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Na região de São Luis do Paraitinga – Alto Vale do Paraíba – o povo designava os processos de múltiplas bigornas como responsáveis por “chuvadas” ou “torós” pelo nome de “tromba d’água”: algumas delas lembradas pelas conseqüências desastrosas em relação ao sítio e corpo urbano de pequenas cidades regionais.
Os estudos de clima urbano iniciado com Carlos Augusto Monteiro e ampliados nas pesquisas de Magda Lombardi, através de imagens de satélites, têm interesse particular para orientar projetos de arborização e multiplicação de praças e pracinhas minimizadoras do calor e mais que isso: para facilitar a previsão de impactos sub-regionais na Grande São Paulo e conjunto do Planalto Paulistano. Para atender as condicionantes climáticas naturais da região de São Paulo o trabalho mais importante já publicado é o Atlas da Dinâmica Climática do Estado de São Paulo, elaborado por Carlos Augusto Monteiro, em Rio Claro (Unesp) e publicado na íntegra pelo Instituto de Geografia da USP.
A percepção do autor sobre a periodicidade climática, em termos de variações anuais do sistema pluviométrico, abriu caminho efetivo para um verdadeiro entendimento de uma climatologia dinâmica regional. De tal maneira que os técnicos e pesquisadores generalistas, que falam em conseqüências alarmantes do aquecimento global, deveriam levar em conta a problemática da periodicidade e as perturbações que ocorrem sistematicamente por todas as regiões da América e do mundo. Compreender o jogo das massas de ar, em suas variações periódicas, é parte do conhecimento necessário para um planejamento múltiplo sobre a racionalidade da cidade e do seu entorno e, também, para evitar interpretações radicais sobre os processos de mudanças climáticas na visão do cotidiano.
A questão do aquecimento do corpo urbano metropolitano pelo tamponamento dos solos e construtivismo exagerado merece, certamente, também tratamento mais detalhado e interdisciplinar. É verdadeiro que a porção central da cidade de São Paulo tenha sofrido um aumento de temperatura bastante significativo em um século: de 18,6º, no início do século 20 – Belfort de Matos – atingiu uma média de 20,4º ou pouco mais no início do terceiro milênio. Um século, portanto, de aquecimento em uma área de uma gigantesca cidade, como é o caso da grande São Paulo.
Para minimizar os efeitos do calor mais forte, nos meses de transição primavera- verão, e meses de janeiro-fevereiro, deveria existir sempre um conjunto de projeto de arborização urbana e gestão de bosques remanescentes de antigas matas: no caso de São Paulo, e uma proteção integrada das florestas das serranias envolventes do planalto paulistano onde quer que eles existam. Seja em Cotia-Embu; São Migual-Suzano, Itapevi-Barueri, Santana de Parnaíba-Araçariguana, ou Paralheiros-Guarapiranga, Itapecirica da Serra-Ibiúna, além de pequenos espaços públicos sujeitos a invasões, se não forem bem cuidados. Nesses quintais esquecidos podem ser feita uma combinação de jardinagem com reintrodução, ainda que parcial, de espécies nativas. |