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edição 44 - Janeiro 2006
Mistura em pleno vôo
Depois de inovar com o avião a álcool, país desenvolve motor aeronáutico flex fuel.
por Virgínia Silveira
Em 2004, a Indústria Aeronáutica Neiva, subsidiária da Embraer, deu entrada em mais um verbete na já consagrada história da aviação brasileira. Em outubro, realizou, com sucesso, o vôo inaugural de uma aeronave movida a álcool, a primeira no mundo a ser produzida em série.

Agora, o Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos, São Paulo, volta à carga e trabalha em um sistema de gerenciamento eletrônico para motor aeronáutico flex fuel. Será o primeiro do mundo - novamente - a operar tanto com gasolina de aviação quanto com etanol.

O motor a álcool da Neiva, que equipa o avião agrícola Ipanema, foi aperfeiçoado durante dois anos a partir dos conceitos básicos da tecnologia desenvolvida pelo próprio CTA, instituto de pesquisa da Força Aérea Brasileira (FAB). Em 1985, o centro chegou a realizar um estudo completo sobre a utilização do etanol como combustível de aviação. O motor convertido foi testado em uma bancada de ensaios durante 250 horas.

Em 1986, o T-25 realizou um único vôo usando o álcool como combustível, mas em 1987 as pesquisas foram interrompidas porque não existia muito interesse na continuidade do projeto e também porque os recursos destinados a seu desenvolvimento foram remanejados para outros fins.

Mesmo em terra, essa foi a época em que os automóveis a álcool deixaram de circular. Agora, o álcool volta para o T-25. O primeiro vôo já foi feito, e o motor deve ser homologado pelo CTA ainda no primeiro semestre de 2006.

O Ipanema e o T-25 utilizam o mesmo motor, mas com uma diferença: a tampa traseira da bomba de combustível. A do Ipanema tem uma bomba de diafragma acoplada, e a do T-25, uma de engrenagem. A de diafragma é mais resistente e, por isso, mais adequada à aeronave agrícola, que precisa fazer várias decolagens por hora. O T-25, também conhecido como Universal, é utilizado em treinamento primário de pilotos da FAB. Foi fabricado pela Neiva até 1979.
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