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A Apex
está mais agressiva
Os
municípios agora contam com apoio para a instalação de
distritos industriais voltados para o mercado externo
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A
Agência de Promoção de Exportações do Brasil
(Apex-Brasil) já tem definido o perfil desejado pelo governo: fomentadora
direta das exportações, mesmo que para isso seja preciso atuar
diretamente nos estadose e nos municípios.
A missão
da Apex é aumentar em US$ 6 bilhões as vendas externas. Para
atingir a meta, a agência, além de estar envolvida na promoção
à exportação, adquiriu outras funções,
como fazer a capacitação da cadeia produtiva, contratar consultores
estrangeiros para inserir produtos brasileiros em outros países e atuar,
em parceria com governos estaduais e municipais, na formação
de distritos industriais.
A
intenção é que a Apex amplie a base exportadora brasileira,
trazendo para perto o maior número de pequenas empresas e, como conseqüência,
consiga elevar a variedade dos produtos e serviços comercializados.
O presidente da Apex, Juan Quirós, mostra, com números, a necessidade
urgente de diversificação da pauta de produtos e serviços
do país vendidos no exterior: de cinco milhões de
empresas registradas, 19 mil exportam e 100 produtos correspondem a 80% da
receita de exportação do país. "Nosso objetivo",
acrescenta ele, "é focar em projetos que atendam à cadeia
produtiva como um todo, não apenas o setor. Em vez de atender só
ao produto final, vamos atender o produtor dos equipamentos usados para fabricar
o produto, a matéria-prima, os insumos que serão utilizados",
explica.
A Apex agora tende a ser tornar uma superagência, com o raio de ação ampliado. Na visão do presidente, a função do órgão é a promoção comercial dos produtos brasileiros, a prospecção de mercados no exterior e a participação em processos de inteligência comercial. A maior abrangência da entidade não exclui a continuidade dos projetos da antiga gestão, que deverão continuar, mas estão sendo revistos. Segundo Quirós, os investimentos da agência terão que atender a novas exigências. "Os projetos que não se enquadrarem serão cancelados, por causa da falta de consistência".
O maior desafio da Apex não está no exterior, mas internamente: trata-se do orçamento. Com R$ 198 milhões, a agência terá que rever seus cálculos para poder atuar em tantas frentes. "Temos R$ 95 milhões para continuarmos com os projetos existentes que dão certo, mas adaptando-os à visão de cadeia produtiva, e outros R$ 85 milhões para atender aos novos projetos que estão nascendo com a concepção do atual perfil da instituição", informa Quirós.
Para ajustar as contas e os projetos, foi criado o Plano Estratégico de Promoção Comercial, que conterá levantamento das pautas exportadoras dos estados. O trabalho inclui o mapeamento e a identificação dos produtos e serviços a exportados e os mercados compradores. A primeira parte já foi feita, com a definição das atividades produtivas e os potenciais clientes. Agora, os produtos e serviços estão tendo seus espaços identificados no mercado internacional. O objetivo é saber se um país já é comprador, qual produto e, principalmente, apontar os caminhos para a exportação de outros produtos que, porventura, o país importa e o Brasil poderia fornecer.
Essa operação, segundo Quirós, é executada por um grupo de inteligência que vai se infiltrar na linha do inimigo e, a partir daí, fazer ações comerciais. "Queremos saber quem está comprando o produto, qual é o preço que o comprador está disposto a pagar, quem são os concorrentes, quais os problemas de logística para levar esse produto ao mercado- alvo, as barreiras técnicas e nãotarifárias desses produtos. Já para a prospecção de mercados, teremos o apoio do Itamaraty, mas, ao mesmo tempo, vamos contratar consultorias estrangeiras e fazer missões de exploração de mercado. Quando eu estava na Federação das Indústrias de São Paulo (Quirós era diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp), a entidade organizou uma missão paulista à Rússia. Noventa dias antes da missão, contratamos uma consultoria. Com isso, os empresários saíram de São Paulo com uma lista de produtos que poderiam vender, com o preço que precisariam ter, a logística de transportes que eles usariam para exportar, quem seriam seus contatos lá e o volume mínimo de compra de cada produto. Em uma semana realizamos vendas de US$ 46 milhões".
O levantamento já mostrou que o estado de Goiás é o 13 º exportador do país e tem cerca de 73% das vendas externas voltadas para produtos básicos; a Alemanha é o país que mais compra dos goianos. "A partir desse levantamento, vamos fazer acordo de cooperação com o estado para trabalho conjunto de promoção das exportações na Alemanha, onde certamente descobriremos outras demandas por produtos brasileiros", afirma o presidente. Com essa estratégia, Quirós acredita que será possível diagnosticar a vocação de cada estado e ampliar a base exportadora.
Mário
Mugnaini na Camex
O secretário-executivo
da Câmara de Comércio Exterior (Camex), o engenheiro industrial
químico Mário Mugnaini Jr., 62 anos, ex-diretor-executivo da
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp), já trabalha na nova formatação da Câmara,
com a previsão de inclusão de membros da iniciativa privada.
Na Fiesp, Mugnaini teve sob sua responsabilidade estudos de projetos relacionados com competitividade, negociações internacionais, comércio exterior, meio ambiente e infra-estrutura. Liderou ainda missões empresariais internacionais de promoção e negociação.
Graduado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e especialista em projetos internacionais, Mugnaini, na atividade privada, trabalhou como diretor-geral da Degrémont Sta Ltda. e como diretor de desenvolvimento de negócios da Ecosan Ltda., empresas fabricantes de bens de capital para saneamento ambiental.
Ivan
Ramalho na Secex
O economista Ivan Ramalho, 53 anos, secretário de Comércio
Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, ocupava o cargo de secretário-adjunto da Secretaria, na qual
gerenciava o projeto Desenvolvimento do setor exportador, e estava interinamente
como secretário desde a saída de Lytha Spíndola, no início
de janeiro.
Ramalho representou o Brasil em diversas negociações internacionais, entre elas no chamado Processo de Kimberley, que tratou da comercialização de diamantes no mercado internacional. Ele é também representante da Secex no Conselho do Fundo de Garantia das Exportações, do Ministério da Fazenda, e no Conselho de Desenvolvimento da Política Cafeeira, do Ministério da Agricultura. Ramalho ocupou outros cargos públicos anteriormente, entre eles o de diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior, ligado à Secex; o de chefe do departamento de Máquinas e Equipamentos da Carteira de Comércio Exterior, do Banco do Brasil; e o de coordenador do grupo técnico responsável pelo desenvolvimento e implantação do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex).
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