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FOTOS POR BRUCE GILBERT/EARTH INSTITUTE; ILUSTRAÇÃO POR MATT COLLINS |
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A crise econômica global se parece muito com um apagão. Uma única queda numa linha de transmissão, ou uma sobrecarga temporária, provoca a interrupção de energia elétrica em outras partes da rede o que, por sua vez, leva a novas sobrecargas, interrupções e finalmente a uma cascata de falhas que fazem uma região ficar às escuras. De forma análoga, a situação emergencial do sistema bancário americano, provocada pela degradação das condições do mercado, enviou ondas de choque ao sistema financeiro mundial, provocando uma crise bancária global que agora ameaça transformar-se em crise econômica geral.
Falências em cascata – conhecido como “efeito dominó” – são fenômenos que estão surgindo em redes, em vez de serem considerados como fracassos independentes e coincidentes de seus componentes individuais. Apesar de muitos bancos nos Estados Unidos e Europa investirem massivamente no financiamento de valores mobiliários de risco, endossados por hipotecas (MBSs em inglês), respostas positivas no sistema econômico global amplificaram esses erros. Reguladores bancários e diretrizes macroeconômicas ainda não deram a devida atenção a esses efeitos.
O primeiro efeito importante é a “espiral deflacionária da dívida”. Quando as taxas de inadimplência das hipotecas começaram a aumentar, em 2007, os bancos sofreram perdas de capital em seus investimentos em MBSs. Para reembolsar seus credores (como os fundos do mercado financeiro, que tinham emprestado dinheiro a curto prazo), os bancos venderam massivamente seus MBSs, reduzindo ainda mais os preços de mercado desses títulos e ampliando as perdas do setor bancário.
Em segundo lugar, quando bancos sofrem perdas de capital empregado em ativos ruins, cortam os empréstimos na mesma proporção de suas perdas de capital. Esse corte desvaloriza ainda mais o preço dos imóveis, reduzindo o valor dos ativos bancários e aumentando a depreciação. |