Mamutes Mutantes
 

Rita participava de um conjunto ao lado de mais duas amigas quando, em meados dos anos 60, conheceu a turma de um garoto dentuço da Pompéia. Elas, boas de vocais e fracas de acompanhamento. Eles, muito bons músicos, porém, fracos no vocal. A junção, quase natural, deu origem ao O'Seis, que chegou a gravar a música O suicida em um compacto nunca lançado. Logo depois, aconteceram algumas baixas, e Rita ficou como a única garota ao lado dos irmãos Sérgio e Arnaldo Baptista, trio que receberia o nome de Os Mutantes.

Em 1966, estavam em estúdio fazendo os backings para Nana Caymmi em Bom dia, quando, no intervalo, conheceram o marido da cantora, que logo os desafiou a um duelo. No fim de uma tarde de improvisos e afinidades, receberam o convite para acompanhá-lo no festival que estava sendo preparado para o ano seguinte.

Gilberto Gil e Os Mutantes ganharam o segundo lugar com Domingo no parque no III Festival da Música Popular Brasileira na TV Record, o mesmo em que Caetano apresentou a sua Alegria alegria, ficando em quarto. O público não entendeu muito bem a mistura das guitarras elétricas dos Mutantes com o violão de Gil e orquestra regida por Rogério Duprat. Era a Tropicália mostrando seus primeiros passos e recebendo suas primeiras vaias.

Ainda em 1967, participaram do disco-manifesto Tropicália ou panis et circensis ao lado de Gil, Caetano, Gal Costa, Tom Zé e Nara Leão, entre outros. Assinaram contrato com a Philips (atual PolyGram) e, já no ano seguinte, lançaram o primeiro disco do grupo.

Os Mutantes ficaram logo conhecidos por sua irreverência e deboche. No festival de 69, Rita vestia-se de noiva grávida entre os dois irmãos, de toureiro. No final, apareceu, ainda, com um boneco, representando uma criança negra no colo.

Para uma participação no programa de Hebe Camargo, Rita e Arnaldo resolveram casar-se. No dia da apresentação, anunciaram o casamento e, diante das câmeras, rasgaram a certidão ao meio, deixando a já experiente apresentadora sem reação.

As viagens à Europa estavam cada vez mais constantes e o sucesso dos Mutantes fez com que a gravadora os convidasse a gravar um disco por lá, Tecnicolor. Só lançado na sua íntegra em 1999, teve algumas faixas aproveitadas em Jardim elétrico, de 1971.

Depois de viver em comunidades, experimentar todos os tipos de drogas, fugir da polícia e driblar a censura, Rita Lee começou a desenvolver uma carreira solo, lançando Build up em 1970, disco produzido por Arnaldo Baptista. Em 1972, ano do último disco dos Mutantes, Rita lançou outro álbum solo, também contando com a participação dos outros integrantes.

Pouco depois, foi expulsa do grupo por divergir dos novos rumos que os outros integrantes estariam tomando.

 
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