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edição 85 - Junho 2009
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Observatórios Astronômicos Municipais
Centros podem ter atuação ampla e diversificada na sensibilização para a ciência
por Paulo Sergio Bretones
[continuação]

Cada um contou sua história de contatos com prefeitos, secretários municipais, vereadores e imprensa da cidade. Mesmo não tendo uma receita pronta para isto, é fácil notar que um observatório pode estar ligado a secretarias municipais de educação, cultura, turismo e meio ambiente, dadas as suas aplicações e ligações com todos esses setores.

A instalação inicial de pequenos telescópios pode ser incrementada progressivamente com lunetas, binóculo, e até instrumentos maiores. Nem sempre há necessidade de locais muito escuros já que, para a Lua, planetas brilhantes, estrelas duplas, aglomerados estelares e mesmo o Sol (por projeção ou filtros espaciais) bastam locais urbanos.

No que se refere à educação, esses observatórios podem ser usados para a formação de professores e para trabalhos com estudantes que teriam oportunidade de tomar contato com assuntos pouco abordados no programa escolar.

Também como opção de cultura e de lazer, um observatório passa a ser uma forma de atração turística na cidade. Afinal, as pessoas, de modo geral, apreciam passeios ao ar livre onde é possível contemplar o céu e indagar sobre outros mundos, fazer perguntas e discutir temas que tocam a humanidade há milênios.

Professores aposentados, e astrônomos amadores, poderiam gerir esses centros e fazer do astrônomo amador alguém tão importante quanto um piloto amador durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse sentido, podem ser criados postos de trabalho para estudantes de graduação ou professores de ciências, por exemplo, que poderiam se profissionalizar na área da educação em astronomia. Esses observatórios podem ser construídos por meio de projetos anuais renováveis, ou até pela implantação de leis que garantam seu funcionamento contínuo, com a criação de cargos mais estáveis, cujos profissionais poderiam ser selecionados por concurso público.

Mais que isto, essas instituições poderiam associar-se a universidades e levar adiante projetos educacionais e até de pesquisas, desde que inseridas em projetos maiores de relevância para a pesquisa astronômica atual. Rastreamento de cometas e asteróides ou observações de estrelas variáveis podem integrar esses programas.

Despertar a curiosidade dos jovens e dar opções à população de modo geral por meio de discussões envolvendo a beleza do céu talvez possa ajudar até mesmo a amenizar a situação de violência e o uso de drogas, ao contribuir para um novo sentido à vida de muita gente.
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Paulo Sergio Bretones professor de astronomia; é autor dos livros Os segredos do Sistema Solar e Os segredos do Universo, da Atual Editora.
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