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Terceiro: enquanto um ou mais bancos entram em pane, o pânico se instala. Os bancos emprestam a curto prazo para investir em ativos em longo prazo, que somente podem ser liquidados rapidamente com grandes perdas. Quando, de repente, os credores de curto prazo acreditam que outros credores de curto prazo estão resgatando seus empréstimos, cada credor tenta racionalmente resgatar seu empréstimo antes dos outros. O resultado é a caracterização da auto realização do pânico em massa, às retiradas, como aconteceu no mundo todo em setembro de 2008, com a quebra do Lehman Brothers. Um “pânico racional” como esse pode liquidar bancos que de outra forma estariam solventes.
Em quarto lugar, à medida que os bancos cortam seus empréstimos, os gastos e investimentos dos consumidores caem verticalmente, o desemprego aumenta e os bancos perdem mais capital e aumentam os riscos de seus empréstimos. A economia entra em parafuso. Somente políticas fiscais e monetárias agressivamente expansionistas na China, Japão, Alemanha e outras nações com lucros acumulados internacionais podem evitar essas conseqüências nas atuais circunstâncias. A recessão americana não poderá mais ser evitada, mas seus efeitos ainda podem ser moderados nos Estados Unidos e mais lentos no Leste Asiático.
Entre algumas precauções parciais adotadas, as mais importantes incluem padrões de adequação de capital que protegem bancos individuais contra perdas de capital, empréstimos emergenciais do banco central, seguros de depósitos e políticas macroeconômicas contracíclicas – ações que procuram suavizar as oscilações da atividade econômica. Na prática, essas políticas têm sido praticadas casualmente sem levar em conta os limites a serem superados e, em geral, foram reduzidas e tardias, sem qualquer preocupação em criar proteções para impedir rapidamente a propagação dos efeitos entre países.
Como, agora, novas diretrizes começam a reformar os sistemas financeiros e econômicos globais, seria prudente que consultassem as análises clássicas da Grande Depressão apresentadas no livro A monetary history of the United States, 1867-1960 (Uma história monetária dos Estados Unidos, 1867-1960) por Milton Friedman e Anna Jacobson. Segundo eles, “o colapso econômico, muitas vezes, tem características de um processo cumulativo. Se ultrapassar certo ponto tenderá, por algum tempo, a ganhar força de seu próprio desenvolvimento e seus efeitos se espalharão e voltarão a intensificar o processo de colapso”.
Nossos riscos vão muito além dos financeiros. Nossos empreendimentos temerários na recente bolha financeira são minimizados pelos riscos de longo prazo que assumimos através do fracasso com que tratamos as crises inter-relacionadas de água, energia, pobreza, alimentos e mudanças climáticas. A crise financeira deveria abrir nossos olhos para essas ameaças, muito mais graves e sistêmicas, e à cooperação global necessária para remediá-las. |