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edição 72 - Maio 2008
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Iniciativas para a proteção do clima
O comprometimento com o estímulo a novas tecnologias é essencial para evitar um desastroso aquecimento global
por Jeffrey Sachs
[continuação]

CCS, por exemplo, depende da capacidade de capturar dióxido de carbono na usina a custo baixo, transportá-lo por dutos a distâncias significativas e estocá-lo em segurança no subsolo, de maneira confiável e duradoura. Todos esses componentes estão próximos de ser utilizados, mas todos enfrentam desafi os importantes. A captura de carbono é mais promissora para novos tipos de usina de carvão, cujo custo e confi abilidade têm ainda de ser provados. Uma vasta nova rede de dutos requereria um grande apoio regulatório e político, com obstáculos ambientais e de direitos de propriedade. O seqüestro geológico de dióxido de carbono em grandes escalas tem também de ser provado, cuidadosamente monitorado e ambientalmente regulado. Os primeiros projetos demonstrativos provavelmente serão muitas vezes mais custosos que os posteriores. A ampla aceitação e o apoio públicos serão cruciais para a tecnologia. Mas até hoje o governo americano não conseguiu ativar uma única usina de demonstração CCS, e diversas iniciativas privadas estão atualmente encalhadas, todas por falta de apoio público e financiamento.

Automóveis híbridos recarregáveis significam quebra-cabeças semelhantes. Permanecem questões básicas sobre a segurança, confiabilidade e durabilidade das baterias que eles requerem, assim como os investimentos extras na matriz energética para apoiá-los. A energia solar-térmica, que utiliza radiação solar concentrada em lugares desertos para ferver a água para turbinas a vapor geradoras de eletricidade, também depende da solução de diversos problemas. Os desafi os políticos incluem o pesadelo da armazenagem de energia e obstáculos regulatórios e financeiros, incluindo a instalação de novos sistemas de transmissão de alta voltagem e corrente contínua para levar a energia a longas distâncias, do deserto a outros locais.

As questões tornam-se ainda mais complexas quando consideramos que as tecnologias de baixa emissão desenvolvidas no mundo rico precisarão ser adaptadas rapidamente em países pobres. A proteção de patentes, que serve para promover a inovação, pode retardar a difusão dessas tecnologias para países de baixa renda, a menos que se adotem medidas compensatórias.

Toda essa inovação tecnológica precisa começar logo, se quisermos ter uma chance de estabilizar as emissões de carbono em um nível que evite custos globais potencialmente devastadores. Até 2010, no máximo, o mundo tem de romper barreiras com usinaspiloto de carvão CCS na China, Índia, Europa e Estados Unidos. As nações ricas devem ajudar a financiar e construir usinas solartérmicas em estados fronteiriços ao Saara, e híbridos recarregáveis altamente subsidiados têm de estar saindo da linha de montagem. Apenas esses passos nos permitirão perscrutar mais longe o caminho da verdadeira mudança transformadora.
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Jeffrey Sachs é diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia (www.earth.columbia.edu).
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