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edição 43 - Dezembro 2005
O medicamento que veio do leite
Em teste, a primeira proteína medicinal produzida por um animal transgênico.
por Gary Stix
Brad DeCecco
A cabra transgênica, aqui no processo de ordenha em uma fazenda da GTC Biotherapeutics, em Framingham, EUA, é uma fábrica de proteínas farmacêuticas
As proteínas são o verdadeiro "petróleo" da biotecnologia. Durante grande parte de sua história de 30 anos, o setor luta para conseguir um suprimento regular, tirando o máximo dessas commodities de moléculas grandes de linhas de células extraídas de ovário de hamster e fontes similares. No fim da década de 1990, com a chegada de uma nova classe de drogas baseadas em proteínas, os anticorpos monoclonais, a demanda chegou a superar a oferta. Há décadas, os cientistas que criaram a eritropoietina recombinante para rejuvenescer os glóbulos vermelhos e os anticorpos monoclonais para combater o câncer buscam formas alternativas de produção.

É possível que um novo biorreator - um animal gerado pela engenharia genética para produzir uma proteína terapêutica no leite - finalmente satisfaça essa grande expectativa. A Agência Européia para Avaliação de Produtos Medicinais (Emea) deve decidir, no começo do próximo ano, sobre a aprovação de uma proteína anticoagulante, antitrombina humana, produzida em leite de cabra para tratar uma doença hereditária. Se a droga, ATryn, conseguir a aprovação dos órgãos reguladores, veremos o final feliz de uma difícil jornada de 15 anos da GTC Biotherapeutics, empresa de Framingham, Massachusetts, spin-off da gigante de biotecnologia Genzyme.

A idéia de produzir drogas transgênicas ocorreu a muitos cientistas em meados da década de 1980, quando esse novo setor começou a enfrentar o desafio de fabricar proteínas complexas: assegurar que essas grandes moléculas tivessem a forma adequada, e com todos os açúcares nos locais corretos, na superfície dos aminoácidos das proteínas. As células ovarianas dos hamsters chineses conseguem esse resultado, mas obter uma quantidade suficiente do produto causa constante frustração, e é uma das razões para o alto preço das drogas produzidas pela biotecnologia. Além disso, a cultura de células de mamíferos nem sempre é o meio ideal: às vezes é extremamente difícil produzir proteínas por esse método.

Em busca de maior eficiência, os pesquisadores notaram que as glândulas mamárias de vacas, coelhas e cabras, entre outras, podem tornar-se "fábricas" ideais de proteína, devido à sua capacidade de produzir grandes quantidades de proteínas complexas. Além disso, glândulas mamárias não necessitam da atenção constante exigida pelas culturas de células.
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