Você e eu somos um caso sério
 

No ano seguinte, Rita já não mais fazia parte de uma banda. Ao lado de Roberto de Carvalho, lançou um álbum que pode ser considerado um divisor de águas em sua carreira. Nele, mostrava seu lado romântico e se permitia a misturas até então inimagináveis. O grande hit do ano de 1979 foi Mania de você e a dúvida seria se a febre Rita Lee resistiria a mais um verão.

A resposta veio com Lança perfume. Sucesso absoluto no Brasil, a música ficou por mais de um mês no primeiro lugar da Billboard americana e virou must nas boates da Europa. Até o Príncipe Charles passou por excêntrico ao dizer que sua cantora predileta seria Rita Lee.

As turnês tomaram contornos de mega-produção, com estrutura inédita para os palcos brasileiros da época. Os discos marcavam números de cópias até então nunca alcançados no mercado pop brasileiro.

Na turnê de lançamento do LP Rita Lee e Roberto de Carvalho (que trazia o hit Flagra), em 1982, Rita começou a ter sérios problemas de saúde, chegando a desmaiar no palco no meio de um show no Morro da Urca (Rio de Janeiro). Além do ritmo alucinante da turnê, estava abalada por problemas pessoais. Havia perdido prematuramente sua irmã mais velha dois anos antes e sua grande amiga Elis Regina pouco depois. Agora era o pai, que estava muito doente e faleceu pouco depois.

Rita tirou o time de campo por um tempo. Lançou um disco em 1983 e nem apareceu para divulgar. A crítica não gostou do trabalho, e Rita e Roberto concordaram. Seguiu o ano de 1984 sem qualquer aparição pública.

Os boatos logo davam conta de que Rita Lee estava com leucemia. A história tomou um vulto tão grande que, em um certo momento, ela mesma achou que pudesse estar doente e que Roberto estaria escondendo dela.

Na assinatura do contrato para o Rock in Rio, em dezembro de 84, Rita apareceu de peruca. Na apresentação, em janeiro seguinte, mais perucas e problemas na voz. Ainda no palco, confessou-se enferrujada diante da platéia.

Mais uma vez, Rita retirou-se de cena. Trancou-se no estúdio por sete meses e gravou um ótimo álbum, porém longe do estilo festivo da dupla. A crítica adorou, mas a resposta em vendas não foi a esperada. Mesmo assim, pôs fim aos boatos e a qualquer suspeita de alguma doença grave com a divertida Não titia.

No ano seguinte, realizou o grande sonho de comandar um programa de rádio. Rádio amador foi ao ar na rádio 89FM de São Paulo e, depois, pela Rádio Cidade carioca. Nesse programa, misturava raridades de colecionadores com fitas demo de bandas de garagem. Havia espaço para se tocar de tudo, menos Rita Lee, desprezada pela apresentadora Lita Ree.

Seu contrato com a Som Livre havia acabado e as gravadoras faziam seu habitual leilão. Ganhou a EMI, com uma proposta milionária.

Em 1987, a expectativa era grande para o novo trabalho de Rita e Roberto. Flerte fatal fez Rita declarar guerra à imprensa e ficar por muito tempo sem dar entrevistas. Um jornalista do Estado de São Paulo fez críticas pessoais dizendo que Rita estaria em "menopausa criativa". Ela, que nunca havia se envolvido com críticas a seu trabalho, não aceitou a agressão. Ameaças e brigas de todos os lados, estava declarada a guerra.

Ainda nesse ano, voltou para a estrada anunciando o que seria o seu último grande show.

Mais dois discos duramente atacados pela crítica, e Rita anuncia o fim da dupla com Roberto de Carvalho. Os boatos davam conta do fim do casamento também.

Por essa época, experimentou outras áreas. Depois da experiência no rádio, participou, ao lado de Roberto, do filme Fogo & Paixão. Pouco depois, contracenou com Marília Pêra em Dias melhores virão, dirigido por Cacá Diegues. O filme foi muito bem recebido no Festival de Cannes e virou preferido da imprensa especializada. Na Europa, Rita ganhou seu primeiro prêmio como atriz no Festival de Denzer de 1990. O seguinte veio da Prefeitura do Rio, em 1993. Rita Lee foi eleita melhor ator pelo curta metragem Tanta estrela por aí..., onde fazia uma impagável interpretação de Raul Seixas.

Também passou pela televisão. Além das novelas Top model (1989) e Vamp (1991), escritas por Antonio Calmon, e comandou seu próprio programa, TVLeezão, versão para a MTV de Rádio amador, durante seis meses.

 
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