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(ou como vamos brigar pelo ouro em Atenas) |
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Difícil prever. Mas sonhar
é permitido. O revezamento 4 X 100 metros rasos brasileiro
é um forte candidato ao pódio nas Olimpíadas de Atenas, resultado
de muito trabalho, treinamento, dedicação e seriedade de um
grupo de corredores e de um técnico que conseguem tirar segundos
preciosos na troca do bastão do fundo da cartola
texto Aguinaldo Pettinati
fotos Luiz Machado
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Um centésimo de segundo pode ir do sucesso ao inferno, representar dinheiro e fama ou frustração e ódio na vida desses homens do revezamento 4 X 100 metros rasos, que, em agosto, em Atenas, tentarão defender a recente tradição de conquistas olímpicas brasileiras na modalidade. Em 1996, o quarteto faturou o bronze em Atlanta, e a performance foi ainda melhor em Sydney, em 2000, com a prata, perdendo apenas para os imbatíveis americanos. No Pan-Americano de Santo Domingo, em 2003, a seleção ganhou o ouro após a desclassificação americana por ter sido constatado o uso de doping em um de seus integrantes. Em 26 de julho, a equipe segue para a Europa, onde realizará os treinos finais e definirá as estratégias para a prova olímpica.
Mas essa fração de segundo de glória em um esporte em que as pernas devem estar entre as mais rápidas do mundo pode depender, em grande parte, das mãos de nossos atletas. Isso mesmo, a técnica de passagem de bastão brasileira chama a atenção até mesmo dos fortes concorrentes americanos e faz o país se aproximar cada vez mais das potências internacionais, mesmo com nossos atletas tendo tempos individuais inferiores aos de seus adversários. “Se formos somar os quatro tempos dos americanos em Atlanta, todos tinham menos de dez segundos nos 100 metros. Deviam chegar em nossa frente no mínimo 20 metros, e só tiveram 2 metros de vantagem. Tiramos o tempo na passagem do bastão. Isso nos deixa otimistas, pois esse coeficiente diminuiu muito, e podemos ganhar dentro das pistas”, conta o técnico do time nacional desde 1995, Jaime Neto. “Hoje, somos a equipe mais técnica do mundo”, afirma, orgulhoso.
Vários atletas estrangeiros detêm marcas inferiores a dez segundos cravados nos 100 metros, tempo ainda não atingido por nenhum dos atuais velocistas brasileiros. “Falta massa a nossos velocistas, falta o doping, eu acho. Porém, não vamos usar doping nunca, mas não acho impossível correr sem doping na casa dos nove segundos. Existem controvérsias sobre o assunto”, confessa Neto, meio desconsolado por assistir, com as mãos atadas (e a boca fechada), ao desempenho dos atletas estrangeiros nas provas de velocidade.
Segredos
Para chegar a essa técnica invejada de passada de bastão no revezamento, uma série de fatores deve ser levada em conta. Tudo isso não é simples de acontecer e requer muita dedicação e treino. “Para fazer um velocista correr os 100 metros na faixa dos 10’10” ou 10’20”, precisa-se de um tempo razoável, de quatro a cinco anos, mesmo contando com o talento. Tivemos essa retaguarda garantida em técnica de pouso por causa da diferença de altura entre nossos atletas. Observei que a velocidade de aproximação do passador era muito grande. Em minha técnica, o atleta passador nunca vem imediatamente atrás do receptor, e o bastão vai perpendicular ao braço, e não formando uma continuidade”, explica ele.
Outro detalhe importante é que a área de contato do bastão com a mão é maior no momento da troca, o que gera mais segurança e velocidade na troca e na condução do bastão. Oportunidades: “Tivemos a oportunidade de contar com a grande ajuda da Confederação Brasileira de Atletismo para fazer campings e treinar a passagem fora das competições a partir de 1995. É um treino muito intenso”, revela Neto, e conclui que nem todas as equipes têm essa oportunidade de realizar esse treino constantemente.
Os atletas possuem a mesma opinião. “O Brasil tem uma grande coisa que os outros países não têm. Eles são mais velozes na prática e na teoria, só que possuímos um conjunto superior ao deles, temos condições de treinar mais tempo juntos, enquanto eles se reúnem para a competição em cima da hora”, confirma Claudinei Quirino, medalha de prata em Sydney.
Detalhes importantes
• A convivência diária com os demais membros da seleção influi em saber a velocidade e o estado emocional dos companheiros;
• Realização de trabalhos curtos e divertidos para simular a técnica de bastão;
• Maior oportunidade de fazer simulações estratégicas de provas.
“Sei até qual a velocidade correta a fim de não prejudicar meu companheiro na hora da troca do bastão”, diz Quirino.
“Fazemos um treinamento muito divertido. Aprendemos brincando”, diz o velocista André Domingos, garantido na equipe em Atenas, integrante dos dois revezamentos de bronze e prata. “Jaime Neto tem uma técnica muito interessante de passagem de bastão que nos dá o aprimoramento da posição de mão, de braços, percepção de voz etc. Os quatro que estão treinando usam a palavra vai na hora da troca. Daí, joga-se o bastão na mão do companheiro, com firmeza e segurança.”
Para Vicente Lenílson, também garantido em Atenas no revezamento e nos 100 metros rasos, “com certeza temos uma passada de bastão invejada no mundo inteiro. Já vieram muitas pessoas até Presidente Prudente para aprender a técnica. Neto só finge que ensina, porque isso é uma coisa nossa, criação dele com os atletas”, conta, orgulhoso.
Amor e ódio
Como podemos conquistar e ter alegrias por causa do bastão, ele também se tornará vilão se houver um erro.
Domingos lembra de um episódio ocorrido em Edmonton, no Canadá, no Campeonato Mundial de Atletismo em 1999. “Caiu nosso bastão. Estávamos a 3 metros da equipe americana. Simplesmente íamos ser campeões do mundo naquele ano. Ficamos meio estranhos um com o outro e sem nos falarmos durante uns três meses. Não foi culpa minha, nem de Claudinei, de Édson nem de Vicente. Foi uma decepção ver nosso bastão rolar da raia seis para a raia oito, horrível.”
"Jeitinho brasileiro"
Por outro lado, a união conquistada pelo grupo é muito forte. “Até 2000, era só briga; depois de conversarmos muito, revertemos esse quadro. No Pan de 1999, em Winnipeg, Canadá, tínhamos uma pressão enorme dos canadenses, que eram os atuais campeões mundiais e olímpicos do 4 X 100 metros. Seu principal atleta era Donavan Bailey. No aquecimento, ele fazia provocações contra nós na pista. André dava piques de 60 metros e ele passava na frente, interrompendo o tiro. Não podemos repetir esse aquecimento muitas vezes porque, senão, fadiga a musculatura. Chamei Édson Luciano, o mais forte de nossa equipe, já percebendo que ele ia fazer de novo. Então disse ‘passa por cima’. Foi o que ocorreu: na trombada, o canadense voou longe e não fez mais isso. Esse é nosso espírito: um protege o outro dentro do grupo”, comemora o técnico, Jaime Neto.
Estratégia em Atenas
A definição dos titulares e de suas respectivas posições somente será feita duas ou três semanas antes da disputa em Atenas. Nossos principais atletas são Vicente Lenílson, André Domingues, Jarbas Mascarenhas, Cláudio Roberto de Sousa, Édson Luciano, Bruno Pacheco e Claudinei Quirino. “Normalmente, usamos nas retas os atletas que têm velocidade lançada muito grande, um bom corredor de 200 metros, além da força e da estrutura física alta, como Claudinei Quirino, Édson Luciano e Bruno Pacheco”, indica Jaime Neto. “Atletas muito fortes sofrem com a tangência da curva e são jogados para fora da raia por causa da força centrífuga. Os demais correm sem restrições, em qualquer posição.”
Já Lenílson e Sousa são mais baixos e leves, e, fatalmente, devem ser utilizados nas curvas, assim como André Domingos, que, apesar de alto, também não tem um grande peso e corre bem nas curvas. Mesmo sendo o mais baixo da equipe, Vicente Lenílson tem tudo para abrir o revezamento por causa de sua explosão e reação ao tiro de partida. Isso é muito importante num revezamento, pois a passagem do bastão para o segundo atleta ocorrerá em velocidade.
Origem e importância
O técnico Katsuhico Nakaya, da equipe BM&F/São Caetano e da Seleção Feminina de Revezamento 4 X 100 metros, que tem grandes possibilidades de conquistar a vaga para disputar as Olimpíadas de Atenas, também utiliza uma técnica semelhante da passagem do bastão do revezamento masculino. Ele conta que a forma de troca do bastão mais utilizada é a de empurre, push em inglês, para explicar que o bastão é passado para o corredor que está à frente, e não esse pega o bastão da mão do corredor que está atrás. “Estabelecemos esse método de passagem na seleção brasileira, com uma variante: a extensão do braço é em diagonal em relação ao tronco e não para trás, como fazem as equipes de outros países”, conta.
Aviso
Por isso, segundo o treinador, é uma passagem mais natural e fundamental. “A partir do momento em que essas grandes equipes, que têm atletas de nível e de velocidade, se preocuparem um pouco mais com esses detalhes de técnica, teríamos muito mais dificuldades. Eles fazem um percurso bom, mas perdem na passagem.”
De acordo com Katsuhico Nakaya, o mais importante é a técnica visual. “Essa percepção corresponde de 70% a 80% para conseguir sucesso. Sair na marca predeterminada, no momento certo, é essencial. Sair de forma atrasada ou adiantada pode encavalar a passagem e até acontecer de o atleta fugir na frente.”
São histórias semelhantes: eles começaram tarde no esporte, quando deveriam iniciar antes dos 10 anos para serem moldados como máquinas de correr. Porém, contra todas as adversidades, conquistaram resultados surpreendentes e hoje lutam contra os melhores do mundo. Também têm ego forte, gostam de estar sempre na moda, brincos, bonés e colares fazem parte do visual dos atletas velocistas que defendem o país nas Olimpíadas.
Os atletas
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Do tiro para os sprints
Edson Luciano Ribeiro
Altura: 1,90 m
Peso: 95 kg
Idade: 31 anos
Equipe: Brasil Telecon/Unoeste
Começou aos 19 anos, quando fazia o Tiro de Guerra. Na época, no Paraná, fez parte da seleção de atletas que participaria de uma competição interna pelas cidades da região. Desde cedo, impressionou. “Chamei a atenção por causa da altura e do biótipo”, afirma. Conquistou, além de dinheiro e medalhas, muito conhecimento prático por causa das viagens. Em 1994, foi para Presidente Prudente.
“Quando comecei, achei que seria mais um trabalho por alguns meses ou, no máximo, um ano, na época”, lembra. “Não era pobre, eu sempre tive tênis, iogurte, chocolate, estudava, ia arrumado para a escola. Depois do atletismo, comprei bicicleta, moto e carro”, afirma. |
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A mais jovem promessa
Bruno Pacheco
Altura: 1,81 m
Peso: 80 kg
Idade: 21 anos
Equipe: Brasil Telecon/Unoeste
Carioca, deixou a família morando no Morro do Borel para buscar a sorte nas pistas. “Ainda vou tirá-los de lá”, promete. Tem como ídolo o ex-velocista Róbson Caetano, que desde pequeno lhe dava conselhos. Jogava handebal, há quatro anos, quando começou no atletismo, gostou e está até hoje. “Sempre gostei de correr com corrente, cabelo cortado”, determina seu estilo. Sua situação já foi pior: passou dificuldades na infância. Segundo o técnico Jaime Neto, ele tem um grande potencial e sua convivência com atletas mais experientes, como Claudinei Quirino, é fundamental.
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Voz da experiência
Claudinei Quirino
Altura: 1,85 m
Peso: 82 kg
Idade: 34 anos
Equipe: Brasil Telecom/Unoeste
O mais velho do grupo ficou órfão de mãe aos 2 anos. Foi levado para um orfanato em Pirajuí, onde ficou até os 17 anos. Só aos 21 começou a carreira no atletismo.
Em 1997, conquistou a medalha de bronze no Mundial de Atenas, competindo nos 200 metros rasos. Repetiu a colocação nos Jogos da Amizade, nos Estados Unidos (também nos 200 metros). Em 1999, ficou com a medalha de ouro no Pan-Americano de Winnipeg, no Canadá, com a marca de 20"30 nos 200 metros, deixando para trás Curtis Perry, dos EUA. Pouco depois, subiu novamente ao alto do pódio em Munique, na Alemanha, vencendo a final do Grand Prix da Iaaf, com o novo recorde sul-americano dos 200 metros, de 19"89.
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Buscando seu espaço
Jarbas Mascarenhas
Altura: 1,85 m
Peso: 85 kg
Idade: 23 anos
Equipe BM&F/São Caetano
Busca sua primeira olimpíada e ingressa no seleto mundo dos atletas de revezamento. Começou jogando futebol no Botafogo do Rio, mas todos se surpreenderam com sua velocidade. Sua trajetória no atletismo começou aos 15 anos, na escola de esportes da Mangueira. Tem chances de integrar a equipe principal do revezamento. “Acredito em meu potencial e, com força de vontade e tranqüilidade, vou render meu máximo.”
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Ágil nos 100 e 200 metros
Cláudio de Sousa
Altura: 1,68 m
Peso: 72 kg
Idade: 30 anos
Equipe BM&F/São Caetano
Nascido em Teresina, no Piauí, o atleta tem habilidade para correr tanto os 100 quanto os 200 metros. Só começou a correr com 15 anos, atraído por seu professor na escola. No último Troféu Brasil, ficou de fora das finais dos 100 metros e do revezamento 4 X 100 metros, mas isso não o impedirá de ajudar o Brasil em Atenas. Gosta de comer de tudo, porém deve tomar cuidado para não engordar com o excesso de doces.
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Pequeno gigante
Vicente Lenílson de Lima
Altura: 1,66m
Peso: 65 kg
Iade: 27 anos
Equipe: Brasil Telecom/Unoeste
Nascido em Currais Novos, no Rio Grande do Norte, Lima começou a correr quase por acaso, em 1994. Durante seis anos, foi mecânico de motos de uma pequena oficina em sua cidade natal. Em 1994, ao danificar uma das motos, foi demitido pelo proprietário da loja. Com 18 anos e desempregado, começou a assistir treinos de futebol do Potiguar, time local. Na escola, durante as aulas de educação física, ele se interessou pelo atletismo e fez testes de velocidade. Dois meses depois, já era o melhor velocista do estado. Acumula, entre outras medalhas, a de prata, conquistada nos Jogos Olímpicos de Sydney em 2000, a de ouro no Pan-Americano de Santo Domingo, em 2003, e a de prata no Mundial de Paris, em 2003.
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Em qual prova vou correr?
André Domingos
Altura: 1,87 m
Peso: 76 kg
Idade: 32 anos
Equipe: Brasil Telecom/Unoeste
Natural de Santo André, antes do atletismo teve a infelicidade de entrar na marginalidade. Hoje em dia, agradece ao atletismo por tudo o que tem. Está garantido nas provas do revezamento 4 X 100 metros, 100 metros e 200 metros. “Não corria os 100 metros há muito tempo, mas, no Troféu Brasil de Atletismo, em São Paulo, conquistei a vaga. Agora vou decidir com meu treinador em qual prova vou competir.” É formado em educação física, mas está fazendo faculdade de design de ambiente. “Sempre digo que uma simples colher em casa foi conquistada correndo.”
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O técnico
Aos 43 anos, o técnico do revezamento brasileiro 4 X 100 metros masculino chegou em Presidente Prudente vindo do Paraná como atleta de decatlo, em 1980. “Havia uma pista de terra na cidade e construíram uma de placas”, conta.
Como técnico, começou na escolinha, fazia faculdade e treinava. Em 1986, assumiu a equipe e, em 1988, dirigiu pela primeira vez uma seleção de juvenis. Sua primeira seleção de adultos foi em 1990. “Só me especializei em velocidade e barreira em 1993. Antes, trabalhava decatlo e provas de lançamentos; enfim, era um treinador generalista”, assume o professor de educação física, fisioterapeuta, mestre e doutorando Jaime Neto.
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Fábrica de campeões
A cidade de Presidente Prudente, conhecida como a capital de velocistas, criou um estigma tão grande em torno de sua equipe de atletismo que atletas do Brasil todo têm interesse em fazer parte do time. Mas não só de velocistas vive a Associação Prudentina de Atletismo (APA), que já se programa para o projeto olímpico Pequim 2008. Com as cotas de patrocínio da prefeitura, Brasil Telecom e Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), a equipe tem disponível R$ 1,2 milhão por ano, fora o patrocínio individual dos atletas. “Considero até um milagre trabalhar com R$ 100 mil por mês para manter essa equipe com 12 atletas olímpicos e pelo menos seis deles com chances de resultados de medalhas em Atenas. É uma quantia irrisória se compararmos com o exterior”, explica o diretor da APA, Luis Eduardo Kun Minuci.
Para ter uma idéia da potência da Unoeste na velocidade, dos sete finalistas do último Troféu Brasil de Atletismo, realizado em maio, em São Paulo, cinco eram de Presidente Prudente, aqueles que obtiveram o 1o, 2o, 4o, 5o e 6o lugares. “Essa hegemonia vem ao longo do tempo e uma coisa atrai a outra, surgem a cada dia mais atletas nos procurando”, explana o técnico Jaime Neto.
A equipe conta também com o apoio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) em passagens para a realização de intercâmbios. “Nosso Projeto Pequim 2008 é renovável, dependendo dos resultados”, lembra Minuci. Ao todo, entre a equipe adulta e juvenil básica, a Unoeste conta com 42 atletas, fora o trabalho com atletas menores em conjunto com a prefeitura com mais de 30 atletas convocados para os jogos estaduais.
Novidade
Além da boa pista Mário Covas, a cidade terá também um centro de atletismo montado pelo COB.
“Queremos que seja um pólo de excelência no atletismo não só para essa geração”, avisa Minuci.
Profissionais a serviço do esporte
Um trunfo da Unoeste vem sendo a utilização de renomados cientistas, professores, mestres etc. para o trabalho com seus atletas. No ano passado, 30 profissionais da Unoeste foram usados diretamente na elaboração de exames, resultados e uma série de pesquisas com os atletas com o intuito de melhorar as performances, fora também toda a atenção e estrutura da Unesp de Presidente Prudente. “A quantidade e qualidade dos equipamentos sempre é pobre no Brasil, devido ao custo muito caro. Porém, em termos humanos, temos os melhores, e isso significa resultado com pouco custo”, avisa Minuci.
“Temos também laboratórios de biomecânica e de biofísica e todo o suporte médico, odontológico, psicológico e nutricional das universidades”, comemora Neto, lembrando que a Unoeste tem 15 mil alunos e 23 cursos.
Outros trabalhos interessante são a filmagem dos atletas, o controle laboratorial de treinos, o nível de estresse com doutores em várias especialidades. “Acabamos gerando conhecimento científico e publicações”, diz Neto. “No fim de tudo, o resultado é muita performance. Com as filmagens e usando programas de computador, temos imagens de passada a passada de nossos atletas, a amplitude, câmera lenta, posição dos joelhos, pés, calcanhar, quantas passadas ele leva para completar uma determinada distância etc.”
Há também um psicólogo, que faz a parte de sustentação motivacional, e um orientador para isso. A nutrição é individualizada. Para Neto, ainda falta uma academia mais completa e mais equipamentos. “Porém, é apenas uma questão de tempo para regularizarmos tudo isso.”
Prevenção
Um dos trabalhos essenciais é o da prevenção, baseado na fisiologia do esforço e no treinamento. Tudo isso coordenado pelo fisioterapeuta Marcelo Pastre em conjunto com mais quatro profissionais da área.
“Sempre fazemos trabalhos depois dos treinos para gerar uma recuperação mais efetiva, com técnicas de gelo, massagem e relaxamento.”
Tecnologia de ponta
Um dos aparelhos que vêm contribuindo muito com os atletas é o Nerv Express Sistem, que mede a atividade do sistema nervoso autônomo. Segundo Marcelo, esse sistema controla as funções internas do organismo. “Não adianta nada estar bem fisicamente e esse sistema estar ruim. O aparelho mede a freqüência cardíaca apresentando gráficos e tabelas para podermos identificar o problema”, afirma.
Outro ponto forte é o trabalho de entrevistas com os atletas. “Monitoramos os corredores e os demais atletas para sabermos quais as lesões mais freqüentes, identificar os problemas e combatê-los, tudo arquivado, com gráficos e resultados”, finaliza Marcelo.
Em quatro anos, de 1996 a 2000, a seleção nacional conseguiu evoluir mais de meio segundo. Essa mínima diferença nos deu um lugar superior no pódio – a prata – em Sydney. Veja a evolução do revezamento 4 X 100 metros rasos brasileiro:
• Bronze em Atlanta (Estados Unidos), 1996 – tempo: 38"41
Robson Caetano da Silva, André Domingos da Silva,
Arnaldo de Oliveira Silva e Edson Luciano Ribeiro
• Prata em Sydney (Austrália), 2000 – tempo: 37"90
Vicente Lenilson, Edson Luciano, André Domingos
e Claudinei Quirino
Recorde brasileiro e sul-americano (Espanha) – tempo: 38"05 Édson Luciano, Raphael Raymundo de Oliveira, Claudinei Quirino e André Domingos
Recordes
Olímpicos
100 m – Donovan Bailey, do Canadá, com 9"84 (Atlanta), 1996
200 m – Michael Johnson, dos EUA, com 19"32 (Atlanta), 1996
Revezamento 4 X 100 m – EUA, com 37"40 (Barcelona), 1982
Mundiais
100 m – Tim Montgomery, dos EUA, com 9"78 (Paris), 2002
200 m – Michael Johnson, dos EUA, com 19"32 (Atlanta), 1996
Revezamento 4 X 100 m – EUA, com 37"40 (Barcelona), 1982  |
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