De noite Dj, de dia…

A imensa maioria dos Djs brasileiros têm de conciliar uma vida dupla antes de passar a viver só da discotecagem. muito além do glamour da noite, Eles trabalham em ambientes que nada têm a ver com música e computadores. Ou será que têm?

Os DJs têm uma das profissões mais glamourosas da atualidade. Quem não quer viver de escutar música, comprar disco e sair na noite? Mas o negócio é concorrido e o espaço para tops, cada vez fica menor. Vários ótimos profissionais ainda têm de manter um emprego diúrno para pagar as contas no final do mês. Ainda mais quando a moeda brasileira está desvalo-rizada e um single em vinil custa em média R$ 40. Há ainda o outro lado do disco. Muitos nomes famosos da discotecagem nacional já conseguiram largar traba-lhos "convencionais" para se dedicar só à música.

Rica Amaral era dentista e vendeu seu consultório para virar o DJ de trance mais conhecido do Brasil. Snoop fez sucesso no tecno e há três meses não precisa mais acordar cedo para trabalhar numa gráfica. "Não faço fortuna como DJ, mas pude largar o serviço", conta ele.

O houseiro Mimi, depois de ralar dez anos como tor-neiro mecânico da Ford, pode dizer o mesmo desde o ano passado. "Nunca gostei muito de ter chefe, horário para acordar e para comer. Você vive em função daquilo e perde um pouco o prazer da vida", diz. Tocando hoje no mínimo três vezes por semana, ele consegue ga-nhar o mesmo que na época em que trabalhava com carteira assinada. E quem pensa que ser técnico em mecatrônica só serve para operar máquinas que montam painéis e rádios de carros, está muito enganado. "Se minha Technics quebra, eu mesmo conserto. Tem gente que paga uma fortuna", revela Mimi. Mas, sem querer desanimar, o caso deles é raro.

Todo DJ dorme até tarde? Mentira. Há 10 anos, todos os dias da semana, Dan Lambert acorda às 5h45 e toma duas conduções para chegar ao trabalho. É torneiro mecânico em uma metalúrgica que recupera válvulas e peças industriais. "Fico pensando se foi esse tipo de serviço que influenciou o pessoal de Detroit", diz ele, referindo-se à cidade industrial americana onde surgiu o tecno. Seus companheiros na empresa preferem samba e forró e muitas vezes tiram sarro de sua outra profissão. "Mas não ligo, acho divertido", diz ele.

Para comprar disco, Dan já teve de arranjar um bico de entregador de brindes nos finais de semana. Ganhava R$ 15, dinheiro suficiente para comprar um vinil na época. Hoje, Dan conseguiu comprar um antigo computador 486 com 64 mega de memória, que usa para produzir música. "Não acreditam no que consigo fazer em um equipamento tão precário. Produzo umas seis músicas por mês e toco todas nos meus sets, o que compensa a falta de dinheiro para comprar disco", conta.

O DJ e metalúrgico até pensou em parar de tocar: "Só gastava e não via retorno. Mas voltou a empolgação". Por enquanto, não dá pra ele escolher. "Não conseguiria me sustentar como DJ."






















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