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Artigos |
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| edição 58 - Março 2007 |
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| Diálogos com a terra e o céu |
| Fala de cacique Seattle, há mais de 150 anos, convida a uma reflexão sobre as razões do aquecimento da atmosfera da Terra. |
| por Ulisses Capozzoli |
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Nasa |
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| Teoria Gaia enxerga a Terra como um imenso organismo vivo |
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O último relatório sobre mudanças climáticas, atribuindo às atividades humanas o processo de aquecimento planetário, sugere que tanto a ciência quanto a história se expressam como rios sinuosos.
No primeiro caso, as razões que levaram à exploração de recursos energéticos, especialmente fósseis e que estão na base do aquecimento da atmosfera são de natureza científica. Mais especificamente da revolução científica do século XVII que, com a termodinâmica, permitiu a substituição de músculos humanos e animais pela força das máquinas. Francis Bacon (1561-1626), pai da ciência moderna, certamente deu sinal de partida na corrida que culmina no aquecimento da atmosfera, quando expressou a pretensão humana de "dominar a Natureza".
A revolução científica, no entanto, dependeu da Revolução Industrial, que veio a seguir para materializar suas descobertas teóricas. A Revolução Industrial consagrou a mecanização e marcou o fim do longo reinado dos artesãos, com enorme esvaziamento da criatividade do trabalho. Num processo que tem sido discutido desde então, da história à literatura, passando pelo cinema (Tempos modernos), os homens acabaram subjugados pelas máquinas.
Condenar tanto a Revolução Científica quanto a Industrial pela dominação a que os humanos foram submetidos, no entanto, é algo sem sentido. Até porque ambas foram resultado de iniciativas humanas. E aqui faz todo sentido a leitura da mensagem que o cacique Seattle, dos Suquamish, enviou ao presidente americano, Franklin Pierce, em 1855, como resposta à oferta de compra de terras do seu antigo território. |
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 | Ulisses Capozzoli Editor de Scientific American Brasil, é jornalista especializado em divulgação científica, mestre e doutor em ciências pela Universidade de São Paulo. |
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