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edição 61 - Junho 2007
Ano Internacional da Astronomia
Para comemorar os 400 anos da invenção da luneta, a IAU promove em 2009 atividades no mundo inteiro. Brasil vai abrigar reunião internacional de astrônomos profissionais
por Ulisses Capozzoli
MUSEU DE FÍSICA E HISTÓRIA NATURAL, FLORENÇA
AS DUAS PRIMEIRAS lunetas de Galileu que reformularam o pensamento e justificam o IYA 2009 estão no Museu de História da Ciência de Florença
Uma das vantagens de trabalhar com divulgação de ciência é a possibilidade de fazer algo pouco freqüente em sociedades turbulentas: dar boas notícias. As manchetes dos jornais, as capas das revistas tradicionais, as chamadas dos telejornais quase sempre anunciam acontecimentos desagradáveis, de prorrogação/aumento de impostos a escandalosas apropriações, sem falar de violência crescente que, se não ameaça o sono, perturba os sonhos.

Em divulgação de ciência as notícias podem ser animadoras. Não porque você seja um otimista irrecuperável, mas talvez porque não esteja disposto a perder o que acredita ser o prumo do mundo. O noticiário de muitas maneiras é circunstanciado, o que significa dizer que, apesar de a mídia propagar que vivemos numa sociedade do conhecimento, a base de sustentação de boa parte das informações está presa a valores convencionais, sem relação com o conhecimento. Em outros casos, reflete uma realidade virtual, mais especificamente, problemas criados em benefício de poucos e prejuízo da maioria.

A mídia trata todas essas questões com a gravidade dos juízes togados, exalando uma pretensa imparcialidade, como se os redatores que dão vida a ela não tivessem história pessoal.

Um pessimista empedernido pode argumentar que as coisas não são exatamente assim e, ao menos em princípio, não deixa de ter razão.
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Ulisses Capozzoli Editor de Scientific American Brasil, é jornalista especializado em divulgação científica, mestre e doutor em ciências pela Universidade de São Paulo.
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