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Artigos |
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| edição 95 - Abril 2010 |
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| A não falada política de C,T&I |
| Imprensa científica brasileira não se interessa por políticas públicas para a área |
| por José Roberto Ferreira |
[continuação]
Além disso, há um dado do presente que, lamentavelmente, a imprensa, ao ignorá-lo, deixa também a sociedade ignorante sobre algo que tem íntima relação com ela e com o país: o Brasil nunca teve tantas políticas públicas de C,T&I como agora, e não apenas no âmbito do governo federal. Os governos estaduais, quase todos, também entraram nessa onda. Apenas Rondônia e Tocantins continuam sem uma fundação de amparo à pesquisa. Mas, ainda que essas instituições não estejam plenamente formatadas, já se pode dizer que temos um sistema nacional de ciência e tecnologia. Há ações articuladas entre o governo federal e administrações estaduais; vários programas da Finep e do CNPq são efetivados por meio da atuação das FAPs; os estados reproduzem e enriquecem o marco legal originalmente federal, a exemplo da Lei de Inovação e da Lei do Bem.
Mas essa nova dinâmica institucional que o país está criando passa ao largo das páginas dos nossos diários. A Lei de Inovação e a Lei do Bem, mostra a pesquisa da Fundep, “foram citadas em menos de 1% dos textos pesquisados” nos 62 jornais, o que, conforme os autores do trabalho, “enfraquece o reconhecimento público das possibilidades que abrem”.
E que possibilidades abrem – ou deveriam abrir – as leis de novação e do Bem: as possibilidades de o Brasil não só acelerar seu desenvolvimento, mas de fazer isso com base na nova economia, que alia inovação tecnológica e sustentabilidade ambiental, econômica e social.
De maneira inédita, as políticas de ciência e tecnologia estão direta e irreversivelmente ligadas ao crescimento econômico e ao aperfeiçoamento social dos países, pela simples razão de que o conhecimento passou a ser o principal protagonista do desenvolvimento econômico-social.
É comum vermos nos jornais referências positivas ao desenvolvimento econômico da Coreia e comparações de espanto entre os investimentos dos Estados Unidos e do Brasil em ciência. Mas essa visão sumária não se dá conta de que, mesmo com história, culturas e economias distintas, o que está por trás do êxito coreano e americano é um fator comum: uma vigorosa e bem executada política científico-tecnológica.
O Brasil está nesse mesmo caminho? Ou escolheu outro? Nossas políticas científicas estão dando os resultados de que o país precisa? Os investimentos em C,T&I por aqui condizem com as demandas do país? São questões que, convenhamos, deveriam interessar aos jornais. |
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| José Roberto Ferreira José Roberto Ferreira, jornalista, ex-assessor de comunicação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é diretor da Acadêmica Agência de Comunicação. Presidiu a Associação Brasileira de Jornalismo Científico entre 2003-2005. |
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