Entervista dj Andy
O domínio perfeito da técnica rende shows de turntablism nas festas especiais de drum'n'bass. A extensa bagagem musical é traduzida em sets emocionantes de tecno, house, ebm, hardcore, que contam a evolução da música de clubes. Não é á toa que muita gente grande tem medo de pegar a pista depois desse DJ...
DJ Andy era Relações Públicas da Overnight, célebre casa noturna da zona leste de São Paulo, quando foi convidado pelo "patrão" Carmo Crunfli para subir à cabine. Era o começo da década de 90, Anderson Cepeda já estava envolvido com os bailinhos de garagem na periferia, e também com os novos sons de pista, que chegavam em discos ao Brasil, especialmente o hardcore. O gênero, que deu origem ao jungle, que deu origem ao drum‚'n'bass, foi favorito das raves inglesas da época e era pouco privilegiado no acervo da boate até então.
"Depois que fui me estabelecendo como residente, uma das minhas atribuições era a de compilar o acervo, então comecei a comprar discos dessa linha musical que estava fazendo minha cabeça na época. O amor só foi crescendo e crescendo‚, diz ele. Dez anos depois, Andy coleciona histórias em que deixou alguns dos DJs mais renomados do drum‚'n'bass mundial de queixo caído e, porque não, até receosos em assumir a pista
pós-Andy. Já aconteceu até com o próprio Andy C, top e homônimo inglês.
Quem já viu, sabe. DJ Andy não deve nada, nem talento, nem bom gosto, para nenhum outro DJ de drum‚'n'bass. Um de seus trunfos é o domínio da técnica. Nos momentos especiais vividos pela cena de debê, em parceria com DJ Marky, ele não
se faz de rogado em, por exemplo, dar um show de turnablism.
É coisa para quem tem intimidade: Andy levanta os toca discos e toca com a pick-up apoiada no braço. A dupla cai na risada, e o queixo do público vai para o chão.
A carreira do DJ está franca ascensão. Ele acaba de lançar dois singles de grande impacto mundial, você já leu na BEATZ. Booh! saiu pelo Chronic, subselo da V Recordings de Bryan Gee. Copacabana/Get It Make me High tem a estampa do nova-iorquino Puhutristic Bluez. Já passava da hora. Olhando para trás, e para sua própria trajetória na Over, como ele chama carinhosamente o clube onde foi residente durante mais de dez anos, é possível se dar conta do trabalho de formação de publico que DJ Andy faz. Um dos seus prazeres, por exemplo, tem sido tocar tecno, house e EBM para a nova audiência eletrônica. O povo não acredita...
Quais as suas melhores lembranças da Overnight? A Over era a melhor casa de São Paulo. Vi e vivi muita coisa lá. Só 1996 foi um ano muito estranho, o som minimal que reinava no Hell's começava a ser o sabor do momento, as pessoas começaram a cair nessa como modinha e gente mal intencionada começou a promover esse som em contraposição ao jungle, como se o sucesso das festas deles dependesse do fracasso da nossa. Prevendo que o pior viria, tomamos uma iniciativa que acabou por ser um dos momentos mais ines-quecíveis da cena de drum'n'bass: a festa Don't Kill The Jungle, que juntou todos os DJs do estilo na época (Marky, Andy, Patife, Koloral) e teve até um dos primeiros lives do Xerxes. Casa lotada e vibe absurda. A Overnight é parte da minha vida, sinto muita saudade.
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