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Em médio e longo prazo, porém, a reestruturação dos mercados financeiros, o novo marco regulatório que será desenhado para evitar crises desse tipo e os ganhos em coordenação global de políticas abrirão novos caminhos para um acordo global sobre mudança climática. A nova visão de risco sistêmico certamente terminará por incorporar o risco climático. A estrutura regulatória para o século 21, de que tanto falam Barak Obama, nos Estados Unidos, Gordon Brown e Nicolas Sarkozy, na Europa, terá de incorporar não apenas regulação econômica, comercial e financeira, mas também climática e ambiental.
É pouco provável que essa crise não altere profundamente as instituições da economia política global. E o mesmo processo que a criou, agravou a crise climática. A expansão exuberante das economias, que acabou nessa débâcle sistêmica das finanças, fez as emissões crescerem, a 3,5% ao ano, segundo o PNUMA. O pior cenário do IPCC previa 2,7% a.a. O sistema climático está dando sinais tão evidentes de crise quanto o sistema econômico. É provável que, na reconfiguração da economia global, no após-crise, se incorporem medidas para reduzir o ímpeto da crise climática. Apesar da oposição minoritária – que tende a ser derrotada – a União Européia manteve sua política de redução de emissões de carbono até 2050. Nos Estados Unidos também deve haver mudança na política climática.
O que está em discussão embrionária e se tornará o centro do diálogo entre os governos em algum momento no ano que chega é uma nova ordem econômica e financeira, com mecanismos mais eficazes de ação pública coordenada e governança global. É esse o arcabouço institucional que permitirá fechar um acordo climático capaz de mitigar as emissões de carbono, aumentar os esforços de adaptação à mudança climática e investir em tecnologias verdes e energias de baixo carbono. A concertação para enfrentar a crise sistêmica financeira criará momento e aprendizado para que avancemos na concertação pelo clima.
A crise, com toda a dor e o trauma que ainda produzirá, pode ser o verdadeiro ponto de ruptura a partir do onde a economia global será ajustada a uma gestão de menor risco especulativo e, progressivamente, a um padrão de baixo carbono. |