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Artigos |
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| edição 57 - Fevereiro 2007 |
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| Em busca da pilula da memória |
| Perspectivas para o tratamento da perda cognitiva associada ao envelhecimento e doenças neurológicas |
| por Rafael Roesler |
[continuação]
Apesar dessas limitações, talvez não esteja distante o dia em que um medicamento eficaz se torne realidade na prática clínica. Avanços na compreensão dos mecanismos moleculares que permitem a formação e recordação de memórias no cérebro têm permitido a identificação de compostos químicos que podem trazer benefícios de forma eficiente e segura. Alguns medicamentos já estão em fase experimental em humanos.
Um grande número de estudos em animais demonstra que a substância adenosina monofosfato cíclico (AMPc) é um mensageiro químico fundamental para a facilitação da transmissão nervosa e a formação da memória. Compostos que aumentam os níveis cerebrais de AMPc estão sendo testados como potenciais "pílulas inteligentes". Alguns deles já estão em fase inicial de testes em humanos.
O aminoácido glutamato é o principal transmissor químico que ativa os neurônios e dá início à seqüência de eventos bioquímicos que permite o reforço das sinapses e a formação da memória. O glutamato age ligando-se a proteínas nas membranas dos neurônios, os receptores glutamatérgicos. Compostos chamados ampakinas, que estimulam de forma seletiva os receptores glutamatérgicos, estão em fase adiantada de testes clínicos e apresentam resultados promissores para o tratamento de disfunções de memória associadas ao Alzheimer e outras doenças neuropsiquiátricas.
Várias outras famílias de substâncias são importantes para regular a capacidade do cérebro de formar memórias e poderiam servir como base para o desenvolvimento de novos medicamentos. Estudos feitos por nosso grupo de pesquisa indicam que peptídeos (pequenas proteínas) da família da bombesina, encontrada na pele de sapos, ou substâncias sintéticas semelhantes a eles, podem melhorar a memória em animais de laboratório e prevenir a perda de memória em modelos animais de doenças neurológicas. A corrida pela "pílula da memória" começou. As vítimas de doenças neurológicas esperam pelo dia em que alguém consiga cruzar a linha de chegada. |
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 | Rafael Roesler Professor de farmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. |
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