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................................... ANO 12 - Nº 89 - 2003 - ISSN 0104-9178..................................

Panela de barro abre caminho para o mercado internacional
O artesanato brasileiro tem motivos para comemorar. Pela primeira vez na história da atividade no Brasil, com o apoio da Apex- Brasil, foi firmado o primeiro contrato formal de exportação entre um artesão brasileiro e uma empresa estrangeira.

O capixaba Lauri Mindas, 42 anos, nascido em Guarapari (ES), que produz panelas de barro no galpão de um terreno vizinho a sua residência, fechou contrato com a O'Reps, empresa da cidade francesa Le Petit. O primeiro contâiner com quatro panelas já foi enviado para a Europa, onde mais dez países querem o produto de Lauri. Também Rússia fará negócios com o artesão do Espírito Santo.

Lauri, ex-caminhoneiro, encontrou no artesanato a garantia do sustento de sua família. Hoje em dia, Lauri produz panelas de barro com a ajuda de seus familiares – a mulher já era artesã na época em que ele ainda trabalhava com transporte. Lauri conta que há oito anos começou a manufaturar as panelas no quintal de sua casa, com a ajuda da esposa, da cunhada e de outros parentes. Aos poucos, a família foi adquirindo prática e aprimorando o método de fabricação das panelas. A atividade se desenvolveu e Lauri teve que adequar o processo de produção à nova realidade. "Tivemos que alugar um terreno, onde construímos um galpão. Ainda ensinamos a quarenta aprendizes e hoje nós produzimos até cinco mil panelas por mês", diz ele.

No ano passado, Lauri foi convidado para a Feira de Artesanato de Frankfurt, na Alemanha, e levou algumas amostras de suas panelas de barro. Os examinadores da feira analisaram o produto e depois enviaram um documento ao artesão atestando sua qualidade.

Embarques de software: convocação a 80 empresas
A Agência de Promoção de Exportações (Apex) promete dar impulso à exportação de softwares. A agência investirá US$ 3,6 milhões na promoção comercial de programas de computador brasileiros no exterior. A expectativa é que no final do ano que vem 80 empresas sejam atendidas e tenham embarcado US$ 17 milhões. Serão contempladas empresas de Brasília, Paraíba, Ceará e Pernambuco. Na capital federal, o projeto é denominado Brains (Brazilian Intelligence in
Software) e deve alavancar as exportações de 20 empresas.

As iniciativas da Apex junto ao software nacional tiveram início em 1998, por meio da oferta de produtos, via comércio eletrônico, aos Estados Unidos. Pouco tempo depois, ainda vinculada ao Sebrae, a agência abandonou o projeto por falta de resultados. Assim, em 2000, a agência voltou as atenções a centros de excelência de software. O primeiro pólo beneficiado foi o de Brasília, que embarcou US$ 600 mil. A partir daí, a agência passou a organizar a participação de empresas nacionais em feiras mundiais e a traçar projetos de divulgação do software nacional lá fora.

Calçados nordestinos ganham destaque no exterior
Os fabricantes de calçados do Nordeste comemoram o segundo lugar nas exportações do país, ficando atrás da Região Sul, que corresponde a 81% do total. Há um ano, a participação nordestina no
ranking das vendas externas não chegava a 1%. O crescimento é resultado da expansão do pólos industriais, como o da Paraíba e da Bahia, com 83 empresas, e da consolidação de centros produtores como o do Ceará, que já contam com nove indústrias.

Fabricantes de veículos ampliam laços no exterior
Com fábrica em Osasco, São Paulo, o grupo de Sistemas Automotivos Dana fornecerá componentes estruturais para as novas picapes F-150, modelo 2004, da Ford Motor Company, nos EUA. A empresa usará nos novos chassis o método de hidroformagem Robo Clamp, que permite a injeção de água e outros líquidos sob alta pressão em um tubo que, colocado dentro de um molde fechado, ganha a forma externa da longarina (vigas de secção variável). A vantagem do novo método para as F- 150 é o aumento de 50% na resistência à flexão, em comparação ao modelo atual. O que garante mais segurança aos consumidores. A Dana também vai fornecer os chassis hidroformados para os de veículos médios da Land Rover, que serão fabricados na Inglaterra. A Marcopolo, fabricante de ônibus e caminhões, desenvolveu modelo de chassis especialmente para o mercado europeu. O Andare Class é para o transporte rodoviário de passageiros em pequenas e médias distâncias. O chassis é fabricado na Suécia, e o veículo, que tem tratamento especial contra corrosão, é montado na unidade de Portugal.

Móveis gaúchos fazem sucesso no México
A boa aceitação por parte dos mexicanos dos móveis produzidos no Rio Grande do Sul ampliou a participação de empresas gaúchas na feira Expomueble Guadalajara. O grupo de 17 pequenas e médias indústrias prospectou clientes e abriu frente para a entrada dos produtos desse segmento, com ação de desenvolvimento comercial naquele mercado. De acordo com o Superintendente do Sebrae do Rio Grande do Sul, Deomedes Talini, a estratégia inclui a mudança de um brasileiro para residir no México por, pelo menos, seis meses, para aumentar a efetividade das negociações. A tática tem o apoio do órgão, através do Sebraexport Móveis. Graças a esse programa, 64 empresas exportaram, em 2002, US$ 36,5 milhões, o que representa crescimento de 9% em relação ao ano anterior.

Variglog reforça atuação no Sul do país
O braço de transportes de cargas da Varig, a VarigLog, reforçou sua atuação no Sul do Brasil com a elevação do movimento de cargas internacionais. As idas e vindas de encomendas do estrangeiro e o aquecimento do mercado interno a partir de outubro passado geraram um faturamento de US$ 50 milhões com circulação de cerca de 500 toneladas semanais. Os principais produtos transportados foram couro e calçados (40%), alimentos perecíveis (principalmente carne), máquinas e equipamentos em geral. Na rota estão Estados Unidos, Europa e países sulamericanos, que são atendidos pela frota de sete cargueiros que vão e voltam carregados.

África do Sul estreita relações comerciais com Paraná
As empresas da África do Sul e do Paraná estão mais próximas. O embaixador sul-africano no Brasil, Mbulelo Rakwena, e o cônsul Derick Moyo, visitaram a Companhia Brasileira de Logística (CBL). A empresa é um dos sete terminais privados que operam no corredor de exportações do Porto de Paranaguá e despertou o interesse da comitiva por apresentar diferenciais importantes para o mercado externo, como a separação de grãos com certificado de qualidade. A África do Sul, 40 milhões de habitantes, tem demanda muito grande por grãos e cereais, o que tem levado as autoridades a buscar alternativas para o abastecimento do país. Segundo Rakwena, são bastante positivas as expectativas de aumento das negociações entre empresas exportadoras paranaenses e importadoras da África do Sul. O país possui seis portos aptos a receber os navios carregados com os grãos brasileiros, em especial soja e farelo.

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