|
 |
|
 |
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
Artigos |
|
|
| edição 80 - Janeiro 2009 |
 |
|
| Em busca do tempo perdido |
| Antes de começar a tratar seres humanos com células-tronco embrionárias, precisamos resolver questões fundamentais |
| por Lygia da Veiga Pereira |
A obtenção da primeira linhagem de células-tronco (CTs) embrionárias humanas no Brasil, a BR-1, contribui para o avanço das pesquisas nacionais e nos libera de restrições de importação O ano de 2008 será lembrado como um período de grandes altos e baixos. Deixo os baixos – e que baixos! – por conta da crise deflagrada pelo estouro da bolha de ganância do mercado financeiro – e fico por aqui neste assunto para não correr o risco de falar do que não compreendo bem e, pior, de perder o interesse do leitor.
Vamos comemorar os altos, especificamente o “final feliz” da trajetória política e científica das pesquisas com CTs embrionárias humanas no Brasil. Não custa repetir: as embrionárias são o tipo mais versátil de CTs até hoje identificadas em mamíferos, com capacidade de dar origem a qualquer tecido do corpo. Quando transplantadas em animais doentes, essas células são capazes de aliviar os sintomas de diversas doenças, desde Parkinson até diabetes. Porém, como são retiradas de embriões produzidos por fertilização in vitro (FIV), são foco de grande polêmica no mundo todo.
Este ano comemoramos o fim dessa polêmica no Brasil – pelo menos do ponto de vista legal. Depois de três anos de análise, a Lei de Biossegurança de 2005, que permite o uso para pesquisa de embriões inviáveis, ou que estejam congelados há pelo menos três anos, foi finalmente consagrada e considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Essa decisão não significa que a partir de agora podemos tratar pacientes com as CTs embrionárias – antes de começarmos mesmo os testes clínicos em seres humanos, temos algumas questões fundamentais que devem ser resolvidas para que esses tratamentos sejam seguros. Mas ela deixou de uma vez por todas claro que o Brasil é um país laico, com uma política de desenvolvimento científico moderna, sintonizada com os modelos praticados pelos países mais desenvolvidos. Passamos a integrar o grupo que investe na promessa terapêutica de todos os tipos de CTs, incluindo as embrionárias, composto por Estados Unidos, Reino Unido, França, Israel, Suécia, China, Japão e Austrália, entre outros. Além disso, com o fim do debate legal, mais grupos de pesquisa no Brasil deverão passar a trabalhar também com as CTs embrionárias. |
|
1 2 » |
 | Lygia da Veiga Pereira é professora livre-docente e chefe do Laboratório de Genética Molecular do Instituto de Biociências da USP e autora dos livros Clonagem: da ovelha Dolly às células-tronco e Seqüenciaram o genoma humano... E agora? (Editora Moderna). |
|
|
|
|
|
|
|
|