Revista do Mercosul N° 76 Ano 2001

Agroexport

Cresce a produção de orgânicos

Países em desenvolvimento estão entre os grandes produtores de alimentos sem produtos químicos

O mercado de alimentos orgânicos – produzidos sem a utilização de pesticidas ou produtos químicos – está crescendo rapidamente nos países insdustrializados e até em vários países em desenvolvimento. De acordo com o Centro de Comércio Internacional (CTI), uma agência da ONU, a venda anual de produtos orgânicos já chega a US$ 17,5 bilhões, valor equivalente ao mercado mundial de café.

E esta expansão dos alimentos sem agrotóxicos não se dá apenas por um fortalecimento da consciência do consumidor quanto às questões ambientais, mas pela promoção agressiva que os varejistas vêm fazendo. A vaca louca, a aftosa, a dioxina e os alimentos geneticamente modificados também colaboraram para a decolagem dos orgânicos.

As vendas deste tipo de produto oscilam, na maioria dos países industrializados, de 1 a 2% do total do setor agrícola. Os Estados Unidos encabeçam as vendas, com oito bilhões de dólares por ano, ou 1,5% do total de alimentos comercializados em todo o mundo. Em seguida, está a Alemanha, com cerca de 2,3 bilhões. Entretanto, os países que registram crescente consumo de orgânicos são a Dinamarca, a Suíça e a Áustria. Hoje, a produção certificada de orgânicos existe em 140 países, 90 deles em desenvolvimento. A grande preocupação da ONU, agora, é com o custo da certificação, que, por ser muito alto, impede o aumento mais expressivo da produção de orgânicos em países em desenvolvimento.

Índios exportam mangas cultivadas sem produtos químicos

Índios dos municípios de Aquidauana e Miranda se preparam para o segundo ano de exportação da manga agroecológica. Eles contam com apoio do Instituto de Desenvolvimento Agrário, Assistência Técnica e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul (Idaterra), que disponibiliza técnicos e mercado para compra do produto. Segundo o diretor-presidente do Idaterra, Valteci Ribeiro de Castro Junior, este ano a quantidade de exportação deve aumentar. No ano passado, cerca de 15 mil toneladas de manga orgânica do tipo bourbon foram exportadas.

Brasil é modelo agrícola para Moçambique

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural de Moçambique, Helder dos Santos Muteia, esteve no Brasil para estreitar os laços de cooperação entre os dois países. Segundo Muteia, Moçambique tem especial interesse em ampliar seus contatos com a Embrapa.

O intercâmbio tecnológico com a Embrapa existe há três anos e foi responsável pela passagem de cerca de 20 técnicos de Moçambique pelo Brasil para treinamento em tecnologias de produção de arroz, milho, feijão e mandioca, de outubro do ano passado a julho deste ano. O ministro moçambicano esteve com o ministro brasileiro da Agricultura, Pratini de Moraes. Eles conversaram sobre a consolidação do intercâmbio entre os dois países em projetos na área de tecnologia e agroindústria.

Mercado Asiático

Produção artesanal de erva-mate é exportada para o Japão

O cultivo da erva-mate no estado de Mato Grosso do Sul é artesanal. Mas isso não impede lucro de pelo menos 50% com a exportação do produto, inclusive para o Japão. A planta é utilizada no tereré sul mato-grossense e no chimarrão dos gaúchos. Na região, o cultivo da erva-mate é uma tradição de família e indica a atividade como alternativa para a geração de renda com a produção agrícola. No mundo, apenas os solos de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e de parte da Argentina são próprios para a cultura da erva-mate.

Peru quer triplicar produção de pisco

A bebida nacional do Peru, o pisco, se tornará a nova sensação mundial se as autoridades do país conseguirem atingir sua meta de triplicar a produção em até cinco anos. No ano passado, o Peru produziu 1,5 milhão de litros do destilado de uva.

Somente mil hectares dos 10 mil de parreiras do país são voltados para a produção de pisco. Fernando Aguirre, membro da Comissão de Promoção das Exportações e coordenador da agência nacional do pisco, afirmou que, com a mistura certa de marketing e de apoio da indústria, cerca de três mil hectares de plantações de uva do Peru poderão em breve produzir a bebida.

Segundo as autoridades, o crescimento das vendas poderia criar cerca de 20 mil empregos no país, que sofre com a falta de postos de trabalho. A economia peruana, baseada na pesca e na mineração, vem encolhendo desde 1998.

Mas o Peru ainda tem de se entender com o vizinho Chile, que também considera o pisco sua bebida nacional. "Estamos trabalhando para firmar a marca 'pisco' como peruana", disse Teresa Mera, da Comissão de Proteção ao Consumidor do Peru.

Brasil e Chile avançam em negociações agrícolas

A reunião entre Brasil e Chile, para discutir temas comerciais de interesse recíproco do Acordo de Complementação Econômica, rende avanços significativos no setor agrícola, que terá aumentos nas quotas de alguns produtos e no setor químico. Os dois países também discutem propostas para aumentar o acesso de produtos automotivos a seus mercados.

Pimenta brasileira faz sucesso no exterior

ABrazil Pepper, criada há 11 meses, embarcou um contêiner com 70 mil vidros decorados de pimenta para a Arábia Saudita e já negocia com o Japão. A empresa, que iniciou com uma produção caseira, hoje monta duas toneladas de grãos/mês e tem uma carteira de 500 clientes em todo o país.

Segundo a proprietária, Fabiana Cristina Gonçalves, as feiras e um contato com a Câmara de Comércio Árabe levaram a empresa à exportação. A Brazil Pepper conquistou o apoio da Embrapa e do Ministério da Agricultura para uma pesquisa que a empresária vêm fazendo sobre a pimenta e que deve gerar um livro. "Queremos mostrar o lado bom da pimenta, os benefícios que ela proporciona, desde que consumida com moderação", disse.

A Brazil Pepper comercializa 72 tipos de vidros importados (com formas diferentes) com camadas coloridas de grãos de pimenta, nas cores vermelha, amarela e verde. Os potes variam de R$3,20 a R$200.

Native quer elevar exportações em 15%

A Native, fabricante de açúcar orgânico, quer ampliar suas exportações em 15% de olho nesse mercado "natural". Segundo a empresa, nos Estados Unidos, por exemplo, uma em cada dez famílias compra produtos orgânicos. A informação é do National Organics Program, do Departamento de Agricultura do país. Até 2005, quatro em dez devem consumir produtos orgânicos, fazendo o mercado crescer até 150%.

Agripec prepara salto rumo ao mercado exterior em 2002

Apesar de centrar o foco no mercado nacional, a cearense Agripec Química e Farmacêutica S/A, fabricante de defensivos agrícolas, tem planos de exportar a partir do próximo ano. A estratégia envolve o lançamento, até fevereiro, de oito novos produtos com maior valor agregado para o exterior. "Estamos em negociação com empresas do Chile, México, Estados Unidos, França, Espanha e Itália", afirma o diretor-industrial, Carlos Alberto Studart. A empresa pretende produzir sete mil toneladas/ano para atender os mercados interno e externo. A proposta é fabricar os defensivos para outras indústrias, que entram com a marca, insumo e investimentos, e a Agripec com a tecnologia e beneficiamento.

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