Buscar
Home Home
Home

Produção Audiovisual   

Curta / NET / Digital Video


Tecnologia Digital

Evento mostra as novidades do cinema digital
Por Fabrício Pinto

Diretores, fotógrafos, montadores e finalizadores mostram como andam as novas tecnologias para se produzir em digital e como utilizá-las a favor da criação cinematográfica

Produtores, cineastas, estudantes e profissionais de vídeo e multimídia tiveram dois dias de um rico aprendizado sobre o cinema digital, em contato direto com realizadores como Roberto Moreira, que acaba de fazer seu longa-metragem em Mini-DV, “Contra Todos”, e Eduardo Gurman, um dos diretores de motion capture de “Matrix Reloaded”. O encontro aconteceu durante a 3ª Conferência Digital, realizada pela Revista de CINEMA, no auditório do Espaço Cultural Fuji Film, com o objetivo de debater as novas experiências na criação cinematográfica através das novas tecnologias na área de captação, edição, efeitos especiais e finalização digital, e como estão sendo usadas para produzir filmes e produtos para TV. A Revista de CINEMA promove este evento desde 2001, época em que a produção digital para cinema estava na fase inicial e ainda questionava-se sua utilização como suporte para cinema.

Cláudio Portioli, diretor de fotografia do filme "O Martelo de Vulcano", discursa no Espaço Fuji
Passaram-se três anos: hoje, além de ser uma realidade para projetos com orçamentos reduzidos, e também para projetos grandiosos, como “Xuxa e os Duendes” e “Xuxa e os Duendes no Caminho das Fadas”, já existem três salas de cinema com projeção digital no Brasil. Com um mercado que cresce rapidamente, e que com certeza expandirá ainda mais nos próximos anos, a 3ª Conferência pôs em pauta as duas pontas da questão: a tecnologia a favor de uma redução de custo na produção e como ela permite ao diretor ganhar na parte de criação cinematográfica.

Roberto Moreira, professor de cinema da ECA/USP, é um grande defensor do cinema “câmera na mão” e de uma dramaturgia improvisada. Em seu filme os atores só conheciam as suas falas na hora de filmar. Esse tipo de dramaturgia, mais experimental, encaixa-se bem na produção digital. A tática de Moreira foi filmar e filmar e, quanto mais takes fizesse de uma cena, melhor. Pretendia ter um grande banco de imagens, e assim teria na montagem mais opções de cenas. Ou seja, pode reconstruir o filme diante do computador. Por isso mesmo ele citou a importância de tirar inúmeros takes e closes da mesma cena para obter um resultado satisfatório, tendo em vista que esse tipo de suporte permite captação ilimitada sem custo.

José Augusto de Blasiis, diretor dos estúdios MegaCollor, um especialista em pós-produção e finalização de cinema, pelo contrário, é um defensor do cinema de película, e diz que filmar em mini-dv, “amontoando cenas”, pode representar um ganho de tempo na hora de captar, mas depois trará mais trabalho na edição. Defende que cada projeto em digital precisa de orientação quanto ao uso correto da câmera e sua iluminação, e reconhece a economia de recursos financeiros que esse modelo permite.

Marcelo Siqueira, diretor de efeitos especiais da TeleImage
Moreira captou com uma câmera DSR da Sony, de 30P, 300 horas de filme, e aponta que para o melhor resultado na imagem o ideal é trabalhar na filmagem o balanceamento da luz, os pontos e as marcações, porque, segundo o cineasta, cada laboratório tem uma técnica diferente. “Para um resultado de acordo com o que se deseja, o laboratório deve transferir o material com a referência da matriz, que foi medida pelo fotógrafo”, analisa o cineasta, que gastou R$ 500 mil no longa. “O modelo de produção em película é muito caro, gasta-se tempo, muito tempo, e o alto custo para um lançamento é uma das grandes barreiras. Acredito que o digital pode ser o caminho para a realização efetiva de filmes no país”, complementa.

A montadora do filme “Contra Todos”, Mirella Martineli, afirma que, para o montador, o imenso arquivo de opções de cena é bem mais satisfatório que a quantidade de cenas que permite a filmagem em película. Pela primeira vez montou um filme em digital, e passou algumas dicas importantes: é necessário fazer backup da mídia de som, porque isto garante uma segurança no trabalho, devido a problemas que geralmente ocorrem no HD externo; marcação da continuidade é importante, principalmente para trabalhos que tenham muitas horas de filmagem, pois isso facilitará na busca do material no HD.

O fim do filme “Contra Todos” é a sala de cinema, por isso ele será passado para a película, no processo conhecido como Transfer Tape to Film. Marcelo Siqueira, diretor de Efeitos Especiais da TeleImage, levou para a conferência imagens do filme “Martelo de Vulcano”, que foram captadas em digital e já estavam em película. O filme é sobre a série da TV Cultura “Ilha Rá-Tim-Bum” e deve estrear nas férias de julho. O fotógrafo de “O Martelo de Vulcano”, Cláudio Portioli, foi mais técnico e abordou aspectos de profundidade da câmera HD em relação à película. Portioli trabalhou com duas câmeras HD 24P, Sony e Panasonic. Ele explicou que “não há muita diferença na utilização desses dois suportes. Basicamente o que se precisa é a presença de um engenheiro de vídeo para calibrar a câmera”. Portioli acrescenta que as câmeras HD têm uma resposta muito boa de cor, principalmente no contraste, em relação ao processo tradicional de captação.

O Motion Designer, Eduardo Gurman, único brasileiro a trabalhar na equipe de efeitos especiais de “Matrix Reloaded” e “Matrix Revolutions”, demonstrou a tecnologia que é a grande atração do filme, as acrobacias performáticas finalizadas no computador. O Motion Capture foi desenvolvido para medicina biomecânica e ortopédica, e adaptado para animação e muito usado nos videogames. Gurman disse que para captar com perfeição o movimento humano nas cenas de “Matrix” foram necessários 46 sensores revestidos com material brilhoso colados no corpo de cada um dos dublês e atores, para representarem o tamanho dos ossos do corpo humano. Trinta e duas câmeras ligadas diretamente no computador foram dispostas em triângulo em três níveis diferentes de altura para captarem uma área de 20m x 20 m. Depois de ensaios e muito treinamento as cenas eram capturadas diretamente para o sistema da Motion Analysis, chamado EVA. Depois da animação, as imagens eram levadas para o Filmbox, programa desenvolvido pela Kayadara, onde eram “envelopados os esqueletos”, para texturizados, corpos e objetos de cena.


© Copyright 2001-2002  Revista de Cinema
www.revistadecinema.com.br

CD