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Artigos |
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| Pesquisadores se tornam suas próprias cobaias em nome da ciência |
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COURTESY OF OLIVIER AMEISEN |
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| Olivier Ameisen curou sua dependência de álcool ao prescrever para si mesmo doses altas de baclofen, uma droga genérica normalmente usada para tratar espasmos musculares. |
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Auto-experimentação – Capítulo 4
Para acabar com a bebedeira, cardiologista alcoólatra prescreveu droga experimental para ele mesmo
Olivier Ameisen havia tentado de tudo para deixar o álcool de lado – até que ouviu falar do baclofen
Por Nikhil Swaminathan
A última vez que Olivier Ameisen praticou formalmente a medicina foi no verão de 1997. Após duas décadas na área, em uma bela manhã, o médico francês, que então dirigia uma clínica em Manhattan, ligou de repente para sua secretária pedindo que desmarcasse todas as suas consultas. Ela riu pensando se tratar de uma brincadeira quando ele explicou a razão. Ele disse que estava doente, que era alcoólatra e que temia que a bebida pudesse interferir no tratamento de seus pacientes.
Qualquer pessoa que conhecesse seu currículo teria reagido da mesma maneira. Ameisen era um estudante de medicina brilhante na Universidade de Paris – na qual ingressou aos 16 anos. Ao se mudar para os Estados Unidos, conseguiu uma bolsa no New York–Presbyterian Hospital em Manhattan, em 1983, onde rapidamente se tornou médico atendente, em 1986. (No mesmo ano, ele começou também a dar aulas no Weill Cornell Medical College da Cornell University, afiliado ao hospital).
Mas as coisas começaram a azedar em 1994, quando o então solteirão de 38 anos abriu uma clínica particular. Apesar de a aventura ter se provado bem-sucedida no começo – o investimento estava pago em quatro meses, em vez dos usuais dois anos – ele ficou dominado por um medo irracional de não conseguir sustentar sua futura família. “Foi assim que comecei a beber em casa”, conta Ameisen, agora com 54 anos. Com o passar do tempo, ele conta que “meu medo era de estar bêbado quando um paciente ligasse e dissesse ‘estou com dor no peito’, e eu dizer a ele ‘ok, então vá jogar tênis”.
Depois de deixar a clínica de lado, Ameisen passou um total de nove meses, ao longo de dois anos, em várias clínicas de reabilitação tentando controlar o desejo por álcool, ou “motivações”, como ele diz. Ele tentou o Alcoólicos Anônimos várias vezes e estima que em único ano tenha ido ao equivalente a 700 reuniões por ano por sete anos – ou cerca de quatro por dia. Ele também experimentou tratamentos com naltrexona e acamprosato, os únicos medicamentos aprovados pela U.S. Food & Drug Administration (FDA), órgão norte-americano responsável pela regulamentação de medicamentos e alimentos, para tratar a dependência de álcool, mas sem sucesso. |
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