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Corra! Para saltar e arremessar

Os melhores saltadores são grandes velocistas.
A afirmativa é verdadeira e muitos atletas de alto nível aprimoram suas corridas para saltar mais longe ou mais alto

por Aguinaldo Pettinati
fotos Luis Machado

Alguns esportes só começam depois dela. Parte integrante de muitas modalidades do atletismo, e, para muitos, fundamental e essencial, a corrida se funde como músculo e osso no salto em distância, salto triplo, salto em altura, arremesso de dardo e salto com vara.

Basta imaginar um vôo de avião. A aeronave só decola depois de um período de aceleração constante no solo. No atletismo, essa situação não é diferente e, para tanto, nossos atletas precisam de treinamento e técnicas especiais de corrida antes de alçarem vôo, já que velocidade sem técnica nem controle não nos leva a lugar nenhum.

Salto com vara

De acordo com o técnico da seleção brasileira, Élson Miranda, como todas as outras provas de salto, o salto com vara também depende bastante da corrida. “Técnicos russos, como Vitali Petrov, do Sergey Bubka, recordista absoluto na modalidade, relatam que um salto depende entre 90% e 95% de sua relação com a corrida.”

Miranda explica que a corrida no salto com vara tem suas diferenciações, pois é preciso carregar o implemento (vara de 2,5 quilos e 5 metros de comprimento) e posicioná-lo muito bem para poder fazer a decolagem, chamada de take off, passando toda a energia para a vara. “É uma corrida de uma forma mais elevada, com passadas circulares, grandes e altas, corrida crescente, acelerada no fim, nos últimos 2 metros. Isso não quer dizer que um velocista consiga saltar. Precisa ter coordenação para o salto com vara.” Ele lembra a dificuldade de correr sem o equilíbrio dos braços.

Importante para conseguir essa técnica é realizar muito treino de corrida, explorando o quadril alto, e se preocupar com a preparação da vara. “O atleta tem de pegar na ponta da vara e tomar cuidado para não desequilibrar no fim da corrida. Além disso, para fazer o encaixe da vara, o tronco deve estar a frente. A corrida um pouco sentada e com o joelho flexionado prejudica o salto.”

Miranda demonstra que a passada se divide em amplitude e freqüência. “Primeiro, é necessário aumentar mais a amplitude do que a freqüência. Depois que tiver uma boa amplitude, passa-se a treinar freqüência, que seria velocidade.” Após a coordenação da corrida, vem a parte acrobática, quando o atleta deixa o chão e faz a decolagem.

Distância

Quanto maior a distância de corrida antes do salto com vara, maior o nível técnico do atleta.

“Por causa da coordenação da corrida, normalmente um atleta de ponta dá uma corrida de 20 passadas antes do encaixe da vara, cerca de 45 metros. Na velocidade, o atleta precisa estar atento à descendência da vara e ao posicionamento dela nos últimos três passos.”

Com seus atletas, Miranda começa aplicando uma distância de quatro passos, aumentado progressivamente.

Mais de 60% do treino dessa modalidade é dedicado à corrida, passando pela técnica em si, técnicas de saltos, saltos com barreira, pliometria, fora os exercícios com peso para as pernas.

Salto triplo X salto em distância

O próprio nome já diferencia as duas modalidades de saltos horizontais. No salto triplo, a corrida em direção à marca deve ser veloz, mas o atleta precisa estar atento e preparado para o impacto para conseguir executar três saltos seqüenciais. O princípio do salto em distância é o mesmo, porém o atleta corre para um vôo único. Enfim, o saltador, além de ser um velocista, precisa ser um “bailarino” da corrida para aproveitar toda a técnica que o projetará para frente.

“Não existe regra nem distância exata da corrida que antecede o salto”, comenta o treinador Aristides de Andrade Junqueira Neto, que prepara seu atleta Erivaldo da Cruz Viera (8,19 metros) para obter o índice olímpico no salto em distância.”A metragem de corrida varia entre 34 e 41 metros, aproximadamente. Depende da facilidade de aceleração de cada atleta. Quem necessita de mais tempo para atingir a aceleração ideal precisará correr uma distância maior”, avisa.

No salto triplo, a dificuldade é maior. “Por isso, fica mais difícil suportar uma velocidade muito exagerada. O atleta terá menos tempo de aplicação de força do que no salto em distância. Faz-se uma corrida mais pausada para conseguir o primeiro salto e ainda ter força para executar os outros dois.” O primeiro pé de impulsão é o mesmo que impulsionará o segundo salto. Se a velocidade for muito grande, o atleta não conseguirá saltar depois da queda do primeiro salto.

Para Nélio Moura, técnico da equipe BM&F de atletismo, as demandas no salto triplo são maiores do que as do salto em distância. “Nenhuma atividade esportiva submete o corpo do atleta a cargas tão altas quanto às observadas no salto triplo, e esse é um fator que deve ser cuidadosamente analisado na prescrição do treinamento: o atleta deve se preparar para que possa ser capaz de lidar com essas altas forças de impacto. Por outro lado, o próprio treinamento que tem esse objetivo, se mal dosado, pode provocar lesões importantes, em vez de preveni-las.”

Velocidade ótima

Para o treinador, conseguir atingir uma velocidade de 100% antes do salto é muito difícil. “Isso porque o atleta precisa aplicar a força antes de saltar. Não dizemos velocidade máxima, e sim, ótima. De acordo com a maturidade, o saltador consegue encaixar melhor a velocidade com o momento do salto”, descreve Junqueira Neto.

Mesmo com todas as individualidades dos atletas, Junqueira Neto volta à velha máxima: “Sem uma boa corrida não se consegue um bom salto. O salto começa no fim da corrida. É preciso transformar a velocidade horizontal no impulso angular, criando um espaço sem comprometer a velocidade do corpo”.

O salto se desenvolve à base de força e velocidade. “Normalmente, a corrida, além de veloz, precisa ser ritmada”, diz Junqueira Neto. A velocidade tem seu papel na hora de preparar o salto: eleva-se bem o joelho para conseguir boa impulsão. Já na provas de sprint, como os 100 metros rasos, o que conta mais é a freqüência rápida.
O treino de corrida específico enfatiza não só a velocidade, mas também a técnica. “Treinar demasiadamente a velocidade pode gerar lesões”, confessa Junqueira Neto.

Segundo o técnico Nélio Moura, “a corrida é considerada uma das fases mais importantes do salto. É o pré-requisito fundamental para uma boa performance no salto triplo e no salto em distância, embora sozinha não garanta o máximo rendimento”.

Estilos campeões

Para demonstrar os estilos diferentes de corrida antes dos saltos, Junqueira Neto recorda-se de supercampeões brasileiros, como João Carlos de Oliveira, o “João do Pulo”, e Nelson Prudêncio. Enquanto João do Pulo possuía uma corrida mais veloz, Prudêncio utilizava-se um pouco mais da força.

Decatlo

No decatlo, são dois dias de competição, com cinco provas em cada dia. No primeiro dia, tem os 100 metros rasos, o salto em distância, o arremesso de peso, o salto em altura e os 400 metros rasos. No segundo dia, é a vez dos 110 metros com barreiras, o lançamento do disco, o salto com vara, o lançamento de dardo e os 1.500 metros. Portanto, apenas não se usa a corrida no lançamento do disco e no arremesso de peso.

Edson Luques Bindilatti, da BM&F São Caetano, 1o no ranking nacional de decatlo, campeão do Troféu Brasil e Sul-Americano em 2003, explica a importância da corrida em seu esporte. “Praticamente o treino todo é voltado para a corrida. É um treinamento de velocidade. Se treinar resistência, perde-se em velocidade, que é o objetivo do decatlo, esporte muito explosivo por causa dos saltos. A única prova mais longa é dos 1.500 metros, última prova: o que der deu.”

Salto em altura

Jessé Farias de Lima, 26 anos, atleta da BM&F, pode ser o primeiro brasileiro a participar de Olimpíadas no salto em altura. O índice é 2,30 metros, mas, se repetir mais uma vez sua melhor marca – 2,27 metros (índice B) –, o atleta garante seu passaporte para Atenas.

“Se acertar a técnica do salto e a corrida, conseguirei o índice olímpico. Tudo começa na corrida”, diz ele. ”Minha participação nas Olimpíadas seria ótima para o atletismo, que precisa ser melhorado no acesso às pistas. Poderia haver muitos mais centros de treinamento”, desabafa.

De acordo com Lima, a corrida do saltador difere em alguns aspectos da corrida do velocista. “É uma corrida em que o atleta deve ter um controle do ritmo, da amplitude e da freqüência dos passos. Quando ocorre o apoio da ponta do pé, o calcanhar está mais próximo do chão e o joelho deve estar estendido. Isso faz com que o atleta tenha uma corrida mais elástica e uma dinâmica mais adequada para os últimos passos da corrida para o salto em altura”, afirma. “Para mim, o salto em altura depende 50% da corrida e 50% da técnica de impulsão e passagem do sarrafo. É preciso aliar as duas coisas.”

Velocidade

A velocidade que deve ser empregada antes de realizar o salto depende da capacidade de salto que o atleta tem de elevar seu centro de gravidade. Essa capacidade é conquistada com exercícios de força, saltos pliométricos, saltos parado, impulsão vertical, horizontal, exercícios de salto com pesos etc. “Quanto maior a capacidade de salto, maior pode ser a velocidade de corrida do atleta. Precisa ter uma boa velocidade, mas não pode passar a capacidade de salto e nível de força“, desvenda Lima.

De acordo com Edson Luques Bindilatti, primeiro atleta do ranking brasileiro do decatlo (prova que engloba dez modalidades), a corrida do salto em altura é progressiva e você empurra a corrida no começo com passadas longas e acelera na curva (três últimas passadas). O contato final (última passada) tem de ser bem rápido e com a perna estendida. “A técnica chama-se flop: você vem de frente correndo, bate o pé, transpõe o sarrafo de costas e cai no colchão.”

Corrida em curva

Também não podemos deixar de mencionar a questão da inclinação da corrida em curva, que depende da velocidade do atleta e do raio utilizado. “Isso só será encontrado pelo técnico, conciliando a relação entre a velocidade e o raio da curva. Um atleta que é muito lento não pode utilizar uma curva com o raio muito aberto, nem muito grande. Terá de ser muito mais rápido para obter a inclinação necessária. Já um atleta mais veloz pode utilizar um raio maior”, revela Lima.

Quando o pé do atleta está saindo do chão para a realização da decolagem, o quadril precisa estar em cima do ponto de apoio, porque há o direcionamento de toda a sua força para cima. “Se isso não ocorre, passando o quadril pelo ponto de apoio antes de o atleta deixar o chão, o direcionamento de sua força não sairá somente para cima, mas também para frente. Ele perderá impulsão e eficiência.”

Últimos passos

A últimas três passadas são essenciais para que a entrada do salto seja feita de maneira reativa, havendo a necessidade de aceleração nesse ponto. “Essa fase não pode ser lenta e a postura deve ser mantida alta, sem baixar o quadril, para facilitar na explosão.”

Decolagem

Quando a perna de salto toca o chão, a outra, do pêndulo, aquela que deve ser lançada para cima no momento em que o atleta vem da corrida, precisa vir para cima e não pode estar atrasada, com o joelho para trás. “Nesse momento, a coxa da perna de salto está mais a frente. Quando você entra com a perna de pêndulo, essa precisa estar no mínimo paralela à perna de apoio”, ensina Lima.

Para ele, essa coordenação é conseguida durante os treinos específicos, em que se detecta a qualidade do movimento. É o mais difícil, onde deve ser acelerado ou controlado. “Na competição, é preciso concentração e conseguir mentalizar o salto, programando seu cérebro, passando por seu inconsciente para melhorar o que você vai fazer. É básico, mais importante”, assume Lima.

Treino próprio

Busca-se no salto em altura as seguintes características específicas da corrida:

• elevação do joelho para que isso permita uma trajetória circular do pé durante a corrida;
• exercícios de freqüência combinados com corridas de aceleração para que o atleta desenvolva a velocidade aliada à capacidade de salto.

Um dos exemplos de treinos para o salto em altura são as corridas em círculo usando variáveis voltadas para o salto. “Imitamos situações como a progressão na curva ou a corrida em meio círculo, dando mais ênfase à passada. Na segunda metade do círculo, nós nos preocupamos com o ritmo e o joelho alto.”

Também há a corrida no círculo com entrada no salto ou tocando um objeto que está no alto, fazendo uma decolagem para depois ultrapassar o sarrafo.

Desabafo

Apesar de ser o melhor atleta brasileiro na modalidade, Lima reclama. “O Brasil tem muito a melhorar em termos de qualidade de treinamento; passei quatro meses treinando com técnicos russos e vi que não sabia nada, apesar de saltar 2,27 metros. O recorde mundial é de 2,45 metros. Meu treinamento é uma ‘m...’. Às vezes, fazemos algo errado e acham que está bom; precisamos de outros exercícios mais adequados. Não há observação correta do atleta. Nossos técnicos acham que sabem o suficiente. Temos melhorado muito, mas, em minha prova, ainda é pouco. Não tem nenhum técnico excelente no Brasil. Não vou mentir, estou há oito anos no salto em altura, e não apareceu nenhum treinador que saiba dominar princípios, exercícios, controle e periodização”, desabafa o atleta.

Lançamento de dardo

Antes de lançar o dardo em busca de medalhas, títulos e recordes, o atleta precisa realizar uma corrida progressiva. “Ele começa correndo devagar, chega em sua marca aumentando o ritmo e emprega toda a sua velocidade quando entra na passada lateral. Portanto, primeiramente corre-se de frente e, antes do lançamento, usa-se a posição lateral para fazer o trabalho de quadril, de tronco e por último de braço para lançar o dardo. Usam-se passadas largas para que o dardo fique atrasado em relação ao corpo e o lançamento saia corretamente”, explica Fátima Aparecida Germano, técnica de lançamentos e arremessos do Conjunto Constâncio Vaz Guimarães e do Projeto Futuro, de Jundiaí, e da Asa, Sertãozinho.

O atleta que lançar com uma boa corrida terá uma marca bem melhor. “Por exemplo, se ele atingir um lançamento de 30 metros sem corrida, com o movimento correto ele poderá chegar a melhorar de 15 metros a 20 metros”, expõe ela.

Cada atleta tem sua marca de corrida. Eles fazem uma corrida de aproximação de cerca de 15 metros, e depois tem a corrida para lançar o dardo, chamada de passada, de 10 metros. Essas distâncias variam de acordo com o nível e o estilo de cada atleta.

Segundo a treinadora, usa-se 100% de velocidade na corrida. “Mas os atletas juvenis não conseguem imprimir toda essa velocidade. Podemos enxergar isso nos atletas de alto nível. Eles chegam para lançar com uma distância de apenas 5 metros da marca final. Estão tão velozes que, depois que o dardo sai de sua mão, ainda restam 5 metros para poderem desacelerar, indo para frente sem queimar a faixa”, explica.
Já os atletas menores, que ainda não desenvolveram toda essa velocidade, aproveitam esses 5 metros para realizar o lançamento mais próximo da marca final.

Treinos específicos

Os arremessadores de dardo, segundo a técnica, realizam um trabalho de técnica de corrida chamado “samba”. “São quatro séries de 30 metros correndo na grama. Depois disso, o atleta faz a corrida propriamente dita na área de arremesso do dardo, que tem mais ou menos 50 metros”, conta.

Os lançadores de dardo fazem treinos de técnica de corrida no mínimo três vezes por semana, de duas a duas horas e meia por sessão. “Os atletas não conseguem executar o lançamento mesmo mais do que duas sessões na semana, pois é uma modalidade que machuca muito, não só joelho, mas quadril, cotovelos e ombros. Se lançar todos os dias, ele não consegue competir. Então, fazemos técnica sem lançar o dardo 100%, diferentemente do disco e peso (com mais treinamentos 100%).”

Enfim, o lançador do dardo precisa aprimorar sua corrida. “Não é aquela de 50 metros, por exemplo. Tem de fazer tudo dosado, sair numa velocidade lenta, ir aumentando e chegar no fim rapidamente.”


Gigante Olímpico

Uma medalha nos Jogos Olímpicos de Atenas no salto triplo com Jadel Gregório não será surpresa. O atleta é atualmente o número 2 no ranking mundial da prova e seus resultados apresentam bastante consistência. Sua melhor marca é 17,46 metros (recorde sul-americano indoor), e o índice olímpico é de 16,95 metros.

O gigante de 2,02 metros, natural de Jandaia do Sul, Paraná, começou a treinar com pouco interesse, aos 13 anos. “Eu era apaixonado por salto em altura. Brincava na escola Sesi, gostei e segui no esporte”, conta Gregório. Apesar de sua desenvoltura e de sua condição de top na modalidade, Gregório só adotou o salto triplo em 1998, quando veio para São Paulo, treinar no São Caetano.

Gregório acredita que, com uma marca próxima aos 17,50 metros, conseguirá garantir o pódio olímpico. O recorde mundial do salto triplo é 19,29 metros. “No momento, é muita diferença, mas, com a seqüência de treinos, posso atingir essa meta, já que o atleta atinge seu auge nessa modalidade aos 27 anos.”

Tricampeão brasileiro, bi sul-americano, vice-campeão mundial indoor em Budapeste neste ano, 3o lugar do Campeonato Energizer, com etapas na Alemanha, Suécia, Inglaterra e Paris, ele afirma que sua altura atrapalha. “Tenho dificuldade para ser mais rápido e o peso também não ajuda.” O saltador acredita que poderá competir em alto nível até os 30 anos, depois ele pretende se formar em fisioterapia e continuar trabalhando no mundo esportivo.

Corredor nato

O saltador tem grande facilidade na corrida veloz, tanto é que ele diz: “Poderia até ser um velocista se quisesse e treinasse para isso.” Apesar disso, ele pretende continuar em sua modalidade. “Mesmo porque treinamos tiros de 50 metros ou menos, não passamos disso.”

Recordes
Mundiais
Masculino Feminino
Salto em altura – Javier Sottomayor (CUB) – 2,45 metros
Vara – Sergey Bubka (UKR) – 6,14 metros
Salto em distância – Mike Powell (EUA) – 8,95 metros
Salto triplo – Jonathan Edwards (GRB) – 19,29 metros
Dardo – Jan Zelezny (TCH) – 98,48 metros
Salto em altura – Stefka Kostadinova (BUL) – 2,09 metros
Vara – Stacy Dragila (USA) – 4,81 metros
Salto em distância – Galina Christyakova (URS) – 7,52 metros
Salto triplo – Inessa Kravets (UKR) – 15,50 metros
Dardo – Osleidys Menendez (CUB) – 71,54 metros
   
Olímpicos
Masculino Feminino
Salto em altura – Charles Austin (USA) – 2,39 metros
Vara – Jean Galfione (FRA) – 5,92 metros
Salto em distância – Bob Beamon (USA) – 8,90 metros
Salto triplo – Kenny Harrison (USA) – 18,09 metros
Dardo – Jan Zelezny (CZE) – 90,17 metros
Salto em altura – Stefka Kostadinova (BUL) – 2,05 metros
Vara – Stacy Dragila (USA) – 4,60 metros
Salto em distância – Jackie Joyner Kersee
(USA) – 7,40 metros
Salto triplo – Inessa Kravets (UKR) – 15,33 metros
Dardo – Trine Solberg-Hattestad (NOR) – 68,91 metros
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