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edição 34 - Março 2005
O xadrez do hidrogênio
É preciso pensar estrategicamente para adaptar o Brasil ao combustível do futuro
por Ennio Peres da Silva
Questões ambientais globais, instabilidades internacionais no fornecimento e elevação dos preços do petróleo com a conseqüente busca pela segurança no suprimento de energia são fatores que têm levado muitos países a buscar alternativas energéticas, entre elas o uso do hidrogênio, principalmente em células a combustível.
Uma característica fundamental dessa tecnologia é a necessidade de integração de diversas áreas do conhecimento, envolvendo cada uma das etapas da cadeia do hidrogênio: geração, processamento/armazenamento/transporte/distribuição, conversão, aplicações, além de ações transversais como análise de mercado, segurança, normatização e educação para esta nova tecnologia.

O Brasil participa desse esforço através de suas instituições de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), empresas e órgãos governamentais da área energética e tecnológica. A busca por uma ação nacional integrada teve início em 2000, com reuniões organizadas pela Finep, Financiadora de Estudos e Projetos. No final de 2002 foi lançado o Programa Brasileiro Sistema de Células a Combustível – ProCaC, pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, cujo objetivo principal é orientar as atividades de P&D em células a combustível e tecnologias associadas, a fim de otimizar a utilização dos recursos disponibilizados pelas agências financiadoras oficiais. Suas primeiras ações foram implementadas em 2004. Entre essas ações está a formação das redes de P&D que devem começar a atuar organizadamente em 2005.

No âmbito da política energética para o hidrogênio, o governo brasileiro, através da Ministra de Minas e Energia (MME), Dilma Roussef, assinou em 2003 um convênio de cooperação com os EUA, sendo convidado a participar da IPHE (International Partnership for the Hydrogen Economy), parceria internacional entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, destinado a alavancar o uso energético do hidrogênio em todo mundo.

No momento, o MME elabora o Roteiro da Política Brasileira para Estruturação da Economia do Hidrogênio, com a participação de várias entidades nacionais envolvidas com essa tecnologia. Como diretrizes gerais, o MME já definiu que o uso energético do hidrogênio será tratado na matriz energética brasileira como um vetor, favorecendo prioritariamente o uso das fontes renováveis de energia, como o álcool de cana. Num futuro em que boa parte dos automóveis estiver equipada com eficientes células a combustível, será mais compensador usar o etanol para produzir hidrogênio do que para mover carros com motor a álcool.
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Ennio Peres da Silva É coordenador do Laboratório de Hidrogênio(LH2) e do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Universidade de Campinas (UNICAMP)
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