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A Necessidade de Simplificação da Tecnologia

Facilite as compras, o ato de votar e a dieta eliminando as etapas desnecessárias

David Pogue
Ilustração de Harry Campbell
Há alguns meses estive na Apple Store, em Nova York, para comprar uma capa para o iPod de meu filho, mas era 23 de dezembro. Tamanha era a multidão que invejei as sardinhas.                   

Mas, ao contrário da maioria, conhecia um recurso que me permitia pegar um produto na prateleira, escaneá-lo com meu iPhone e simplesmente ir embora. Graças ao aplicativo gratuito da Apple Store, não era necessário entrar na fila ou esperar até ser atendido. A compra foi lançada na minha conta da loja instantaneamente, sem que precisasse permanecer ali mais que dois minutos.

De forma inovadora, a Apple reduziu, tanto em benefício próprio quanto dos clientes, os entraves ao atendimento, que nada mais são do que aborrecimentos. No mundo atual, cada vez mais dominado pela tecnologia, permanece uma quantidade enorme de entraves e poucos exemplos de reação a esse estado de coisas. Em vez de beleza, elegância e simplicidade, preocupamo-nos com capacidade de armazenamento de dados e velocidade de processamento.

Por que algumas lojas ainda exigem que assinemos recibos de cartões de crédito quando não se trata de uma exigência legal ou bancária? Em princípio, essa pequena burocracia seria uma medida de segurança, mas, quando foi a última vez que você viu um atendente comparar sua assinatura com a do cartão?

Por que, hoje, ainda temos de fornecer, repetidas vezes, o endereço e o número do cartão de crédito na internet? Algumas grandes empresas já se deram conta de que a simplicidade gera um aumento de vendas. A Apple oferece um aplicativo e, na Amazon, é só clicar em um botão para fazer a compra, sem precisar fornecer mais nada. Achou algo interessante? Basta um clique e já é seu.

Qualquer site que exija o preenchimento de formulários, resposta a mensagens de confirmação ou testes está complicando as coisas e, consequentemente, perdendo oportunidades de vendas. Mais cedo ou mais tarde, todos que quiserem comprar alguma coisa ou fazer comentários perceberão que têm de passar por uma série de etapas e pensar: “Deixa para lá. Não vale a pena”.

Na verdade, a simplificação não leva apenas a um aumento de vendas, mas a qualquer atitude que se deseje estimular: por exemplo, o exercício do voto, no caso de ser facultativo.
Nesse caso, a fórmula para prever a probabilidade de um cidadão votar seria PB + D > C, onde P representaria a possibilidade de que um voto fará diferença; B, o benefício que se terá em caso de vitória do candidato escolhido; D, o sentimento de dever cumprido; e C, a complexidade do processo: a chateação de tirar o título de eleitor, ir à zona eleitoral, permanecer na fila etc. É óbvio que uma simplificação levaria a um aumento de participação. 

Agora, imagine se fosse possível obter o referido documento pela internet ou, até mesmo, votar por um aplicativo. É provável que houvesse uma participação muitíssimo maior, o que significaria uma democracia realmente genuína. O motivo pelo qual ainda não chegamos a esse ponto é o temor de que haja manipulações, mas, mesmo assim, essa inovação já seria possível caso houvesse uma intenção verdadeira nesse sentido.

E quanto à obesidade, que já atingiu proporções epidêmicas? Já se tentaram todas as soluções possíveis e imagináveis, menos a simplificação. Já que se pode comprar café pelo aplicativo do Starbucks, por que não pratos mais saudáveis? Por que ainda não se vendem maçã, banana ou cenoura nas máquinas de venda automática? Na verdade, a alimentação saudável ainda exige mais empenho que a incorreta, mas basta simplificar que as coisas mudam de figura.

Quando for comprar sua próxima câmera digital, não pergunte quantos megapixels ela tem, mas como se faz para ativar o foco manual. Ao adquirir um computador portátil, não se preocupe apenas com o tamanho da tela, mas com a maneira pela qual se acessa a assistência técnica. Já ao comprar um telefone, descubra quantos toques são necessários para enviar uma foto por e-mail.

Mas, se estiver do outro lado do balcão, como vendedor, não pense apenas em formas de atrair compradores. Descubra maneiras de simplificar as coisas para eles.
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