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edição 122 - Julho 2012
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O Fascínio das Ondas
Talvez o mar tenha oferecido, para a maioria de nós, os primeiros contatos com coisas que percebemos claramente como ondas
por Otaviano Helene
[continuação]

Se você quiser ver um interessante exemplo de refração procure no mapa disponível no Google as coordenadas 23° 7’ 40.12”S e 14° 25’ 57.12”E (que correspondem à costa da Namíbia). No dia em que aquela imagem foi obtida, pelo menos a que estava disponível no início de maio de 2012, as ondas chegavam próximo à costa segundo uma inclinação de mais ou menos 30o. Entretanto, à medida que se aproximavam da praia elas iam mudando de direção, até se quebrarem paralelamente a ela. Você pode perceber isso, na imagem, pelas espumas formadas pelas ondas ao se quebrarem. As ondas foram, refratadas. (Refração também é o efeito que explica as miragens que observamos nas estradas asfaltadas em dias ensolarados e que faz com que um carro distante pareça como que refletido no chão, como se a estrada estivesse molhada. Essa é a miragem mais explorada nas histórias em quadrinhos quando algum personagem sedento está perdido no deserto.)

A refração ocorre também com outros tipos de onda na água. O terrível tsunami que ocorreu no final de 2004, no oceano Índico, a leste da Índia, por exemplo, atingiu a costa oeste desse país. O que ocorreu foi uma refração das ondas do tsunami, o mesmo efeito que faz as ondas chegarem paralelamente às praias. É possível encontrar, na internet, várias animações mostrando a propagação de ondas provocada por aquele tsunami e a refração deles ao passar pelo sul da Índia. Nessas animações, percebem-se também outros efeitos típicos de ondas na água, como reflexão e difração.

Além da refração, ondas na água apresentam outros efeitos interessantes. Entre eles os que fazem com que, em uma enseada, as ondas também se quebrem paralelamente à praia, que inclui, além da refração, a difração quando as ondas atravessam a entrada da enseada.

Talvez o mar tenha oferecido, para a maioria de nós, os primeiros contatos com coisas que percebemos claramente como ondas. E a água nos oferece muitos outros exemplos delas, como as marés, os macaréus (ou pororocas, como são denominados na Amazônia) ou as ondas estacionárias que se formam na foz de muitos rios. E a enorme diversidade de formas e efeitos das ondas na água está relacionada à dificuldade de entender seus comportamentos, o que exige de cientistas e engenheiros que se dedicam ao tema um grande esforço. Isso inclui muitos cálculos trabalhosos, além de experimentos e observações.
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Otaviano Helene mestre e doutor em física pela Universidade de São
Paulo, onde é professor, tem trabalhado em áreas que incluem problemas relacionados ao tratamento estatístico de dados experimentais. Mais
recentemente, tem se dedicado também a trabalhos de divulgação científica.
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