, porém, sempre costurado com uma sonoridade original e coerente ao longo de todo o disco. Das 17 faixas, destaque para Mae West _ Levadas da Breca ("tá certo eu sou boa/ quando eu sou boa/ mas quando eu sou má.../ eu sou ótima"), um samba contido, no qual os deliciosos comentários do trombone de Matias Capovila são tão importantes quanto a própria voz de Péricles.

Cada faixa é uma surpresa. Em Trilha Sonora, o que parecia um grupo de tango vira uma bandinha do interior. Já em Perguntaram a Stravinsky, Péricles ironiza com muita classe a tentativa de se fazer comparações entre gênios incomparáveis, como Picasso e Matisse, Dostoiévski e Tolstói. Ao longo do CD o ouvinte é brindado com idéias e concepções musicais que servem, em última análise, de inspiração. O disco é uma ótima oportunidade para quem não agüenta mais a mesmice da maioria de nossas rádios FM e a prova de que a MPB nunca vai deixar de ser original.