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NA ÁGUA
 
por AguinaldoPettinati - fotos: LuizMachado
 

Para aqueles que não conseguem ficar sem correr, mesmo machucados, ou, então, para complemento de condicionamento, a salvação está na água. É o deep running, atividade que já ajudou muitos atletas. Até campeões olímpicos

NA primeira maratona olímpica feminina, em Los Angeles (EUA), 1984, a corredora norte-americana Joan Benoit conseguiu a vitória graças ao trabalho com o deep running. Uma contusão séria, três meses antes da competição, teria tirado as chances da atleta se não fosse a total preparação realizada dentro da água, simulando os movimentos dinâmicos da corrida. A técnica usada, para recuperação de militares feridos de guerra, não serve apenas para os atletas contundidos, mas pode, também, ser de grande importância para melhorar a performance e diversificar o treinamento.
No Brasil, a modalidade chegou na década de 90, trazida pela técnica Roberta Rosas, após viagens, pesquisas e estudos no exterior. “Não é algo apenas profilático (trabalho preventivo). Quando integrado aos treinos, o deep running melhora a performance e reduz as lesões, graças à facilidade de amplitude de movimentos que o meio aquático propicia, deixando a musculatura relaxada”, informa a especialista.
No deep running, de acordo com Roberta, os gestos técnicos da corrida são iguais aos realizados fora da água. Como vantagem há o ganho de mobilidade nas articulações, melhorando, a flexibilidade e a força específica.

Pressão
Quanto mais profunda for a piscina, mais estará presente a força hidroestática, por efeito da pressão da água. “Com isso, o trabalho fica mais fácil”, avisa Roberta. O sangue chega mais rápida e intensamente até o coração, diminuindo a sobrecarga de uma maneira global.

Trocas de calor
Com a temperatura da água, a perda de calor do organismo durante o exercício é facilitada. Mesmo com a temperatura elevada da água. “A troca de calor com o meio fica mais fácil”, salienta Roberta. Na água, o esforço e a intensidade do exercício são 10% menores que fora do ambiente aquático.
“Assim, você consegue manter a intensidade maior do exercício. Veja como seria ruim fazer um treino de corrida ao meio-dia. Mas na piscina não temos esse problema”, lembra.

Números
Exercitando-se na água você percorre 1.8 km, por hora, aproximadamente.

Calorias
Perde-se em torno de 400 a 600 calorias em 45 minutos de aula.

História
O deep running iniciou-se na década de 60-70, atendendo à necessidade de indivíduos lesionados nas guerras. “Nesse período eles faziam o deep running com coletes salva-vidas. Com o tempo foi direcionado para um público que sofria de lesões de menor gravidade e foi desenvolvido também um colete flutuador adequado para a modalidade”, diz Roberta.
“Em 1990 fui me aperfeiçoar em treinamento na Flórida State University (EUA), onde tive contato com técnicos de corrida cujo trabalho já se diferenciava, mais focado em treinamento esportivo para corredores”, lembra Roberta.
Foi nessa época, segundo Roberta, que Carl Lewis, Florence Grift Joyer, entre outros, praticavam regularmente o deep running com o objetivo de minimizar as lesões de impacto sofridas pelo excesso de treinos em pista. “Mas, realmente, o que fez o deep running se tornar popular foi Join Benoit, que venceu a Maratona Olímpica de Los Angeles. O atleta, após uma cirurgia no menisco, treinou durante três meses na água. Aos poucos, outros esportistas substituíram alguns dos treinos de pista para água, reduzindo, assim, os riscos de lesões”, completa.
Em 1992, Roberta iniciou no Projeto Acqua um trabalho com um pequeno grupo de pessoas que apresentavam problemas diversos, aplicando o deep running. “Alguns com lesões permanentes, outros eram corredores e triatletas com pequenas lesões. Esses grupos foram aumentando e o perfil dos praticantes também. ”

O que é o deep running?
Corrida em piscina profunda em que o atleta utiliza um colete ou cinto flutuador que o mantém equilibrado
 
e estável na superfície da água.
 
A técnica desenvolve o condicionamento físico, como a corrida terrestre, porém, com a vantagem de não causar impacto sobre as articulações
 

Hoje, Roberta desenvolve o trabalho na academia Olímpia. “Temos corredores de alto nível e os que têm por objetivo completar meia maratona, maratona ou provas de distância inferiores, pessoas com excesso de peso, indivíduos que buscam condicionamento, com lesões dos membros inferiores, gestantes, idosos. A modalidade consegue englobar de maneira efetiva e sem contra-indicações qualquer tipo e público.”


Vantagens
Não existem riscos de lesões nessa modalidade.
Não há impacto contra o solo, aumenta a flexibilidade geral.
Aumento da resistência e da força muscular.
Maior equilíbrio muscular em função da resistência da água, que é, no mínimo, 12 vezes maior do que a do ar.
Melhora a condição física e a capacidade cardiorrespiratória.
Trabalha membros inferiores.
Fortalece a musculatura anterior e posterior das pernas.

Essas características acentuam a consciência corporal e desenvolvem a capacidade aeróbia e a anaeróbia, além de facilitar o relaxamento muscular, dado o efeito massageador provocado pela água ao redor do corpo. Dessa forma proporciona a diminuição dos edemas e inchaços ocorridos com freqüência durante o período gestacional. A pressão hidrostática é exercida em todas as partes do corpo, por ficar com a água até a linha dos ombros, sendo maior, principalmente, na periferia dos membros inferiores.

Neste exercício, eleve o calcanhar até o glúteo. Músculos trabalhados: posteriores da perna. Serve como corretivo de postura

Fazendo uma aula
Opção 1
10 minutos correndo leve dentro d’água para aquecer, usando passada grande, com flexão de joelho e normal;
30 minutos correndo;
10 minutos pra soltar e alongar.
Opção 2
10 minutos correndo leve dentro d’água para aquecer, usando passada grande, com flexão de joelho e normal;
2 minutos correndo bem forte;
4 minutos correndo moderado;
2 minutos correndo leve;
Repita essa série três vezes.

Mantenha os joelhos estendidos e, como se fosse uma tesoura, leve a perna para frente e para trás. Olhe para frente e cordene os braços, sempre fazendo a movimentação oposta às pernas.

Correr amarrado. Forma de diversificar a aula e aumentar a resistência do movimento.

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