Revista do Mercosul N° 73 Ano 2001

A importância do reflorestamento
Como evitar a importação de madeira

O Brasil enfrenta a concorrência da Argentina e do Uruguai, países que já possuem planos de reflorestamento

 

O Brasil precisa plantar em torno de 500 mil hectares por ano de florestas para atender a demanda do mercado de celulose e móveis, mas a plantação atinge apenas 170 mil hectares/ano. O déficit florestal está preocupando as empresas que fornecem matéria-prima para a indústria de celulose, papel e mo-

veleira. O setor enfrenta dificuldades para investir a longo prazo. "Precisamos de uma política de incentivos, com uma legislação adequada e taxas de financiamento acessíveis", afirmou o presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Flávio Arruda Dutra. O segmento quer evitar a importação de madeira do Mercosul e a instalação de uma fábrica de MDF (chapas de madeira) para incrementar as vendas.

O Rio Grande do Sul possui uma base florestal de 390 mil hectares plantados de pínus, eucalipto e acácia para atender a demanda até 2005. Deste total, são plantados nove mil hectares/ano para um consumo de 28 mil hectares. O déficit regional pode causar a falta de matéria-prima para atender a demanda. "Dependendo do tipo de floresta, a média é de oito anos para se ter retorno da matéria-prima na celulose e de 15 anos para móveis", revelou Dutra. O Estado enfrenta a concorrência da Argentina e do Uruguai, países que já possuem planos de reflorestamento. "Existe um Fundopem especial há quatro anos, mas pouco usado pelas indústrias. O governo precisa dinamizar os incentivos", criticou Dutra.

Segundo o empresário, mesmo com o déficit previsto, a tendência do mercado interno é de crescimento nas vendas de madeira, acompanhando a recuperação da economia projetada em 3,5%. A Ageflor tem 50 associados e toda a cadeia produtiva gera mais de 200 mil empregos diretos. "Uma das vantagens de se investir na base florestal é a absorção de mão-de-obra não qualificada", destacou Dutra. A indústria florestal tem um ICMS de 17% e enfrenta os custos de frete. No Paraná existem três fábricas de MDF, com mais uma em São Paulo. O governo do estado negocia há quatro meses com um grupo alemão para trazer uma unidade de transformação. O pínus é mais utilizado para móveis, o eucalipto para celulose, e a acácia para carvão e tanino (curtimento do couro).

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