MetrosexualMetrossexual é o homem que vive nas grandes metrópoles, se interessa pelo sexo oposto e não tem vergonha de dizer que cuida do corpo, da alma, da pele e do guarda-roupa. Seria o lado feminino aflorando no homem do início do século 21? Ou pura vaidade assumida? Há meses o termo vem se tornando corrente na mídia mundial. Fala sobre esses homens entre 25 e 45 anos, que aumentam os lucros das indústrias da moda e da cosmética, principalmente. Os ícones desse nicho de mercado andam por aí em carros importados, vestem grife, freqüentam academias e perfumarias. Os milionários brazucas Álvaro Garnero e João Paulo Diniz são exemplos recorrentes, bem como o elenco da sitcom americana The Queer Eye for the Straight Guy. O jogador inglês de futebol David Beckham é o ícone maior dessa nova geração que viu suas mães lutarem por direitos iguais aos dos homens no final do século 20.
Na vida real, você já deve ter notado homens bonitos e musculosos se espelhando no vidro do metrô para conferir os bíceps, ou ouvir o namorado de uma amiga discorrer sobre cremes para a pele. Esses homens também têm muitos amigos gays e adoram sair para dançar nos lugares do momento. Muitas vezes são confundidos com gays. Mas metrossexuais gostam de mulheres. E estão até nas baladas eletrônicas.
"Se é possível definir alguém pelo jeito como se veste, então sou um metrossexual, sim", afirma o DJ e produtor nova-iorquino Victor Calderone. Parceiro de Madonna e outros pop stars, ele é dono de grande reputação dentro da house music de Nova York. Calderone tem estilo impecável e corpo malhado. Seria esse o pulo do gato para um heterossexual fazer sucesso no universo gay? O DJ diz que não sabe explicar como começou a tocar em clubes e festas gays, mas duvida que o motivo seja a sua aparência. "Ter amigos gays não influencia minha vida particular", diz ele, que é casado e pai recente. Mas Calderone concorda com a afirmação do DJ Danny Tenaglia, de que os melhores DJs são gays: "os gays têm muita cultura, de forma geral e musicalmente falando". Afirmações como essas só dimi-nuem a tênue linha que separa a cultura club de gays e héteros. Hoje em dia, pessoas de qualquer preferência sexual vivem em harmonia nos clubes descolados de Nova York, Londres, Berlim e também de São Paulo e do Rio de Janeiro. "Já ouvi muitos DJs héteros que fazem um som maravilhoso também", conta Calderone. Não é a sexualidade, enfim, que faz a diferença atrás das pick-ups.
"O narcisismo é a doença da vaidade, da qual eu não sofro", revela o videomaker Axel Weisz, de 29 anos. Ele começou a freqüentar uma academia de ginástica para "manter o corpo afinado com a mente". Axel costuma sair várias vezes na semana para festas, clubes e bares. "A grande maioria dos lugares podem ser chamados de GLS. A imensa maioria de meus amigos é gay", conta. O moderno Ampgalaxy, misto de bar/loja/clube em São Paulo, é dos lugares preferidos de Axel. Lá se pode avistar vários homens bem vestidos, com cabelos atuais, corpos em dia e a pele bem tratada. Um deles, Reinaldo Shida, o Lecuk, de 38 anos, é sócio do espaço.
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