| Ilustração de Harry Campbell |
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Há alguns meses estive na Apple Store, em Nova York, para comprar uma capa para o iPod de meu filho, mas era 23 de dezembro. Tamanha era a multidão que invejei as sardinhas.
Mas, ao contrário da maioria, conhecia um recurso que me permitia pegar um produto na prateleira, escaneá-lo com meu iPhone e simplesmente ir embora. Graças ao aplicativo gratuito da Apple Store, não era necessário entrar na fila ou esperar até ser atendido. A compra foi lançada na minha conta da loja instantaneamente, sem que precisasse permanecer ali mais que dois minutos.
De forma inovadora, a Apple reduziu, tanto em benefício próprio quanto dos clientes, os entraves ao atendimento, que nada mais são do que aborrecimentos. No mundo atual, cada vez mais dominado pela tecnologia, permanece uma quantidade enorme de entraves e poucos exemplos de reação a esse estado de coisas. Em vez de beleza, elegância e simplicidade, preocupamo-nos com capacidade de armazenamento de dados e velocidade de processamento.
Por que algumas lojas ainda exigem que assinemos recibos de cartões de crédito quando não se trata de uma exigência legal ou bancária? Em princípio, essa pequena burocracia seria uma medida de segurança, mas, quando foi a última vez que você viu um atendente comparar sua assinatura com a do cartão?
Por que, hoje, ainda temos de fornecer, repetidas vezes, o endereço e o número do cartão de crédito na internet? Algumas grandes empresas já se deram conta de que a simplicidade gera um aumento de vendas. A Apple oferece um aplicativo e, na Amazon, é só clicar em um botão para fazer a compra, sem precisar fornecer mais nada. Achou algo interessante? Basta um clique e já é seu.
Qualquer site que exija o preenchimento de formulários, resposta a mensagens de confirmação ou testes está complicando as coisas e, consequentemente, perdendo oportunidades de vendas. Mais cedo ou mais tarde, todos que quiserem comprar alguma coisa ou fazer comentários perceberão que têm de passar por uma série de etapas e pensar: “Deixa para lá. Não vale a pena”.
Na verdade, a simplificação não leva apenas a um aumento de vendas, mas a qualquer atitude que se deseje estimular: por exemplo, o exercício do voto, no caso de ser facultativo.