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Borba, o gato Borba, o gato, e Diogo, o cão, eram muito amigos. Desde muito pequenos foram criados no mesmo quintal e, assim, foram ficando cada vez mais unidos. Brincavam de pegador, de amarelinha e de mocinho e bandido. Essa era a brincadeira de que eles mais gostavam. Ás vezes, Borba era o mocinho e Diogo o bandido. Outras vezes, era o contrário. Vocês já ouviram falar que duas pessoas brigam como cão e gato? Pois os nossos amigos nunca brigavam, apesar de serem realmente cão e gato. De vez em quando, Diogo arreliava um pouquinho Borba, cantando: - Atirei o pau no ga-to-to, mas o ga-to-to não morreu-reu-reu... Mas o Borba nem ligava e eles continuavam amigos. Quando chegou a hora de irem para escola, Diogo, que era um cão policial, resolveu estudar na escola da polícia. Borba foi cantar a mãe: - Sabe, mamãe? Eu também vou ser policial. Dona Gata riu: - Onde é que já se viu gato policial? - Ora, mamãe, se existe cachorro policial, por que é que não pode haver gato policial? Dona Gata explicou: - Meu filho, gatos são gatos, cachorros são cachorros. Existe gato siamês, gato angorá...existiu até aquele célebre Gato-de-Botas. Mas gato policial, isso nunca houve. - Mas, mamãe, só porque nunca houve não quer dizer que não possa aparecer um. Afinal, é a minha vocação... Diogo, todos os dias, trazia exercícios para fazer em casa: - Hoje eu tenho que descobrir quem é que rouba o leite da casa de dona Marocas. Você quer me ajudar? Borba sempre queria. Mas, cada vez que ia ajudar seu amigo, arranjava uma boa trapalhada... Mas o Borba não desistia: - Sabe, Diogo? Eu tenho escutado uns barulhos muito estranhos, de noite. Deve ser algum ladrão. Vamos ver se a gente pega? E os dois saíram, de madrugada, para pegar o ladrão... Que não era ladrão nenhum, era só o padeiro! A mãe de Borba já estava zangada: - Vamos acabar com esses passeios no meio da noite! Criança precisa dormir bastante! - Mas, mamãe, todos os gatos andam à noite pelos telhados. - Isso são os gatos grandes. Você ainda é muito pequeno. - Ah, mamãe, assim você atrapalha minha carreira! E Borba continuava a treinar para policial. E explicava a Diogo: - Eu preciso reabilitar a raça felina. Em todas as histórias, os ratos são bonzinhos e os gatos são malvados. Veja os desenhos animados. Veja Tom e Jerry! É uma injustiça. Eu vou mostrar a todo mundo que os gatos são grandes homens, quer dizer, grandes gatos... O tempo passou e Diogo recebeu seu diploma. Ganhou uma linda farda e todas as noites fazia a ronda do bairro: - PRIIIUUUUU! PRIIIUUUUU!... Borba ainda tinha esperanças de vir a ser um policial e por isso saía sempre com o seu amigo. Uma noite, quando vinham passando pela casa do seu Godofredo, viram alguma coisa muito suspeita no telhado: - O que é aquilo? – perguntou Diogo. - Desta vez juro que é um ladrão. - Mas eu não sei subir no telhado. Como é que eu faço? - Quem não tem cão caça com gato – disse o Borba. - Deixa que eu vou. E subiu pela calha como só os gatos sabem fazer. Aproximou-se do ladrão por trás e ... - MIAAAUUUUUU! O ladrão levou tamanho susto que despencou do telhado, caindo bem em cima do Diogo. O Borba ainda gritou: - Cuidado, Diogo! Se ele te pega, faz cachorro-quente! Mas o ladrão, que era o ladrão de galinhas, estava tão assustado que não conseguiu nem fugir. - Está preso em nome da lei! – disse Diogo, todo satisfeito, pois era o primeiro ladrão que ele prendia. Borba vinha descendo do telhado, todo orgulhoso. Toda a vizinhança aplaudia os dois amigos: - Agora podemos dormir sossegados! Diogo levou seu prisioneiro para a delegacia e explicou, direitinho, como é que tinha prendido o ladrão. O delegado quis logo conhecer o Borba e deu a ele uma condecoração: - Parabéns, seu Borba! O senhor daria um grande policial! Borba piscou para o Diogo. E foi admitido na corporação, mesmo sem fazer o curso. Afinal, ele já tinha dado provas de ser um bom policial. E ganhou o cargo de guarda dos telhados. E agora, todas as noites, enquanto Diogo vigia as ruas, Borba cuida do seu setor. A rua deles é a mais bem guardada da cidade. Pois tem um policial na rua e um no telhado: Borba, o gato. |