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edição 82 - Março 2009
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Mudanças na indústria automobilística
Somente uma parceria entre os setores público e privado pode ajudar as Big Three (Três Grandes) a sobreviver
por Jeffrey Sachs
[continuação]

O que se pode lamentar é que a apresentação do híbrido elétrico Chevy Volt terá um preço de tabela no primeiro ano de US$ 40 mil. Os custos nos primeiros estágios, inevitavelmente, são bem mais elevados que no decorrer de um período mais longo. As diretrizes públicas deveriam ajudar a promover essa transição através de recursos como a aquisição pelo setor público de frotas de veículos de modelos novos, taxação especial e incentivos de financiamento para os primeiros compradores, e uma taxação da gasolina mais elevada com a finalidade de incorporar os custos das modificações climáticas e a dependência da importação de petróleo.

O financiamento americano de tecnologias de energia sustentável, como as baterias de alto rendimento, o fator limitante das velas de ignição em híbridos, foi reduzido desde que Ronald Reagan inverteu os investimentos iniciados por Jimmy Carter. De acordo com os dados da International Energy Agency, os gastos federais americanos em toda a área de energia, de P&D, alcançaram aproximadamente US$ 3 bilhões anuais nos últimos anos – menos que dois dias de gastos do Pentágono. Essa negligência está finalmente mudando com o compromisso de US$ 25 bilhões em empréstimos para aumentos na área tecnológica, aprovados pela legislação de energia de 2007, mas essa quantia ainda não foi mobilizada e pode chegar demasiado tarde para ajudar. As verbas diretas de P&D para laboratórios do governo, empresas e universidades deveriam ser aumentadas.

Os Estados Unidos precisam de uma diretriz público-privada, e não simplesmente acusar o setor privado. Os veículos Chevy Volt, da GM, os novos Extended-Range Electric Vehicles, da Chrysler, e os esforços em grande escala para produzir, dentro de uma década, um veículo de célula de combustível demandam suporte público, com P&D para tecnologias básicas, apoio para as demonstrações e disseminação dos primeiros estágios. Impostos mais altos sobre a gasolina, que espelhem custos de segurança e climáticos, e investimentos públicos em tecnologias complementares, como uma grade energética limpa. Seria um erro de proporções históricas deixar a indústria morrer no limiar de uma transformação vital.
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Jeffrey Sachs é diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia (www.earth.columbia.edu).
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