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edição 67 - Dezembro 2007
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O papel social das bicicletas
O uso do veículo em Ubatuba promove uma atmosfera urbana educada e estimulante
por Aziz Nacib Ab`Sáber
[continuação]

Observações prolongadas sobre o uso da bicicleta na cidade de Ubatuba demonstram o extraordinário papel social que ela desenvolve em uma pequena cidade praiana no litoral norte de São Paulo. Percebe-se de imediato que, independentemente do caráter sazonal que marca a dinâmica da vida urbana citadina, o uso dos biciclos é absolutamente permanente no cotidiano de Ubatuba. Os que vêm de fora são obrigados a usar automóveis para chegar, transitar e participar das oferendas paradisíacas da paisagem costeira. A disputa por estacionamento nas avenidas praianas, no distrito central de comércio, ou nos supermercados e shopping centers documenta o uso dos espaços urbanos por aquela parte da população que vem de centenas de quilômetros de distância. Incluindo, no caso, as pessoas que possuem apartamentos ou moradias na cidade ou seus arredores.

O caráter principal do uso das bicicletas está relacionado com uma movimentação que envolve, sobretudo, os adolescentes de ambos os sexos. Rapazes e moçoilas de todos os quadrantes vêm para o centro da cidade e percorrem a beirada da praia, compram mercadorias singelas. Dirigem-se ao banco para pagar dívidas. Tomam um café ou um suco barato em bares previamente conhecidos. Compram cadernos e materiais escolares em papelarias. E se encantam com as lojas de brinquedos e quinquilharias. Encostam as bicicletas nos raros bancos e nas calçadas. São pequenos esforços, e funcionam para guardar as bicicletas no centro da cidade. Falta dinheiro para pagar as contas, mas eles exibem saúde e alegria pelo exercício da pedalagem nos biciclos.

Ao cair da noite, as casas mais simples dos moradores de Ubatuba, no centro expandido – bairro do Perequê-Açu –, permanecem escuras e com pouca presença humana. Muitas mães usam o ambiente das igrejas para passar algumas horas fora de casa. Enquanto os jovens – moças e rapazes – circulam à noite como se fosse de dia. Não existe qualquer perigo de assalto ou agressão. Ao atravessar o movimentado calçadão do centro, educadamente todos descem do biciclo, empurrando calmamente o veículo até o reencontro de ruas e ciclovias. Assim, Ubatuba tornouse uma cidade que não é só para homens. E sim um mundo urbano educado e estimulante para as mulheres.

É verdade que as pessoas de mais idade – e as gordas e obesas – mal usam a bicicleta, mas predomina por todas as ruas, avenidas e setores de rodovia o uso estimulante e social do veículo. Para os jovens, incluindo rapazes e moças, cria condições saudáveis e de excelente uso da liberdade pessoal.
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Aziz Nacib Ab`Sáber é professor emérito da FFLCH/USP e professor honorário do Instituto de Estudos Avançados/USP.
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