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Artigos |
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| edição 65 - Outubro 2007 |
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| Ciência e mecenato |
| Chegada da corte portuguesa deflagrou produção científica no Brasil por iniciativa de d. João. Mas consolidação e ampliação de pesquisa necessitam de mecenato, consciência que ainda não desenvolvemos |
| por Ulisses Capozzoli |
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| A FAMÍLIA REAL NO BRASIL. A corte de d. João VI aporta no cais de Belém no dia 27 de novembro de 1808 |
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Em março próximo serão completados 200 anos da chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro, após curta passagem pela Bahia. Para muitos pode ser apenas curiosidade histórica, “aci-dente napoleônico”, pois a família real trocou Portugal pelo Brasil fugindo da invasão comandada pelo general Andoche Junot. Mas a chegada da corte alterou profundamente as condições do Brasil e, entre outros efeitos, abriu espaço para a pesquisa científica, ao mesmo tempo que permitiu a impressão de livros e jornais pela criação da Imprensa Régia.
Ainda assim, a chegada da corte – na verdade em séqüito de 15 mil pessoas a bordo de 35 embarcações – continua motivo de chacota e ironia.
É verdade que a condição dos fugitivos não era nada confortável. Relatos de testemunhas dizem que exalavam um odor insuportável, atormentados por pulgas e piolhos, sem contar o embaraço representado por d. Maria, a Louca, mãe de d. João. Ela resistira em deixar Portugal, determinada a enfrentar as tropas do general “Tempestade” – como Junot era conhecido –, e, no Rio, ainda lamentava com um repetitivo “Ai, Jesus!”, intercalado por impropérios.
D. João é uma personagem controvertida nesse cenário aparentemente confuso, mas a ele devemos uma base histórica de ciência no Brasil, ainda que não se possa dizer que tenha sido um homem de cultura. De sensibilidade, sem dúvida. |
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 | Ulisses Capozzoli Editor de Scientific American Brasil, é jornalista especializado em divulgação científica, mestre e doutor em ciências pela Universidade de São Paulo. |
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