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edição 63 - Agosto 2007
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Revolução Azul
A aquacultura poderá manter a qualidade de vida e evitar a destruição dos oceanos
por Jeffrey Sachs
[continuação]

Na China, a criação de peixes é uma atividade milenar: várias espécies de carpas crescem entre os campos de arroz. A mistura da produção de arroz com a criação de peixes, em vez de com a pecuária como feito na Europa e nas Américas, fez sentido ecológica e economicamente. Uma vaca requer cerca de sete quilos de ração em grãos para cada quilo de carne, enquanto uma carpa precisa de cerca de três quilos ou menos. A criação de peixes economiza grãos de ração, e, é claro, a terra necessária para seu cultivo. A boa notícia, no entanto, é que recentemente os cientistas chineses aumentaram a eficiência da aquacultura e revolucionaram a gama de espécies que podem ser cultivadas. Um criterioso estudo apresentado pelo ecologista costeiro Carlos Duarte e colegas na edição de 7 de abril da Science documenta a enorme taxa de domesticação e comercialização de espécies marinhas. Das mais de 400 espécies marinhas cultivadas, 106 foram domesticadas na última década. Em contraste, sequer uma somou-se ao número das espécies terrestres domesticadas.

Mas a aquacultura sozinha não resolverá a crise pela qual os ecossistemas marinhos passam. A criação do salmão e de outras espécies que se alimentam de peixes, por exemplo, mantém a pressão sobre os oceanos, pois é necessária a pesca de enormes quantidades de peixes para alimentá-las. A aquacultura de peixes herbívoros, como carpas, tilápias e peixes-gato, é muito mais sustentável, mas mesmo nesse caso, traz desafios ecológicos significativos. Igualmente importantes são os outros desafios ecológicos da aquacultura: ela pode transmitir doenças do cativeiro para peixes selvagens, poluir as águas que a circundam com excesso de nutrientes, levar à destruição de habitats (como o desmatamento dos mangues para a criação de camarão) e ameaçar a diversidade genética pela liberação de espécies cultivadas na natureza. Como com qualquer desenvolvimento tecnológico promissor, políticas públicas terão um papel crítico através do uso prudente de iniciativas de incentivo e de coerção. Fundos públicos e prêmios deveriam ser usados para promover pesquisas de tecnologias de aquacultura.

Se normas de comercialização que limitem o total da pesca a níveis sustentáveis e contenham a exploração dos recursos marinhos comuns não forem adotadas, a pilhagem dos oceanos vai continuar. Os subsídios para o excesso de pesca oceânica também deveriam ser cortados. Práticas nefastas como o arrastão no topo de montanhas marinhas (local importante para o ciclo de vida de diversas espécies) deveriam ser proibidas por meio de acordos internacionais. Com políticas globais cuidadosas a Revolução Azul pode, efetivamente, tornar-se uma ferramenta poderosa para a nutrição humana, o bem-estar econômico e a sustentabilidade ambiental.
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Jeffrey Sachs é diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia (www.earth.columbia.edu).
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